O PRÓLOGO DE JOÃO (JOÃO 1:1–18) é uma das pedreiras mais ricas da Bíblia para a mineração de verdades maravilhosas sobre Cristo.
Aqui há espaço apenas para as reflexões mais introdutórias.
(1) No primeiro versículo, aquele que finalmente se tornou carne, o próprio Senhor Jesus, é chamado de “Palavra”. O rótulo não é apenas intrinsecamente peculiar, mas à primeira vista é especialmente estranho porque não é retomado no restante do Evangelho de João. Mas talvez essa seja a primeira pista. Se neste primeiro versículo João tivesse usado um dos títulos atribuídos a Cristo ao longo do livro (filho de Deus, Filho do Homem, Rei de Israel, Messias e assim por diante), esse título teria sido elevado ao lugar de primeira importância. Em vez disso, João usa uma expressão que engloba todos eles. Ele lembra que no Antigo Testamento a “palavra” de Deus é regularmente o meio pelo qual ele se revela na criação, redenção e revelação. “A palavra do Senhor” vem aos profetas; pela palavra do Senhor foram feitos os céus; Deus envia sua palavra e cura o povo. João acha isso maravilhosamente apropriado: na eterna “Palavra” que se torna carne, Deus se revela na criação, revelação e redenção. Até a palavra "Palavra" é evocativa. Podemos parafrasear: “No princípio, Deus se revelou, e essa auto-revelação estava com Deus, e essa auto-revelação era Deus”.
(2) Se a “Palavra” de Deus estava com Deus mesmo no começo mais remoto, essa Palavra era o próprio companheiro de Deus e distinguível dele. Se a “Palavra” de Deus era Deus mesmo no começo mais remoto, essa Palavra era o próprio Deus e se identificava com ele. Aqui estão pedaços rudimentares do que vem a ser chamado de doutrina da Trindade. Desde o princípio, Deus sempre foi uma unidade complexa.
(3) O versículo 2 retoma a cláusula do meio do versículo 1, em preparação para o versículo 3. Em outras palavras, o fato de que a Palavra estava com Deus no princípio torna possível para ele ser o agente de Deus na criação de tudo. Além disso, a insistência de que Deus criou absolutamente tudo por meio da agência da Palavra leva à conclusão de que nem Deus nem a Palavra fazem parte da criação; o panteísmo é descartado, bem como qualquer sugestão de que a Palavra seja um ser criado, um deus inferior.
(4) No versículo 14, João declara que a Palavra se tornou carne (isto é, um ser humano) e (literalmente) “tabernificou” entre nós. Os leitores do Antigo Testamento percebem instantaneamente que isso significa que, em certo sentido, Jesus, para João, é um novo tabernáculo, um novo templo (cf. João 2:13-25). De fato, há meia dúzia de alusões a Êxodo 32–34 em João 1:14–18. E podemos Encontrá-los. O que eles querem dizer?
D. A. Carson, Pelo amor de Deus: um companheiro diário para descobrir as riquezas da Palavra de Deus, vol. 2 (Wheaton, IL: Crossway Books, 1998), 371.
-- SBTB