Nesta semana, o Lado Bi pergunta: ravestis envelhecem? A frase dá título ao livro do pesquisador Pedro Sammarco que conta a história de várias travestis que hoje estão com mais de 60 anos, contrariando as estatísticas de violência contra essa população. No estúdio, Lili Vargas, 64, e Taís Azevedo, 65, falam dos horrores que sofreram na ditadura militar. Eu fui tão estuprada que me acostumei. Me acostumei no sentido de ‘ai, vai, acaba logo’, conta Taís que relata ainda que, no Rio de Janeiro, durante o regime militar, policiais e torturadores levavam gays e travestis para o morro da Urca, batiam, estupravam e depois os arremessavam de lá. Eu sobrevivi porque me agarrei a uma árvore... O pior de tudo é você voltar de lá machucada, desnorteada e saber que seus dois amigos ficaram lá... Já Lili fala que a solidariedade entre as travestis ajudava a sobreviver. Os policiais de São Paulo não eram tão cruéis quanto os do Rio. Eles pediam 50 cruzeiros para cada uma não ser presa. A gente juntava dinheiro suficiente para todas, assim ninguém ficava presa.