Em Manaus, um apresentador de TV chegava ao local dos crimes antes da polícia, com imagens exclusivas de corpos ainda fumegantes. As câmeras do Canal Livre mostravam o que ninguém mais conseguia, e Wallace Souza se tornou um herói para o público, um político eleito três vezes. Até que as autoridades começaram a fazer uma pergunta assustadora: como ele sempre sabia de tudo primeiro?
A resposta, segundo as investigações, era macabra. O apresentador e ex-policial Wallace Souza foi acusado de ser o mandante de uma série de homicídios, cometidos entre 2007 e 2009, com um objetivo obscuro: aumentar a audiência do seu programa de TV [citation:2][citation:7]. A teoria da polícia, que chocou o Brasil e o mundo, é de que a organização criminosa chefiada por Souza executava traficantes e rivais no narcotráfico, e sua equipe de filmagem chegava em seguida para registrar a cena em primeira mão [citation:2][citation:10].
A suspeita surgiu quando a acusação de um traficante, Moacir Costa (Moa), revelou que os crimes eram encomendados pelo deputado e seu filho, Raphael Souza, para eliminar a concorrência e produzir conteúdo para o programa [citation:3][citation:9]. Em abril de 2009, a polícia invadiu a casa do apresentador e apreendeu grande quantidade de dinheiro, ouro e munição [citation:3]. Ele foi acusado de assassinato, tráfico de drogas, formação de quadrilha e porte ilegal de armas [citation:5][citation:6]. Com o mandato de deputado cassado em outubro de 2009 e a prisão preventiva decretada, Souza se entregou após quatro dias foragido [citation:3]. O caso ganhou projeção mundial com a série documental da Netflix, *Bandidos na TV* (também conhecida como *Killer Ratings*) [citation:1][citation:4]. Wallace Souza morreu em 2010, vítima de uma parada cardíaca, antes de ser julgado [citation:2][citation:3]. Seu filho, Raphael, foi condenado por assassinato e tráfico de drogas [citation:7].