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A FLOR E A NÁUSEA
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Olhos sujos no relógio da torre:
O tempo pobre, o poeta pobre
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Sua cor não se percebe.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
Carlos Drummond de Andrade
By Uenes VilaçaA FLOR E A NÁUSEA
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Olhos sujos no relógio da torre:
O tempo pobre, o poeta pobre
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Sua cor não se percebe.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
Carlos Drummond de Andrade