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Meio de agosto já lá vai e setembro está à porta.
Não tarda nada e começamos o novo ciclo anual de trabalho.
Reabrem as escolas, regressam os adultos também ao trabalho.
E por isso lembrei-me desta conversa com Catarina Furtado que reedito hoje.
A razão da conversa era outra, mas calhou termos gravado no dia em que o governo decidiu mandar fechar as escolas devido à COVID-19. Para tentar suster a famosa onda epidémica.
O planeta parece viver em círculo. E em novo ano escolar parece que a COVID dá alguns sinais de aparecer neste inverno também. Afinal, como acontece com a gripe ou outras doenças respiratórias.
Com a Catarina falei de empatia, essa receita mágica da comunicação.
Olhar o mundo pelos olhos dos outros ou calçar os seus sapatos, como diz o povo. Sentir pelo outro, compreender, aceitar, ter compaixão e demonstrar um genuíno e desinteressado amor pelas pessoas.
E os temas cruzam-se, o fecho das escolas, como de outros serviços públicos, foram mais sentidos pelos menos favorecidos. A rede de suporte social é crítica para apoiar quem tem menos.
Tal como nessa altura os movimentos populistas mantêm-se a borbulhar.
A canalização das notícias falsas pelas redes sociais parecem ter vindo para ficar. Não é muito diferente dos boatos das aldeias, mas tem um potencial infetante maior.
É um risco que não devemos perder de vista.
Volto a Catarina Furtado. Nesta conversa vem ao de cima a sua fórmula existencial e de trabalho. Sim, é simpática, todos vemos isso, mas é outra coisa. É alguém capaz de sentir e gerar empatia. E isso é um toque distintivo da comunicação humana.
Catarina Furtado, de viva voz, a 26 de janeiro de 2021.
TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
0:00:13 – JORGE CORREIA
Tal como nessa altura, os movimentos populistas mantêm saborebollar A canalização das notícias falsas pelas redes sociais, parecem ter vindo para ficar. Não é muito diferente dos boatos nas aldeias, mas tem um potencial infetante bastante maior. É um risco que não devemos perder. A devista Volto a Catarina Fortado nesta conversa, venha ao de cima à sua fórmula essencial e de trabalho. Sim, ela é simpática, todos sabemos, mas é também outra coisa. E alguém capaz de gerar e sentir empatia, E isso é um toque distintivo da comunicação humana. Catarina Fortado de Viva Voz, 26 de janeiro de 2021.
0:02:24 – CATARINA FURTADO
Perocupa-me também as desigualdades que vão ser ainda mais acentuadas no que diz respeito ao acesso à educação, porque na verdade serão sempre aqueles que têm menos acesso à educação formal e informal aqueles que serão mais prejudicados.
Portanto, obviamente que neste momento estou muito preocupada e muito solidária com todas as pessoas que estão na linha da frente, e aqui incluo enfermares, médicos, mas também os auxiliares de saúde que muitas vezes são esquecidos e fazem um trabalho exemplar, que tem que estar ali, ele desinfectar, limpar, enfim incansáveis com os mais velhos, a população mais velha que está a ser permanentemente amadrontada com o facto de estar sempre exposta na televisão e nos mais de comunicação social em geral, e depois com o nosso sistema nacional de saúde, obviamente, que está a enfraquecer e que leva por arrasto, obviamente, todo o outro tipo de patologias que estão a ficar em segundo, em terceiro lugar na ordem das prioridades nos hospitais e nas saúde.
portanto eu sou e acaba assim esta resposta eu sou obviamente uma privilegiada no meio disso tudo. do ponto de vista das saúde as coisas estão passando bastante bem até ao momento, mas do ponto de vista do impacto que este confinamento e esta pandemia até na minha vida pessoal e financeira, pronto a cá por ser uma privilegiada, mas não consigo deixar de pensar, até porque tu, com a minha coração, concrua diariamente para tentar atunular este impacto em muitas famílias, nomeadamente famílias de mães que estão sozinhas sem companheiros.
