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O Concílio Vaticano II foi um marcodecisivo para a recuperação da dimensão sinodal da Igreja. Realizado entre 1962e 1965, sob a inspiração do Espírito Santo, ele representou um novoPentecostes, abrindo janelas para que a Igreja respirasse com mais liberdade,profundidade e fidelidade ao Evangelho. Entre os muitos frutos do Concílio,destaca-se a redescoberta da Igreja como Povo de Deus, vocacionado à comunhão,à participação e à missão.
Antes do Concílio, a imagem dominante eraa de uma Igreja hierárquica, onde os fiéis leigos ocupavam um lugar maispassivo. O Vaticano II rompe com essa visão ao afirmar: “A todos os fiéis foiconferida a dignidade dos filhos de Deus e todos têm igual dignidade quanto àfé, pelo batismo” (cf. Lumen Gentium, 32). Assim, o fundamento dasinodalidade já está lançado: todos os batizados são corresponsáveis pela vidae missão da Igreja.
A Constituição Dogmática Lumen Gentiumé, nesse sentido, um documento central. Nela, a Igreja é apresentada como “Povode Deus em caminho” (cf. LG 9), onde todos são chamados à santidade e àparticipação ativa. A hierarquia continua a ter seu papel, mas sempre em chavede serviço. Os bispos, por exemplo, são vistos em colegialidade com o Papa, enão como meros representantes locais de uma autoridade centralizada.
Outro texto importante é a ConstituiçãoPastoral Gaudium et Spes, que abre a Igreja ao diálogo com o mundomoderno, escutando as alegrias e esperanças, as dores e angústias dahumanidade. Isso ressoa profundamente com a atitude sinodal: escutar arealidade, discernir os sinais dos tempos, caminhar ao lado da humanidade. Aescuta do povo de Deus e da história se torna, assim, uma dimensão teológica epastoral inseparável da missão da Igreja.
O Papa Francisco costuma afirmar que oVaticano II ainda está em processo de recepção. Em seu magistério, ele retomacom vigor a eclesiologia do Concílio, afirmando que “a sinodalidade é aconcretização mais evidente da Igreja do Concílio Vaticano II” (Discurso,17/10/2015). Ou seja, a Igreja sinodal é a Igreja do Concílio levada à prática.Por isso, viver a sinodalidade hoje é dar continuidade à reforma iniciada peloConcílio.
Na prática, o Vaticano II inspirou acriação dos conselhos pastorais, o fortalecimento da vida leiga, o uso daslínguas vernáculas na liturgia, a promoção do ecumenismo e o diálogointer-religioso — todos sinais concretos de uma Igreja mais participativa epróxima do povo. No entanto, muitos desses processos ainda estão em construção.Em muitas comunidades, o estilo sinodal ainda não se enraizou plenamente.
Viver o caminho sinodal do ConcílioVaticano II exige um novo impulso. Significa revisar estruturas que impedem aparticipação, capacitar os fiéis para o discernimento comunitário, dar voz àsdiferentes vocações e carismas. É necessário retomar os textos conciliares comespírito orante e missionário, deixando-se provocar por sua beleza e ousadia.
Duas ações práticas podem ser tomadasnesse sentido. A primeira é organizar uma formação contínua sobre os documentosdo Concílio, especialmente Lumen Gentium, Gaudium et Spes, SacrosanctumConcilium e Apostolicam Actuositatem, ajudando os agentes pastoraisa compreenderem o espírito conciliar. A segunda é usar os princípiosconciliares como critérios de avaliação da vida paroquial: há comunhão? Háparticipação? Há escuta e discernimento conjunto?
O Concílio VaticanoII não passou. Ele está vivo. O seu espírito continua a nos interpelar econduzir. Ser uma Igreja sinodal hoje é dar passos corajosos na realização dosonho conciliar: uma Igreja que caminha com todos, escuta com humildade e servecom alegria, iluminada pela Palavra e guiada pelo Espírito.
