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Em 2018 eu comecei a gravar áudios de poesias… a data escolhida a força foi 28 de outubro daquele ano marcou uma noite de lágrimas, de inicios e fins… eu, ainda era pastor, ou algo equivalente a isso, numa igrejinha, daquelas que ninguém dá importância, aliás, como deveriam ser todas elas, a igreja do armazém…, domingo à noite, um grupo de pessoas, exiladas da fé institucionalizada, choramos todos de tristeza e desespero… se vc não lembra o que houve nesse dia, eu te refresco a memória… Jair Messias se tornou presidente do Brasil com amplo apoio dos evangélicos…
Uma pausa aqui: Eu acreditei, acreditei de verdade, q e a maioria dos evangélicos no brasil e no mundo estavam sendo enganados por não terem uma leitura clara sobre o discurso de Jesus, mas saiba você: Eles sabem exatamente o que querem, por que querem e como vão conseguir… Jesus é que está errado, ele se veio para nós, mas deveria ter se manifestados a outros animais, ou para a doceira árabe, ou para filtros de barro, todos estes muito mais dignos da revelação de Cristo que qualquer ser humano que já viveu nessa terra… nesse dia eu vi o cadáver da igreja pela primeira vez… já acompanhava a moribunda há alguns anos… ela se escorava em mim pra caminhar as vezes, eu servia sopa na sua boca outras, mas naquele domingo, eu cheguei para visita-la e me deparei com ela gelada, estática, sem pulso…. ela me deixou ali…
Eu não tinha entendido ai, mas eu tinha me deixado pra sempre, e eu vivi cada uma das fases do luto e comecei a gravar uns áudios de poesias, as quais dei o nome de “pausa Podcast”, talvez alguns de vocês se lembre… e hoje, no dia mais ordinário de todos do ano mais ordinário de todos, vou retomar…
A minha vida mudou tanto de lá pra cá que nem meu nome mais é o mesmo, acho… talvez eu tenha morrido e ressuscitado tantas vezes que até os gatos da vizinhança me olham com inveja.
O meu site morreu, a minha vida virou de cabeça pra baixo, alguns meses depois daquele dia, escrevi o texto que segue aqui e agora leio pra vcs…
Estava revendo as coisas que escrevi por aqui e, tantas delas que deixei de acreditar ou passei a pensar diferente que por um momento a tentação de apaga-las me passou pela mente, mas… Quem seria eu se deixasse oculto o que fui no passado? Claro, houvesse cometido um crime ou coisa semelhante, ofendido alguém com alguma coisa, invariavelmente eu viria a me retratar, mas por aqui, vi uma linha do tempo que apontou um homem jovem que acreditava num determinado formato de fé e religião e que foi pouco a pouco se desmantelando diante de si, como um castelo de cartas (e vos asseguro, amigos e amigas, tentei segurar com todas as forças) e se viu diante do vazio existencial do vácuo no trono vazio de Deus…
Não que eu tenha deixado de ser cristão, veja, não acho que seja necessário acreditar na divindade de Jesus para ser cristão, mas ai é um papo bem mais longo que posso falar noutra oportunidade caso alguém se interesse, voltando
Sozinho no universo imenso da minha imaginação religiosa, cutucando o cadáver de Deus com um graveto de esperança e me desesperando ao constatar que este estava gelado e sem pulso, tive que fazer alguma coisa. Chorei ao lado do falecido pelo período de luto e depois, providenciei um sepultamento digno pra quem tantas vezes esteve ao meu lado e que, certamente, faria o mesmo por mim se estivesse no meu lugar… Enterrado, arrumei as coisas que ele deixou, doei algumas, vendi outras, fiquei com umas fotos dos nossos bons momentos e tive que seguir minha vida.
O luto da morte de Deus passou, estou lidando melhor com a perda de alguém que amei tanto por tanto tempo, novos lutos vieram, e estão passando todos, de coisas que perdi, as quais não amava tanto e nem por tanto tempo e isso acaba me alertando para o fato de que estamos sujeitos a perdas constantes, algumas significativas outras outras nem tanto, algumas que machucam muito por serem frutos de uma traição, outras são consequências do fim de uma vida bem vivida, como no caso de Deus (que ele mesmo o tenha).
