A população LGBT tem direito à memória, a perceber que tem referência cultural. Quem afirma isso é o convidado dessa semana, Felipe Areda, antropólogo, professor da UnB e criador da disciplina Pensamento LGBT Brasileiro. Areda considera que abrir-se esse espaço para os estudos da cultura LGBT brasileira é importante culturalmente e politicamente: a primeira motivação foi política: o direito à memória, o direito ao luto, o direito à percepção de comunidade. A cultura LGBT, afirma, ainda é vista como algo marginal, apesar de influenciar a cultura nacional há décadas: ela não tem permissão de aparecer, mas existe, produz linguagem, produz pensamento. O preconceito, lembra, muitas vezes faz com que agentes culturais LGBT tenham sua identidade heteronormatizada para a posterioridade: não conseguimos ser lembrados sequer pelo que realmente somos. Areda ressalta que é importante destacar o que torna a identidade LGBT brasileira distinta do resto do mundo: a gente nunca vai conseguir produzir conhecimento para competir com os europeus se a gente ficar pensando que é europeu. A gente tem muitas coisas que eles não têm! Sua disciplina acaba por criar uma comunidade LGBT com a qual as pessoas podem se identificar: alunos me contam que, graças ao curso, conseguiram identificar coisas dentro de si mesmos que não sabiam existir. Esse referencial de comunidade cria um espaço de acolhimento.