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Introdução
O autor do último livro da Bíblia apresenta-se a si mesmo desta maneira: «Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições, no reino de Deus e na perseverança por Jesus» (1,9). A tradição é mais ou menos unânime em afirmar que se trata de João, irmão de Tiago, filho de Zebedeu, um dos doze apóstolos. Encontra-se na ilha de Patmos, uma das ilhas do mar Egeu, exilado por ter «proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus» (1,9), isto é, por causa da perseguição contra os cristãos, e narra aquilo que viu depois de ter sido arrebatado pelo Espírito Santo (1,10). A primeira grande perseguição ocorreu em 64, desencadeada por Nero, pelo que o livro teria sido escrito depois do ano 90. O autor dirige o Apocalipse às sete igrejas da Ásia Menor, que corresponde à atual Turquia.
Apocalipse significa revelação e revelação é o ato de retirar o véu. O autor deseja pôr a descoberto o plano de Deus neste ambiente histórico de perseguição e de desconcerto. As igrejas cristãs não entendiam semelhante flagelo e, por isso, perguntavam-se: «Até quando Senhor?» (6,10). O Apocalipse responde que o tempo da libertação «há de acontecer em breve» (1,3). Deus vai mudar a situação, pois só Ele, e não o imperador, é que é o senhor da história (17,14; 19,16). O autor apresenta esta mensagem em forma de apocalipse, que é uma maneira muito própria de anunciar a boa nova em épocas de perseguição. A finalidade do Apocalipse, como género literário, não é incutir medo, mas confrontar os cristãos perseguidos e inseguros na sua fé, e estimular a confiança em Deus, na vitória final do Cordeiro e seus fiéis contra os seus inimigos. Os escritos apocalípticos são autênticos manifestos de guerra divina (juízo final de Deus) contra esses inimigos.
O centro do Apocalipse é a figura de Jesus Cristo. Ele é o Cordeiro (5; 14,1), cujo sangue opera a libertação do povo, o Filho do Homem (14,14) que se opõe ao império romano descrito como besta com aparência de cordeiro (13,11). Contra Jesus e seus seguidores está Roma, chamada Babilónia (14,8; 8,2), que explora os povos (18,3.9–13), que tem sete cabeças (12,3), que são as sete colinas em que está construída. Roma está feita com o dragão (12,3.9) que é o poder do mal ou Satanás. Tem dez chifres (12,3) que indicam a totalidade do poder, mas que governará apenas durante 1260 dias (12,6), 42 meses (11,2), tempo, tempos, meio tempo (12,14), a metade de sete anos, e indica, por isso, um tempo limitado e imperfeito. No fim vencerá o Cordeiro na batalha de Harmaguédon (16,16), cujo nome é retirado de Zacarias 12,11. Esta vitória final é concebida como uma procissão litúrgica em que o Cordeiro é acompanhado por todos os seus fiéis simbolizados pelo grupo dos 144 000 escolhidos, que hão de constituir as núpcias do Cordeiro (21,12), isto é, a vitória final da união dos crentes com Deus.
O plano do livro assenta no número sete, por significar plenitude, a vitória e o tempo definitivo de Deus:
— Introdução: 1,1–8.
— 1.º Septenário – Cartas: 1,9—4,11.
— 2.º Septenário – Selos: 5,1—8,1.
— 3.º Septenário – Trombetas: 8,2—11,9.
— 4.º Septenário – Sinais: 12,1—15,8.
— 5.º Septenário – Taças: 16,1–21.
— 6.º Septenário – Destruição da cidade rebelde: 17,1—19,10.
— 7.º Septenário – Visões: 19,11—22,5.
— Conclusão: 22,6–21.
Nota: O sétimo Septenário não existe, mas é compreendido pelo significado das exortações do epílogo (22,6–21), que determinam a realização de tudo quanto foi profetizado nos seis septenários. O epílogo apresenta-nos o tempo da Igreja na expectativa do tempo da segunda vinda de Jesus (22,7.12.20).
