APARENTEMENTE ALGUNS CRISTÃOS em Corinto, seguros em seu conhecimento de que ídolos nada são, e que toda carne foi criada pelo único Deus verdadeiro para que seja boa de comer, mesmo que tenha sido oferecida a um ídolo, sentem uma liberdade maravilhosa para comer o que quiserem. Outros, convertidos talvez de uma vida ligada à superstição pagã, detectam o demônio no ídolo e pensam que não é seguro comer o alimento que lhes foi oferecido (1CO 8). O impulso do argumento de Paulo é bastante claro. Aqueles que tem uma consciência robusta nessas questões devem estar dispostos a abrir mão de seus direitos para não prejudicar outros irmãos e irmãs em Cristo. No entanto, podemos ver a aplicação de alguns pontos: (1) A questão diz respeito a algo que não é intrinsecamente errado. Não se poderia imaginar o apóstolo sugerindo que alguns cristãos acham que o adultério está certo, enquanto outros têm escrúpulos sobre isso, e os primeiros talvez devessem abrir mão de sua liberdade para não ofender os segundos. Nesse caso, nunca há qualquer desculpa para a ação; a ação é proibida. Portanto, os princípios de Paulo aqui se aplicam apenas a ações que são em si moralmente indiferentes. (2) Paulo assume que é errado ir contra a consciência, pois então a consciência pode ser prejudicada (8:12). Uma consciência endurecida em uma área, por um assunto indiferente, pode se tornar dura em outra área - algo mais crucial. Idealmente, é claro, a consciência deveria se tornar mais perfeitamente alinhada com o que Deus diz nas Escrituras, de forma que em questões indiferentes ela deixasse o indivíduo livre. A consciência pode ser instruída e moldada pela verdade. Mas até que a consciência seja reformada pelas Escrituras, é melhor não infringi-la. (3) O irmão "fraco" neste capítulo (8: 7-13) é aquele com uma consciência "fraca"; isto é, aquele que pensa que alguma ação é errada, embora não haja nada intrinsecamente errado nela. Assim, o irmão "fraco" está mais sujeito a regras do que o irmão "forte". Ambos vão adotar as regras que tocam as coisas realmente erradas, enquanto o irmão fraco adiciona regras para coisas que não são realmente erradas, mas que naquele ponto são erradas para ele, uma vez que ele pensa que são erradas. (4) Paulo coloca o ônus principal da responsabilidade sobre os "fortes" para restringir suas próprias liberdades pelo bem dos outros. Em outras palavras, nunca é uma pergunta suficiente para o cristão perguntar: "O que estou autorizado a fazer? Quais são os meus direitos?" Os cristãos servem a um Senhor que certamente não manteve seus direitos quando foi para a cruz. Após a abnegação de Jesus, eles também perguntarão: "De quais direitos devo abrir mão por causa dos outros?" ---- Créditos: devocional: For The Love of God. D A Carson. TGC. Voz: Pr. PAULO CASTELAN. SBTB. ACF.