"Hoje eu me arrastei pelos 5 cantos do inferno procurando um lugar em que pudesse ser eterno e onde pudesse me fortalecer da dor e caos de um mundo predominante em mim. A porta continua aberta, o celular está carregado, eu moro no mesmo endereço e como se você não houvesse: eu choro. Por ser parte de um elo quebrado pelas mãos de outros: eu choro. Eu grito. Eu quebro o vidro do espelho. E me permito ser exagero onde sempre fui silêncio. Analiso atentamente todas as frases de espetáculos que não consegui tatuar em meu corpo, ouço cada música nossa, me derramo em cada vídeo, cada foto. Deixo a queda d'água rolar pelas bochechas umedecidas e avermelhadas, de um eu estilhaçado por bombas americanas em direção ao inimigo.
Me debruço pela mesa, não pela vontade, mas pela falta de força. Acredite, eu não sou tão forte assim para reafirmar mais uma vez a minha existência. São 18 anos de conflito, 3 de aceitação, 2 de fortalecimento, 1 de ascensão e alguns meses de te amar. A última luta, foi a mais gostosa. Nos exatos 74 dias em que pude ser feliz e paradoxalmente sentir medo. Eu sinto medo. Muito medo. Não por mim, ou por nós, mas por todos aqueles que nasceram marcados por Éden em seu berço.
A janela continua aberta, o celular está conectado, o moletom que você gosta tá limpo. Quase tudo continua monótono, mas mudei a direção do riso para longe de mim. Eu vou ficar bem, eu vou viver, eu sei lidar com a saudade.
Só não sei lidar com a morte de quem continua vivo, principalmente com a sua, que mora na mesma casa, vive na mesma cidade, mas como eles dizem: está sob ameaça de mim. Por isso acho que eu deveria ter nascido em outro corpo, só para ter a liberdade de dizer: eu te amo."