O café estava demorando e por isso ficou difícil não descansar o olhar em você.
Sua atenção ao celular, a baguete por cima da pasta, o desalinho de roupas cansadas de um dia de trabalho.
Mas achou, e acredito, chamou quem procurava. E como seu rosto se iluminou. Puxou um pedaço do pão e o levou à boca deixando uma migalha esquecida na barba.
Imaginei que seria uma namorada, talvez recente na sua vida. Como saber? Continuou falando por mais um pequeno tempo e seus olhos me viram. Nem tentei disfarçar e recebi um sorriso acompanhado de uma oferta daquela baguete despedaçada.
Voltei minha atenção para o café atrasado e antes mesmo de pagar a conta, sua pessoa chegou tão feliz como a imaginara. Seguiram abraçados e lamentei ter perdido aquele momento...
Retomando meu caminho entendi que momentos genuínos assim, não devem ser capturados, pois são únicos e pertencem aos apaixonados!