Tempo de leitura: 14min“Renascer é sentir o que nunca foi vivido.” - Bruninho FéNa semana retrasada, tive uma experiência única... interessante... e que, sem dúvidas, trouxe muitas reflexões para a minha vida. Reflexões estas que aconteceram naquele exato momento e outras tantas que certamente ainda virão.A história que contarei hoje aconteceu comigo de verdade, não é de nenhum filme de ficção, e o meu cenário foi o Jalapão.Fui fazer uma palestra em Palmas, linda cidade de Tocantins, e me lembrei de algo que haviam me falado há muito tempo: “Rafa, quando você voltar para Palmas, vá para o Jalapão. É um lugar especial, lindo!” Se você não conhece o Parque Estadual do Jalapão, trata-se de uma reserva ecológica que fica pertinho de Palmas, há mais ou menos uns 250/300km de lá. Mas já te adianto que não é muito fácil de chegar no Jalapão... Contudo, se você quiser ver lindas cachoeiras, mares maravilhosos, fervedouros, você precisa visitar este lugar. E precisa ter paciência, porque a estrada não é fácil. Acho que levamos, minha mulher Patricia e eu, entre 1h ou 1h20 para percorrermos 30km, ou seja, a estrada não está nada boa.Bom, depois de horas e mais horas, chegamos até a pequena cidade de Mateiros, sentindo-nos aptos para desbravar o Parque Estadual do Jalapão, as dunas e outras tantas coisas. Não é uma maravilha? Estávamos no primeiro dia de passeio, fomos até um rafting que eu tinha muita vontade de conhecer, desci aquelas cachoeiras e aquele rio lindos demais, conheci a Cachoeira da Velha... Uma maravilha!Depois disso tudo, o guia que nos acompanhava perguntou-nos: “Vocês não querem dar uma paradinha em um rio para dar uma recarregada nas energias? Porque depois vamos ver as dunas...”Opa! Estava minha mulher, o guia e eu apenas... Por quê não? O guia deixou a gente, então, num trechinho do Rio Novo, voltou para o jipe e ficamos curtindo por mais ou menos 15 ou 20min neste rio. A vida estava simplesmente perfeita! Eu, em pleno sábado, podendo curtir um lugar maravilhoso daqueles.Foi então que uma coisa inesperada aconteceu... Desde os meus 6 anos de idade, ou seja, há 30 anos, eu nado, não tenho medo de rio, não tenho medo de mar, sempre soube me virar muito bem na água. Por isso, falei para a minha mulher: “Vou dar umas nadadas e já volto”. A cachoeira estava distante da gente cerca de 15 ou 20m. Estávamos numa “prainha”, digamos assim, com um rio super lentinho, sem barulho, praticamente sem nada... uma banheira! Ficamos por um tempo ali naquela beirinha de rio batendo papo, eu e minha mulher, até que resolvi nadar um pouco. Imaginei que fosse dar umas 8 ou 10 braçadas até chegar num local que eu consideraria quase perigoso, onde permaneceria, pois obviamente não iria me arriscar além disso. Restariam apenas 7m de distância da queda da cachoeira.Porém, eu estava enganado... Dei uma braçada e já na segunda comecei a sentir uma correnteza que vinha por baixo. Interessante que acima do rio você não via essa correnteza, mas, por baixo, ela já começou a me puxar. Tentei dar outra braçada em direção à minha mulher, que me esperava, e não consegui. A correnteza me puxou mais ainda.A partir deste momento, eu perdi completamente o controle; nunca tinha me visto numa situação dessas!! Comecei a me debater e a nadar, nadar contra a correnteza... Simplesmente impossível!! Ela começou a me jogar cada vez mais para a cachoeira e, em 3 ou 4 segundos, eu já me via mais perto da queda do que do lugar onde a minha mulher estava.Comecei a gritar “Patricia, Patricia, socorro!!”, completamente perdido! Naquele momento, eu estava certo de que estava há alguns segundos da minha morte... Não sei se foi uma obra divina, não sei se foi o acaso, se foi sorte ou o que aconteceu, mas sei que bati meu pé em uma pedra e percebi que ali daria pé pra mim. Tentei segurar nela, mas não consegui porque a correnteza levou-me ainda mais. Coloquei a mão para apalpar e achei uma espécie de ponta de pedra. Eu devia estar a mais ou menos uns 3 ou 4m do chão;...