Lado Bi

#170 - Psicanálise


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Freud, em 1922, disse eu não tolero que excluam homossexuais da formação psicanalítica. Como então, em poucas décadas, a homossexualidade tornou-se tabu entre psicanalistas e tentativas de cura gay tornaram-se comuns? É o que discutem Lucas Charafeddine Bulamah, autor de História de uma regra não escrita: a proscrição da homossexualidade masculina no movimento psicanalítico, e Oswaldo Ferreira Leite Neto, dirigente do serviço de psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Na década de 1970, começaram a surgir as denúncias de discriminação na IPA, explica Bulamah. A psicanálise já estava estabelecida como uma prática homofóbica. Nessa época, quem procurasse um psicanalista acabaria por tentar ser curado. Ainda hoje não é incomum encontrar psicanalistas que demonstram algum tipo de homofobia: Muitos psicanalistas ainda perguntam quem é o homem, quem é o mulher, exemplifica Leite Neto. Ele também aponta a raiz de muitos dos sofrimentos psíquicos de LGBTs: Rejeição é algo muito fundamental, e LGBTs sempre passam por ela, seja no núcleo da família, seja no núcleo escolar, como bullying. Bulamah aponta algumas das estratégias que se desenvolve para compensar essa rejeição: são estratégias de hipercompensação do desejo: 'eu preciso aparecer mais, preciso ter um corpo fabuloso, preciso que todos me desejem', para tentar compensar uma rejeição primária. Os dois alertam para o absurdo de se pregar uma cura gay: se alguém diz que está sofrendo por ser gay, não se pode desvincular esse sofrimento de seu contexto social - sua origem pode vir não de ser homossexual, mas de sua família.
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Lado BiBy Marcio Caparica