Copyright © 1993, 2009 Sociedade Bíblica de Portugal
By [email protected]Introdução
O autor do último livro da Bíblia apresenta-se a si mesmo desta maneira: «Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições, no reino de Deus e na perseverança por Jesus» (1,9). A tradição é mais ou menos unânime em afirmar que se trata de João, irmão de Tiago, filho de Zebedeu, um dos doze apóstolos. Encontra-se na ilha de Patmos, uma das ilhas do mar Egeu, exilado por ter «proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus» (1,9), isto é, por causa da perseguição contra os cristãos, e narra aquilo que viu depois de ter sido arrebatado pelo Espírito Santo (1,10). A primeira grande perseguição ocorreu em 64, desencadeada por Nero, pelo que o livro teria sido escrito depois do ano 90. O autor dirige o Apocalipse às sete igrejas da Ásia Menor, que corresponde à atual Turquia.
Apocalipse significa revelação e revelação é o ato de retirar o véu. O autor deseja pôr a descoberto o plano de Deus neste ambiente histórico de perseguição e de desconcerto. As igrejas cristãs não entendiam semelhante flagelo e, por isso, perguntavam-se: «Até quando Senhor?» (6,10). O Apocalipse responde que o tempo da libertação «há de acontecer em breve» (1,3). Deus vai mudar a situação, pois só Ele, e não o imperador, é que é o senhor da história (17,14; 19,16). O autor apresenta esta mensagem em forma de apocalipse, que é uma maneira muito própria de anunciar a boa nova em épocas de perseguição. A finalidade do Apocalipse, como género literário, não é incutir medo, mas confrontar os cristãos perseguidos e inseguros na sua fé, e estimular a confiança em Deus, na vitória final do Cordeiro e seus fiéis contra os seus inimigos. Os escritos apocalípticos são autênticos manifestos de guerra divina (juízo final de Deus) contra esses inimigos.
O centro do Apocalipse é a figura de Jesus Cristo. Ele é o Cordeiro (5; 14,1), cujo sangue opera a libertação do povo, o Filho do Homem (14,14) que se opõe ao império romano descrito como besta com aparência de cordeiro (13,11). Contra Jesus e seus seguidores está Roma, chamada Babilónia (14,8; 8,2), que explora os povos (18,3.9–13), que tem sete cabeças (12,3), que são as sete colinas em que está construída. Roma está feita com o dragão (12,3.9) que é o poder do mal ou Satanás. Tem dez chifres (12,3) que indicam a totalidade do poder, mas que governará apenas durante 1260 dias (12,6), 42 meses (11,2), tempo, tempos, meio tempo (12,14), a metade de sete anos, e indica, por isso, um tempo limitado e imperfeito. No fim vencerá o Cordeiro na batalha de Harmaguédon (16,16), cujo nome é retirado de Zacarias 12,11. Esta vitória final é concebida como uma procissão litúrgica em que o Cordeiro é acompanhado por todos os seus fiéis simbolizados pelo grupo dos 144 000 escolhidos, que hão de constituir as núpcias do Cordeiro (21,12), isto é, a vitória final da união dos crentes com Deus.
O plano do livro assenta no número sete, por significar plenitude, a vitória e o tempo definitivo de Deus:
— Introdução: 1,1–8.
— 1.º Septenário – Cartas: 1,9—4,11.
— 2.º Septenário – Selos: 5,1—8,1.
— 3.º Septenário – Trombetas: 8,2—11,9.
— 4.º Septenário – Sinais: 12,1—15,8.
— 5.º Septenário – Taças: 16,1–21.
— 6.º Septenário – Destruição da cidade rebelde: 17,1—19,10.
— 7.º Septenário – Visões: 19,11—22,5.
— Conclusão: 22,6–21.
Nota: O sétimo Septenário não existe, mas é compreendido pelo significado das exortações do epílogo (22,6–21), que determinam a realização de tudo quanto foi profetizado nos seis septenários. O epílogo apresenta-nos o tempo da Igreja na expectativa do tempo da segunda vinda de Jesus (22,7.12.20).
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