Podcast da Mariologia

#88 Podcast da Mariologia - A Efusão do Espírito em Maria


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Efusão no Espírito em Maria



Quando o Espírito Santo veio, preservou os seus da concepção do pecado de origem não na consciência mas nas profundezas do ser. Pela primeira vez desde a criação de Adão, uma verdadeira face do homem reapareceu na terra. Porque o verdadeiro homem, no desígnio originário de Deus é ao mesmo tempo corpo e alma, a quem Deus comunica o seu Espírito divino para coroar a perfeição. Escreve Santo Irineu, representando o mais antigo pensamento cristão: «O homem perfeito é a mistura e união da alma que recebeu o Espírito do Pai e que se misturou com a carne modelada à imagem de Deus. O Espírito, mesclando-se com a alma, uniu-se à obra modelada, e na graça desta efusão do Espírito se encontra o homem espiritual e perfeito, o mesmo que foi feito à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26). Mas quando o Espírito faltar na alma, tal homem, permanecendo psíquico e carnal, será imperfeito, tendo de fato a imagem de Deus em seu ser humano, mas não tendo recebido sua semelhança pelo Espírito» (Contra as Heresias, V,6.1). 

Em Maria pela primeira vez, portanto, a graça se uniu com a natureza, o Espírito Santo comunicou-se desde o início a uma carne humana e imprimiu nela a aparência divina, aquela que por graça de adoção já era filha de Deus. Os  Santos Padres estabeleceram o costume de chamar à Mãe de Deus a “toda santa” e imune de toda mancha de pecado, quase moldada pelo Espírito Santo que fez dela uma nova criatura. Adornada desde o primeiro momento de sua concepção pelos esplendores duma santidade totalmente singular.

Mas a presença do Espírito em nós, se escondeu quase em segundo plano por trás da autodeterminação do nosso livre arbítrio, ao mesmo tempo em que inspira os propósitos e resoluções, ao mesmo tempo que sustenta as decisões. O seu caminho no Espírito de Maria foi plenamente responsável: um processo de crescimento incessante, nas trevas da fé, no crescimento da esperança, no compromisso do amor, no conhecimento profundo do Senhor.

Como planta frutífera, afundou as suas raízes nas correntes do Espírito e da Palavra de Deus, absorvendo a sua linfa vital. Porque ela era despojada: ​​daquele despojamento abençoado que se transforma em super abundância de dons celestiais e liberdade interior: pobre no Espírito!



«Todos vós, que estais sedentos, 

vinde à nascente das águas; 

vinde comer, vós que não tendes alimento. 

Prestai-me atenção, e vinde a mim; 

escutai, e vossa alma viverá»

(Is 55,1.3)


No interior da sua alma, sentia que não tinha nada de próprio em que se apoiar, mas tudo esperava de Deus, que enche de bens os famintos e eleva os humildes ao abraço do seu coração: «olhou para a humildade de sua serva» (Lc 1,48).

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