By Wagner Assis De SousaO Concílio Vaticano II foi um marcodecisivo para a recuperação da dimensão sinodal da Igreja. Realizado entre 1962e 1965, sob a inspiração do Espírito Santo, ele representou um novoPentecostes, abrindo janelas para que a Igreja respirasse com mais liberdade,profundidade e fidelidade ao Evangelho. Entre os muitos frutos do Concílio,destaca-se a redescoberta da Igreja como Povo de Deus, vocacionado à comunhão,à participação e à missão.
Antes do Concílio, a imagem dominante eraa de uma Igreja hierárquica, onde os fiéis leigos ocupavam um lugar maispassivo. O Vaticano II rompe com essa visão ao afirmar: “A todos os fiéis foiconferida a dignidade dos filhos de Deus e todos têm igual dignidade quanto àfé, pelo batismo” (cf. Lumen Gentium, 32). Assim, o fundamento dasinodalidade já está lançado: todos os batizados são corresponsáveis pela vidae missão da Igreja.
A Constituição Dogmática Lumen Gentiumé, nesse sentido, um documento central. Nela, a Igreja é apresentada como “Povode Deus em caminho” (cf. LG 9), onde todos são chamados à santidade e àparticipação ativa. A hierarquia continua a ter seu papel, mas sempre em chavede serviço. Os bispos, por exemplo, são vistos em colegialidade com o Papa, enão como meros representantes locais de uma autoridade centralizada.
Outro texto importante é a ConstituiçãoPastoral Gaudium et Spes, que abre a Igreja ao diálogo com o mundomoderno, escutando as alegrias e esperanças, as dores e angústias dahumanidade. Isso ressoa profundamente com a atitude sinodal: escutar arealidade, discernir os sinais dos tempos, caminhar ao lado da humanidade. Aescuta do povo de Deus e da história se torna, assim, uma dimensão teológica epastoral inseparável da missão da Igreja.
O Papa Francisco costuma afirmar que oVaticano II ainda está em processo de recepção. Em seu magistério, ele retomacom vigor a eclesiologia do Concílio, afirmando que “a sinodalidade é aconcretização mais evidente da Igreja do Concílio Vaticano II” (Discurso,17/10/2015). Ou seja, a Igreja sinodal é a Igreja do Concílio levada à prática.Por isso, viver a sinodalidade hoje é dar continuidade à reforma iniciada peloConcílio.
Na prática, o Vaticano II inspirou acriação dos conselhos pastorais, o fortalecimento da vida leiga, o uso daslínguas vernáculas na liturgia, a promoção do ecumenismo e o diálogointer-religioso — todos sinais concretos de uma Igreja mais participativa epróxima do povo. No entanto, muitos desses processos ainda estão em construção.Em muitas comunidades, o estilo sinodal ainda não se enraizou plenamente.
Viver o caminho sinodal do ConcílioVaticano II exige um novo impulso. Significa revisar estruturas que impedem aparticipação, capacitar os fiéis para o discernimento comunitário, dar voz àsdiferentes vocações e carismas. É necessário retomar os textos conciliares comespírito orante e missionário, deixando-se provocar por sua beleza e ousadia.
Duas ações práticas podem ser tomadasnesse sentido. A primeira é organizar uma formação contínua sobre os documentosdo Concílio, especialmente Lumen Gentium, Gaudium et Spes, SacrosanctumConcilium e Apostolicam Actuositatem, ajudando os agentes pastoraisa compreenderem o espírito conciliar. A segunda é usar os princípiosconciliares como critérios de avaliação da vida paroquial: há comunhão? Háparticipação? Há escuta e discernimento conjunto?
O Concílio VaticanoII não passou. Ele está vivo. O seu espírito continua a nos interpelar econduzir. Ser uma Igreja sinodal hoje é dar passos corajosos na realização dosonho conciliar: uma Igreja que caminha com todos, escuta com humildade e servecom alegria, iluminada pela Palavra e guiada pelo Espírito.

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