“quem é o janeiro? sou só um gajo que fazia beats no quarto e agora está aqui”
Algo que quem conhece a sua obra jamais diria.
“O Janeiro é um musicólogo”.
Escritor de canções, compositor, cantor, produtor.
Depois de tirar dois cursos ao mesmo tempo, musicologia e performance no Hot Club (perdoem a minha má compreensão ahahah) e da saída de um EP homónimo em 2015, foi a chamada do Salvador Sobral, com um convite num dia de praia, para como compositor e intérprete ir participar no Festival da canção.
“Porque não tu?” A pergunta gatilho que criou alinhamento entre o trabalho, o contexto e o início da espiral artística e da entrega.
O início do Fragmentos, primeiro LP, em 2018, e o início de um caminho sem qualquer dúvida apesar da dificuldade pela qual todos passamos da escolha de caminhos tão cedo.
Primeiro chegar às pessoas e depois partilhar a sua voz e a produção - a partilha e a abertura com liberdade total.
O diário gráfico e a viagem da criação do Fuga•cidade, a relação com a Dani e a vida em Melides.
O início pop como meio para vincar o nome no panorama e a expressão mais profunda e elaborada com o “Sem-Tempo” e agora o álbum mais recente, que ainda não saiu mas do qual o single “Dispersão” mostra o tom.
O “Sem-Tempo” saído do 24 para o 25 de abril como uma ode à Liberdade e transição.
As palavras e a música.
A Solidão - casamento de emoções antagónicas, o pensamento ou um grito de ajuda dançante e up. Os antagonismos que permitem dizer o que se sente de forma imediata e condensada.
O Ser independente, sem métricas e estatísticas ou repercussões da construção de obras. O compromisso sem compromisso, ser músico livre considerando sempre todas as opções válidas.
O abraçar o todo como grito contrário aos elitismos e expressão minimalista. Menos é mais. A era da técnica está ultrapassada e a era da intenção como foco.
A percepção. Reluzir não é brilhar. O tilintar da luz de quem pode fazer menos mesmo sabendo mais. A humildade e a mestria na concepção artística. A não preocupação na afirmação do que se sabe aliada à experiência e a capacidade de se colocar fora de si e ser-se fiel ao seu sentir mais do que às expectativas.
“Eu quero chegar aqui e ser o melhor é muito diferente de Eu quero chegar aqui e impactar as pessoas.”
A vulnerabilidade e a exposição da fragilidade - um coração e alma abertos a milhares de olhares.
Na confusão e dispersão, como ocupar e criar um espaço só seu através da vulnerabilidade sem que isso seja visto como insegurança. O ser inteiro sem ter de provar, o despir das capas como força total e enorme!
A categorização da experiência artística para além do virtuosismo e o quão contrário à pura criação é esse standardizar da arte?
Não há géneros melhores ou piores, a partilha é lugar para tudo, é expandir.
A exploração, externa e, sobretudo interna para além do tempo. Os privilégios da era moderna que corrompem a natureza do ser humano.
A escolha por si como fragilidade da nossa geração. O quanto somos conduzidos por narrativas e ideias que não são nossas?
O tempo. A saúde mental. O parar para olhar para dentro.
A Dispersão como “vomito”, como manifestação de algo que nunca aconteceu - o expressar completamente natural do pensamento como canalização.
“Tenho tanta coisa para dizer que fico em silêncio” As sincronicidades e os momentos espontâneos.
O espelhar e o partilhar do que se sabe como viver da essência e a música como um veículo e canalização de algo que passa por si e a ser oferecido a quem está cá fora.
O sentir que não se está a trabalhar mas que se está a trabalhar em si. Apesar das dúvidas, a música fala mais alto.
O valor da canção, da palavra e a ressignificação do sentir. Um obrigada gigante pelo tempo partilhado comigo querido Janeiro 🤍 e pelo Ser inteiro e expansivo que és!