22 Anos de Aliança: Um Só Corpo, Muitos Membros, Um Só Propósito
O apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, utiliza a metáfora do corpo para explicar uma verdade profunda sobre a vida cristã: a unidade não elimina a diversidade, e a diversidade não anula a unidade. Em 1 Coríntios 12, ele afirma que o corpo é um só, embora composto de muitos membros, e que cada parte possui valor, função e importância. Essa verdade espiritual encontra plena aplicação na realidade do casamento, especialmente ao celebrarmos 22 anos de aliança diante de Deus.
O casamento, assim como o corpo de Cristo, não é a união de iguais em função, mas de complementares em propósito. Quando duas pessoas se unem, não deixam de ser quem são, mas passam a fazer parte de algo maior. Assim como o pé não pode negar sua identidade por não ser mão, e o olho não pode desprezar a mão por não ser como ele, no casamento aprendemos que diferenças não são defeitos, mas instrumentos da graça divina para edificação mútua.
Ao longo de 22 anos, compreendemos que Deus é quem “coloca os membros no corpo, cada um deles como quis” (v.18). Isso significa que não foi o acaso, nem apenas o sentimento, mas a soberania de Deus que nos uniu. Cada temperamento, cada habilidade, cada limitação foi cuidadosamente permitida por Ele para que o relacionamento fosse fortalecido, amadurecido e aperfeiçoado no amor. O que muitas vezes parece fraqueza é, na verdade, necessidade; o que parece menos honroso recebe honra especial, para que não haja divisão.
Paulo ensina que no corpo não deve haver independência orgulhosa nem dependência doentia, mas interdependência saudável. No casamento, isso se traduz em cuidado mútuo, empatia e compromisso. “Se um membro padece, todos padecem com ele” (v.26). Quantas lutas foram enfrentadas juntos? Quantas dores foram repartidas para que se tornassem mais leves? Da mesma forma, cada vitória, cada conquista e cada alegria foi celebrada como triunfo comum, pois um casamento firmado em Deus aprende a sofrer junto e a se alegrar junto.
Após 22 anos, fica evidente que o casamento não se sustenta apenas por emoções, mas por decisão, serviço e amor sacrificial. Assim como no corpo de Cristo há diferentes dons, no casamento há diferentes formas de amar, servir e cuidar. Em alguns momentos, um ensina; em outros, aprende. Em alguns, um sustenta; em outros, é sustentado. E tudo isso coopera para a unidade.
Paulo encerra o capítulo apontando para “um caminho sobremodo excelente” (v.31), preparando o terreno para o capítulo 13, o amor. Esse é o fundamento que manteve essa aliança viva por 22 anos: o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Um amor que não busca seus próprios interesses, mas o bem do outro e a glória de Deus.
Celebrar 22 anos de casamento é declarar que continuamos sendo um só corpo, com muitos desafios, aprendizados e graças, mas com um único propósito: glorificar a Deus através da nossa união. Assim como o corpo de Cristo permanece firme quando cada membro cumpre sua função, o casamento permanece sólido quando ambos entendem que não caminham sozinhos, mas juntos — unidos por Deus, sustentados pelo Espírito e guiados pelo amor.
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