0:05:09 – JORGE CORREIA
0:05:42 – CATARINA FURTADO
0:06:16 – JORGE CORREIA
0:06:34 – CATARINA FURTADO
Alertar, por favor, é fácil, é muito fácil, e compreendo que estejam indignadas, as gostadas, porque a situação não é de facto boa. Não é de facto boa no país inteiro, mas também no mundo inteiro, e não são essas respostas aparentemente salvadoras que nos vão aturnoar as almas. Posto isto, eu, sinceramente eu gostava que também houvessem, existissem mais notícias positivas. Sabe, jorge, gostava também que se referissem mais vezes o número de pessoas que foram recuperadas, que recuperaram do Covid, casos mais isolados, pessoas até bastante mais velhas, e há e estas notícias normalmente vêm só nos fidezinhos tipo curiosidade, ou nos Instagram, se partilhamos uns com os outros, mas podem abrir um telejornal.
Acho que é importante perceber que, enquanto houver esperança, há sempre capacidade de nós, recuperarmos a união porque senão este pânico faz com que as pessoas se dispersem, inclusive dispersem nos seus comportamentos, ficam menos unidas e ficam mais chaves que empoderam. E tu veias uma imagem, uma caricatura que tu imaginas, ou o que eu imagino é de repente há uma bomba e as pessoas que cada um fóspe o seu lado e cada um se preocupa com o seu umbigo e com a sua despensa se ela não está repleta dos seus penses essenciais.
0:09:12 – JORGE CORREIA
0:09:23 – CATARINA FURTADO
0:10:07 – JORGE CORREIA
Tens falado com os teus pais sobre este tema? porque nós olhamos obviamente para os nossos filhos, mas enfim, mas a pandemia no caso deles não é uma coisa muito preocupante em tempos de saúde, porque os casos são geralmente benigmos nas gerações como a nossa. As coisas também são genericamente tranquilas, não é garantido, mas são mais tranquilas. Mas quando olhas para os teus pais, para os avós de Portugal que nós todos estamos a ver, como é que são essas conversas?
0:11:29 – CATARINA FURTADO
0:12:03 – JORGE CORREIA
0:12:08 – CATARINA FURTADO
Mas é curioso porque eu não consigo. Não é porque na verdade ele não é o jornalista que está ali com quem eu posso falar sobre como é que eles estão a conduzir a informação, a informação da pandemia. Não é o meu pai, que tem 72 anos e que, apesar de estar maravilhosamente bem, minha mãe não está assim de saúde, não está tão bem. Eu não posso ainda me derontar mais os fantasmas que, de certeza absoluta, adormecem com eles todos os dias e acordam com eles todos os dias, mais até do que acho eu, do que comigo. Eu penso mais nos outros neste momento e eles devem pensar mais em si próprios, ainda que sejam pessoas muito solidárias. Percebes o que eu quero dizer.
0:13:37 – JORGE CORREIA
0:14:30 – CATARINA FURTADO
0:14:57 – JORGE CORREIA
0:15:01 – CATARINA FURTADO
Também te posso dizer, e talvez por isso eu acredite tanto nas pessoas já vi coisas terríveis. Não dico que não, já vi o lado pior das pessoas e nós temos todos um lado menos bom. Há pessoas que têm mesmo o lado mal, mas na verdade eu gosto imenso de pessoas e portanto, como gosto de pessoas, tenho a mesma curiosidade de uma pessoa de 75 anos que tenho para uma pessoa de 11 anos. E se calhar, é o meu olhar, é o olhar de quem quero ouvir. Eu quero muito ouvir, muito, mais, muito mais. Quero ouvir do que quero falar, Apesar de ser eu a que conduz os programas, é que veem falar, mas eu gosto mesmo de ouvir. Acho que é sucesso.
