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Escutar é mais do que ouvir. É uma atitudeinterior de abertura, de atenção e de humildade. Na Igreja sinodal, a escutaé ponto de partida, método e estilo permanente. Ela precede a fala, orientao discernimento e sustenta a comunhão. Sem escuta verdadeira, não hásinodalidade possível.
O Papa Francisco, ao abrir o processosinodal em outubro de 2021, disse com clareza: “A escuta é o primeiro passo,mas requer mente e coração abertos, sem preconceitos”. E acrescentou: “É umaescuta recíproca, na qual cada um tem algo a aprender”. Essas palavras revelamque a escuta, na dinâmica sinodal, é um caminho de conversão comunitária.
A escuta tem fundamento bíblico profundo.Deus é o primeiro a escutar: escutou o clamor do povo no Egito (cf. Ex 3,7),escutou as súplicas dos profetas, escutou o coração de Maria. Jesus escutavacom compaixão os sofredores, os pecadores, os estrangeiros, os fariseus, osdiscípulos. A escuta é sinal do Reino e marca do discipulado.
Na prática eclesial, escutar significa acolhera voz de todos os fiéis, especialmente daqueles que, muitas vezes, não sãoouvidos: os pobres, os jovens, os idosos, as mulheres, os afastados, os quevivem em periferias existenciais. A escuta sinodal é preferencialmente voltadaaos que estão nas “margens”, pois neles o Espírito frequentemente fala com maisliberdade.
Contudo, escutar não é apenas permitir quealguém fale. É acolher com atenção, com empatia, com desejo sincero decompreender. É estar disposto a mudar, a rever posições, a discernir emconjunto. A escuta exige silêncio interior, desprendimento, paciência e amor.Exige também criar espaços concretos de partilha, encontros,assembleias, conselhos, círculos bíblicos, visitas pastorais.
A escuta na Igreja sinodal não é algoepisódico, mas deve ser cultivada como cultura. Uma paróquia sinodal é aquelaem que o padre escuta os leigos, os coordenadores escutam as bases, osconselhos escutam as comunidades, e todos escutam o Espírito. O Papa Bento XVIdizia: “É necessário um novo estilo de vida eclesial, no qual a escuta e odiálogo sejam regras permanentes.”
Além disso, a escuta deve ser discernidae rezada. Nem toda opinião é vontade de Deus, mas toda opinião pode serporta de entrada para o discernimento. A escuta precisa ser levada à oração, aoconselho mútuo, à escuta da Palavra e ao Espírito. Só assim se torna caminhoseguro de comunhão.
Dois gestos concretos podem fortaleceressa atitude. O primeiro é instituir na comunidade momentos regulares de escutacomunitária: rodas de conversa, assembleias, escutas pastorais abertas. Osegundo é incluir nos encontros pastorais um tempo de silêncio e oração apartir do que foi escutado, para que a voz do outro seja assimilada com ocoração.
Escutar é amar.Escutar é abrir espaço para que o outro exista. Escutar é reconhecer que nãosomos donos da verdade, mas servos da Palavra. Uma Igreja que escuta é umaIgreja mais humana, mais espiritual, mais fiel a Jesus, que é o Verbo de Deuse, ao mesmo tempo, o primeiro ouvinte do Pai. Caminhar juntos começa porescutar uns aos outros, e todos ao Espírito. Porque é escutando que aprendemosa caminhar.
By Wagner Assis De SousaEscutar é mais do que ouvir. É uma atitudeinterior de abertura, de atenção e de humildade. Na Igreja sinodal, a escutaé ponto de partida, método e estilo permanente. Ela precede a fala, orientao discernimento e sustenta a comunhão. Sem escuta verdadeira, não hásinodalidade possível.
O Papa Francisco, ao abrir o processosinodal em outubro de 2021, disse com clareza: “A escuta é o primeiro passo,mas requer mente e coração abertos, sem preconceitos”. E acrescentou: “É umaescuta recíproca, na qual cada um tem algo a aprender”. Essas palavras revelamque a escuta, na dinâmica sinodal, é um caminho de conversão comunitária.
A escuta tem fundamento bíblico profundo.Deus é o primeiro a escutar: escutou o clamor do povo no Egito (cf. Ex 3,7),escutou as súplicas dos profetas, escutou o coração de Maria. Jesus escutavacom compaixão os sofredores, os pecadores, os estrangeiros, os fariseus, osdiscípulos. A escuta é sinal do Reino e marca do discipulado.
Na prática eclesial, escutar significa acolhera voz de todos os fiéis, especialmente daqueles que, muitas vezes, não sãoouvidos: os pobres, os jovens, os idosos, as mulheres, os afastados, os quevivem em periferias existenciais. A escuta sinodal é preferencialmente voltadaaos que estão nas “margens”, pois neles o Espírito frequentemente fala com maisliberdade.
Contudo, escutar não é apenas permitir quealguém fale. É acolher com atenção, com empatia, com desejo sincero decompreender. É estar disposto a mudar, a rever posições, a discernir emconjunto. A escuta exige silêncio interior, desprendimento, paciência e amor.Exige também criar espaços concretos de partilha, encontros,assembleias, conselhos, círculos bíblicos, visitas pastorais.
A escuta na Igreja sinodal não é algoepisódico, mas deve ser cultivada como cultura. Uma paróquia sinodal é aquelaem que o padre escuta os leigos, os coordenadores escutam as bases, osconselhos escutam as comunidades, e todos escutam o Espírito. O Papa Bento XVIdizia: “É necessário um novo estilo de vida eclesial, no qual a escuta e odiálogo sejam regras permanentes.”
Além disso, a escuta deve ser discernidae rezada. Nem toda opinião é vontade de Deus, mas toda opinião pode serporta de entrada para o discernimento. A escuta precisa ser levada à oração, aoconselho mútuo, à escuta da Palavra e ao Espírito. Só assim se torna caminhoseguro de comunhão.
Dois gestos concretos podem fortaleceressa atitude. O primeiro é instituir na comunidade momentos regulares de escutacomunitária: rodas de conversa, assembleias, escutas pastorais abertas. Osegundo é incluir nos encontros pastorais um tempo de silêncio e oração apartir do que foi escutado, para que a voz do outro seja assimilada com ocoração.
Escutar é amar.Escutar é abrir espaço para que o outro exista. Escutar é reconhecer que nãosomos donos da verdade, mas servos da Palavra. Uma Igreja que escuta é umaIgreja mais humana, mais espiritual, mais fiel a Jesus, que é o Verbo de Deuse, ao mesmo tempo, o primeiro ouvinte do Pai. Caminhar juntos começa porescutar uns aos outros, e todos ao Espírito. Porque é escutando que aprendemosa caminhar.

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