Na próxima segunda-feira estreia a novela A força do querer, que entre seus personagens terá um homem trans. Antes de Gloria Perez dominar o imaginário nacional, o LADO BI traz ao estúdio três homens trans para conhecer suas realidades: Miguel Ângelo de Simone, 19 anos, estudante; João Henrique Machado, 25, estudante; Lam Matos, 34, diretor do Ibrat (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades). Matos acredita que a exposição em rede nacional fará com que mais homens trans tenham a coragem de tornarem sua existência pública, e isso vai incomodar muita gente, principalmente quem gosta de dizer que 'homem é homem e mulher é mulher'. Simone torce para que a representação fuja do ideal que tentam impor para os homens trans: querem que sejamos todos gostosos, sarados, com a barriga chapada. Os três sentem que a maneira como são tratados se transformou depois que passaram a serem percebidos como homem: agora eu vou na padaria e me chamam de grande. Eu tenho 1,65m!, repara Simone. Agora eu levo o carro para o mecânico e ele acredita no que eu digo. Antes eu era ignorado porque 'mulher não entende de carro', constata Matos. Por eu ser negro, muitos começaram a me ver como alguém perigoso, a polícia passa bem devagar por mim na rua, lamenta Machado. Sua história de vida lhes dá um ponto de observação único sobre o comportamento masculino (Há muita pressão entre os homens cis para se contar vantagem sobre o que se fez com as mulheres, aponta Machado) e sua fixação com o pênis: as pessoas querem homem ou pinto pra namorar? Porque, se for pinto, na sex shop tem um monte, ironiza Matos.