VôtiContá

CANÇÃO BONITA - FBarella


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CANÇÃO BONITA – FBarella

Não era noite nem nada. O Sol nem tinha se ido e Mainha o esperava na porta da cozinha totalmente avulsa. Pelada como chegou nesse mundo.

Ele quase que erra a mesa, acudindo o saco de pão que por pouco não se esparrama.

“Qué isso Juliana?”

Ela o garrou pelo braço e tombaram ali mesmo, na sala.
“E os vizinhos? Uma hora dessa!”

Caiu de beijos com boca fresca de café e Kolynos.  
José ficou ali, alado, boiando sem rumo depois do feliz atropelo.

Maria no banho cantando alguma coisa que ele não conhecia. Uma melodia estranha.

Depois, tudo de novo como sempre. Janta, café, novelinha, oração e cama. E não é que hoje não teve ladainha?!  Nada de vizinha barulhenta e do cachorro que tendo a cidade inteira ao seu dispor, mas cismava era de cagar na nossa calçada.
Nada, nem uma lamuriazinha.
A essas horas do casamento? Horas não, anos. Não que achasse ruim, até gostou e não foi pouco. Mas vinha da onde?
Colecionou essa cisma por dias, mas ficou por isso mesmo.

Assim se ia. Surpresas. Não tinha dia certo nem lugar na casa. Só acontecia.
Um dia na porta da cozinha, no outro, sentada na máquina de lavar com as partes à mostra e sem nada por baixo. Não que o quintal fosse aberto, mas e se alguém se espicha no muro?

A vida de José ia muito bem obrigado. Nem no bar da Nadir parava mais. Corria chegar pra conferir se tinha novidade da criativa Juliana.
Tudo diferente, igual só à estranha melodia que Juliana cantava no banheiro.

Outro dia na ida para o batente um tanto de gente estranha no ponto do ônibus.
“Greve, seu José.” Explicou uma lá bebericando um café fumegante no copinho descartável.
Insistiu um pouco mais na espera, mas já dava por perdido o dia de serviço.
Nisso, quando desistiu e ia voltar pra casa parou no ponto Jeferson com seu Chevette prata.  
- Dia seu José, vai pro centro?
Não era dado a intimidades com a vizinhança, mas o trabalho é sagrado. Aceitou a carona e foi.
- Essa greve agora seu José, não ouviu no rádio? Tudo parado!
- E num é! Resmungou prestando atenção no tanto de adesivo e badulaque que decorava o interior do carro.  Na porta luva tinha até um escrito Jeff. Que vaidade é essa!

E ficou só nisso. Desceu José agradecido no semáforo que demorou a abrir. Jeff ficou ali esperando agora com o som mais alto. Quando fez o balão inteiro e passou voltando do outro lado da avenida João deu de mão reforçando o agradecimento mas ficou no vácuo, foi então que reconheceu de dentro de Chevette, aquela não mais tão estranha melodia.

FBarella

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VôtiContáBy Macna Legends