Essa semana o LADO BI debate o poder da bichice com duas funkeiras que estão batendo de frente contra a heteronormatividade: MC Linn da Quebrada e Paz. Autora do funk Enviadecer, Linn explica a força de se exaltar a bicha afeminada: Queremos dizer que enviadecer é uma possibilidade sim, e uma possibilidade esplêndida. Nós somos fortes e protegidas quando estamos juntas, porque os donos do sistema ainda são os machos. Paz e Linn apontam que a postura realmente frágil é a do machão, que deseja as bichas escondido (nos desejam, desde que ninguém esteja vendo) e se abala por qualquer coisa: Um simples esmalte numa unha, um batom, um olhar, um sorriso, qualquer traço de sensibilidade colocado num corpo masculino já trinca a masculinidade. Para aqueles que reclamam por serem forçados a terem tesão por bichas, rebatem: Sexo é linguagem, e assim como a gente aprende a falar uma língua, podemos aprender outras. Tendo a oportunidade de se relacionar com outros corpos e de outras formas, nós aprendemos outras linguas sexuais, outros prazeres, outros orgasmos, outros órgãos sexuais. E criticam a representação das bichas na mídia: forma-se um império em que se vê sempre o mesmo tipo de homem ocupando as mesmas posições, e as bichas ocupando sempre os mesmos lugares sociais: a bicha engraçada, ocupando o papel do cômico, um papel sem importância. Ela só estava ali para que os outros rissem dela.