A PARÁBOLA DAS ovelhas e dos bodes (Mt 25:31-46) concentra a atenção nos famintos, sedentos, nus, doentes e presos. Fala muito para nós em uma cultura onde os pobres, os miseráveis e os desafortunados podem ser facilmente ignorados ou deixados de lado para a periferia de nossa visão. Aqui Jesus, o Filho do Homem e Rei, declara: "Em verdade vos digo que tudo o que fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (25:40; cf. v 45). Isso não significa que, de alguma forma, quando servimos aos miseráveis, servimos a Cristo? Isso não se torna então uma marca distintiva – talvez até a marca distintiva – dos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo?
Isso, pelo menos, é como essa parábola é geralmente interpretada. Em um nível, sou relutante em desafiá-lo, porque é sempre importante para aqueles que conhecem e seguem o Deus vivo mostrar sua vida em Deus nas esferas da compaixão, serviço e abnegação. Certamente em outros lugares a Bíblia tem muito a dizer sobre cuidar dos pobres.
Mas é bastante improvável que esse seja o foco desta parábola. Outra corrente antiga de interpretação tem muito mais plausibilidade. Dois elementos no texto esclarecem as questões. Primeiro, Jesus insiste que o que foi feito pelas "ovelhas", ou não feito pelos "bodes", foi feito "por um dos meus irmãos mais pequeninos" (25:40; cf. v 45). Há evidências contundentes de que essa expressão não se refere a todos que estão sofrendo, mas aos seguidores de Jesus que estão sofrendo. A ênfase não está na compaixão genérica (tão importante quanto em outros lugares), mas em quem demonstrou compaixão pelos seguidores de Jesus que estão com fome, com sede, despidos, doentes ou presos.
Em segundo lugar, tanto as ovelhas como os bodes (25:37, 41, 44) ficam surpresos quando Jesus pronuncia seu veredicto sobre a maneira como trataram "o menor destes meus irmãos". Se Jesus está se referindo à compaixão de um tipo genérico, é difícil ver como alguém ficaria tão surpreso. O ponto é que é a identificação de Jesus com essas pessoas que foram (ou não) ajudadas que é crítica – e essa é uma característica constante da religião bíblica. Por exemplo, quando Saulo (Paulo) persegue os cristãos, ele está perseguindo Jesus (Atos 9:4). Os verdadeiros seguidores de Jesus farão de tudo para ajudar outros seguidores de Jesus, inclusive os mais fracos e desprezados deles; outros não terão nenhuma inclinação especial nesse sentido. Isso é o que separa ovelhas e cabras (25:32-33).
Então, como você trata os outros cristãos, mesmo o menor dos irmãos de Jesus?
Voz: Pr. Paulo Castelan.
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