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BalCast #47 – Entrevista com César Melo


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Hoje estou aqui com o cara que é o ‘’Top das galáxias’’, o tradutor mais espetacular do universo... César Melo! Cara, que felicidade ter aqui, neste BalCast, a sua pessoa que veio fazer mais um trabalho, né?Amanhã começam três dias de trabalho e eu consegui te raptar aqui.Vou falar uns quinze segundos só, porque eu gosto tanto desse cara aqui e quero que ele conte mais da história dele.O César trabalha como intérprete e tradutor, que são duas coisas diferentes, e... Em quantos idiomas?CM: Quatro idiomas. Inglês; Português; Espanhol e Italiano.RB: Com certeza, pelo o que fiquei sabendo, quando você era pequenininho já viajava para o mundo inteiro, né? Com dez anos, com uma família rica...CM: Quem me dera... Filho de diplomata, né?RB: Hoje, o César Melo é o cara mais requisitado que eu conheço no meio que eu estou inserido, que é nos Congressos de Hipnose para traduzir. Já traduziu dezenas. Não sei quantos você já traduziu.Cara... Já traduziu muita gente.CM: Sim.RB: E, uma coisa legal, todo mundo que trabalha com o César, não sei se foi coincidência mas acho que não, todos os eventos que eu estive, no final eles param para te homenagear. Isso é muito legal! Porque, teoricamente, o intérprete é uma pessoa que deveria estar invisível. Não é?CM: Sim.RB: Porque o palestrante fala , você traduz e quem está lá esperando a palestra, está ouvindo como se fosse um Google automático. Então, teoricamente, você fica em uma ‘’cabaninha’’ invisível.CM: Em uma cabine.RB: Uma cabine, não em uma cabana.CM: Uma cabana seria legal.RB: Nunca traduziu índio?CM: Já interpretei índio...RB: Só que não. Eles não te deixam invisível. Eles querem te saudar, inserir-te. Dá para ver o quanto você é querido e também como o seu trabalho é especial, porque não é simplesmente uma tradução do tipo, eles falam , esperam um pouquinho e você traduz. Não é assim. É uma tradução simultânea. Eles estão falando em inglês, italiano, javanês e você está traduzindo português.Pelo o que eu vi, é um trabalho extremamente estafante, porque você não para.CM: Eu diria, Baltresca, que é mais do que estafante, acho que é desafiador. Porque se você para e pensa no meu trabalho como estafante, ele torna-se. Agora, quando você olha para ele e vê desafiador, ele também torna-se desafiador. Eu sempre digo que há um desafio maior. Imagine, por exemplo, eu vou interpretar o Rafael Baltresca, que tem quase ou mais de vinte anos com hipnose.RB: Não. Dez!CM: Meia década! Uma década de hipnose, né?Então, eu tenho que pegar a informação que está na cabeça do Rafael Baltresca, dos seus dez anos de hipnose, não sei quantos shows e, enfim, tudo que você já fez e, transferir isso para a cabeça do nosso amigo Lucas, que é um cara que entende e conhece de hipnose, porém ele não é um especialista no assunto, mas ele conhece muito do assunto também. Muitas vezes, o Lucas é um especialista. E o Baltresca é um especialista, mais especialista do que o Lucas, só que o Lucas precisa aprender com o Baltresca. Então, eu tenho que pegar o conhecimento que está na cabeça do Baltresca e transferir para a cabeça do Lucas, sem qualquer tipo de intervenção. Eu sou apenas um fio condutor, eu não sou filtro. Só que em várias áreas, por exemplo, quando eu trabalho com governos; empresas que dão curso de tecnologia e essas coisas, eu tenho que manter uma postura muito mais... Como posso dizer? Sem qualquer tipo de intervenção no processo. Eu sou muito neutro.RB: É um condutor mesmo.CM: É o fio condutor. Com a hipnose, porque tem muita linguagem não verbal inserida nela. Tem muitas coisas, por exemplo, para quem está ouvindo, o tom de voz faz diferença. Se o palestrante está falando: ‘’Então, neste exato momento você vai fechar os olhos’’. No momento que ele mudou o tom de voz, o intérprete segue na mesma linha de tom de voz que ele estava antes e, ele não traz essas nuanças para interpretação, ela se perde. E, você sabe muito bem que na hipnose, a fala é o único elemento, né?
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