E lendo o que escrevi, percebi que eu também morri, se não completamente, um pouquinho por dia, um pouquinho em cada perda que tive, em cada mudança de opinião, em cada traição (que realizei e que sofri), e com sorte, em algum lugar, alguém chorou meu luto, sofreu minha perda, enterrou meu cadáver e conseguiu seguir a vida, doando minhas coisas velhas e guardando apenas as fotos dos bons momentos…
Que Deus nos tenha…
By Cristiano MachadoEm 2018 eu comecei a gravar áudios de poesias… a data escolhida a força foi 28 de outubro daquele ano marcou uma noite de lágrimas, de inicios e fins… eu, ainda era pastor, ou algo equivalente a isso, numa igrejinha, daquelas que ninguém dá importância, aliás, como deveriam ser todas elas, a igreja do armazém…, domingo à noite, um grupo de pessoas, exiladas da fé institucionalizada, choramos todos de tristeza e desespero… se vc não lembra o que houve nesse dia, eu te refresco a memória… Jair Messias se tornou presidente do Brasil com amplo apoio dos evangélicos…
Uma pausa aqui: Eu acreditei, acreditei de verdade, q e a maioria dos evangélicos no brasil e no mundo estavam sendo enganados por não terem uma leitura clara sobre o discurso de Jesus, mas saiba você: Eles sabem exatamente o que querem, por que querem e como vão conseguir… Jesus é que está errado, ele se veio para nós, mas deveria ter se manifestados a outros animais, ou para a doceira árabe, ou para filtros de barro, todos estes muito mais dignos da revelação de Cristo que qualquer ser humano que já viveu nessa terra… nesse dia eu vi o cadáver da igreja pela primeira vez… já acompanhava a moribunda há alguns anos… ela se escorava em mim pra caminhar as vezes, eu servia sopa na sua boca outras, mas naquele domingo, eu cheguei para visita-la e me deparei com ela gelada, estática, sem pulso…. ela me deixou ali…
Eu não tinha entendido ai, mas eu tinha me deixado pra sempre, e eu vivi cada uma das fases do luto e comecei a gravar uns áudios de poesias, as quais dei o nome de “pausa Podcast”, talvez alguns de vocês se lembre… e hoje, no dia mais ordinário de todos do ano mais ordinário de todos, vou retomar…
A minha vida mudou tanto de lá pra cá que nem meu nome mais é o mesmo, acho… talvez eu tenha morrido e ressuscitado tantas vezes que até os gatos da vizinhança me olham com inveja.
O meu site morreu, a minha vida virou de cabeça pra baixo, alguns meses depois daquele dia, escrevi o texto que segue aqui e agora leio pra vcs…
Estava revendo as coisas que escrevi por aqui e, tantas delas que deixei de acreditar ou passei a pensar diferente que por um momento a tentação de apaga-las me passou pela mente, mas… Quem seria eu se deixasse oculto o que fui no passado? Claro, houvesse cometido um crime ou coisa semelhante, ofendido alguém com alguma coisa, invariavelmente eu viria a me retratar, mas por aqui, vi uma linha do tempo que apontou um homem jovem que acreditava num determinado formato de fé e religião e que foi pouco a pouco se desmantelando diante de si, como um castelo de cartas (e vos asseguro, amigos e amigas, tentei segurar com todas as forças) e se viu diante do vazio existencial do vácuo no trono vazio de Deus…
Não que eu tenha deixado de ser cristão, veja, não acho que seja necessário acreditar na divindade de Jesus para ser cristão, mas ai é um papo bem mais longo que posso falar noutra oportunidade caso alguém se interesse, voltando
Sozinho no universo imenso da minha imaginação religiosa, cutucando o cadáver de Deus com um graveto de esperança e me desesperando ao constatar que este estava gelado e sem pulso, tive que fazer alguma coisa. Chorei ao lado do falecido pelo período de luto e depois, providenciei um sepultamento digno pra quem tantas vezes esteve ao meu lado e que, certamente, faria o mesmo por mim se estivesse no meu lugar… Enterrado, arrumei as coisas que ele deixou, doei algumas, vendi outras, fiquei com umas fotos dos nossos bons momentos e tive que seguir minha vida.
O luto da morte de Deus passou, estou lidando melhor com a perda de alguém que amei tanto por tanto tempo, novos lutos vieram, e estão passando todos, de coisas que perdi, as quais não amava tanto e nem por tanto tempo e isso acaba me alertando para o fato de que estamos sujeitos a perdas constantes, algumas significativas outras outras nem tanto, algumas que machucam muito por serem frutos de uma traição, outras são consequências do fim de uma vida bem vivida, como no caso de Deus (que ele mesmo o tenha).
E lendo o que escrevi, percebi que eu também morri, se não completamente, um pouquinho por dia, um pouquinho em cada perda que tive, em cada mudança de opinião, em cada traição (que realizei e que sofri), e com sorte, em algum lugar, alguém chorou meu luto, sofreu minha perda, enterrou meu cadáver e conseguiu seguir a vida, doando minhas coisas velhas e guardando apenas as fotos dos bons momentos…
Que Deus nos tenha…