0:16:48 – JORGE CORREIA
0:17:08 – CATARINA FURTADO
0:17:09 – JORGE CORREIA
0:17:28 – CATARINA FURTADO
0:18:11 – JORGE CORREIA
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0:18:53 – JORGE CORREIA
0:18:56 – CATARINA FURTADO
0:19:03 – JORGE CORREIA
0:19:19 – CATARINA FURTADO
Sim, fiz muitos formatos de crianças. É das coisas que mais gosto de fazer na vida, são formatos de crianças, mas nunca tinha feito um concurso ou seja, nunca tinha lidado com aquela coisa que é o miúdo não passou. Minha miúdo agora vai para o colinho dos papás, mas antes de chegar para o colinho dos papás tem que passar aqui pela Tia Catarina. E o que é que eu vou dizer? Eu aceitei fazer. A RTP pediu, e obviamente eu não iria dizer que não, e porque também tinha a experiência daquilo que tinha visto na anterior edição, em que a forma como a produtora gêro tudo, a forma como os mentores escolhem as palavras, a forma como desde que o miúdo saia de sua casa até entrar no estúdio eletratado, do ponto de vista da logística de produção, a forma como depois é editado o programa, a edição, e tu sabes, é a comunicação, é das coisas mais preciosas que pode dizer. Tu podes pôr uma pessoa boa a ser um bandido.
0:21:08 – JORGE CORREIA
0:21:11 – CATARINA FURTADO
Sabe, subindo àquele palco e a Marisa Alito está sempre a dizer isso é próscurajoso Cantar um original, como cantou a última miúda. Quem não viu, por favor os teus seguidores do podcast, que veja que vão ver, porque o programa está mesmo extraordinário e nós temos miúdos de 10 anos, 11 anos a comporem, porque tocam instrumentos, tocam piano, tocam guitarra, tocam accordion incrível, e já compõem os seus próprios originais. No meio desta pandemia negativa, há esperança. Sabe, esse programa passa muito isso. Há esperança. Há outra coisa muito bonita que acontece, que é o amor entre irmãos.
Os pais estão lá sempre para apoiar os avós também. Isso já vimos sempre, né Faz parte, faz parte. Mas aquilo que me surpreendeu nesta edição, jorge, verdadeiramente é o como faz chorar todos os meninos. As pessoas já mandam mensagens privadas no Instagram a dizer ai, caterina, está tão chorona, eu choro consigo, eu choro, consigo dizer as pessoas e eu digo, ainda bem que estou a assinar, que ainda toca cá alguma coisa. Aquilo que mais me comove são os irmãos. Impressionante, os mais reis atreceram pelos mais pequenos e depois os mais pequenos ainda do que aqueles atreceram por eles. É maravilhoso.
0:23:34 – JORGE CORREIA
0:23:52 – CATARINA FURTADO
0:24:12 – JORGE CORREIA
0:24:14 – CATARINA FURTADO
0:25:03 – JORGE CORREIA
0:25:37 – CATARINA FURTADO
Sim, lembro, eu estava com o Vas Palmeirinho e foi muito estranho, nós cheguei a enganar. Como é que dizia agora é um grande aplauso para e olhe e rimo, pô Vas, que fizemos nós e pronto, e acaba por ser um trabalho de equipa muito mais forte do ponto de vista energético. Eu acredito muito. Não sou nada exotérica, mas acredito muito nas nossas energias e isso não é de acreditar ou não elas são influenciadas.
0:26:18 – JORGE CORREIA
0:26:19 – CATARINA FURTADO
0:27:17 – JORGE CORREIA
0:27:41 – CATARINA FURTADO
0:28:26 – JORGE CORREIA
0:28:54 – CATARINA FURTADO
0:29:53 – JORGE CORREIA
0:30:04 – CATARINA FURTADO
0:30:52 – JORGE CORREIA
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0:33:14 – JORGE CORREIA
0:33:19 – CATARINA FURTADO
0:33:38 – JORGE CORREIA
0:33:46 – CATARINA FURTADO
Não, o feminismo não mata, o feminismo, não descrimina, o feminismo não impede os homens de todos de chegarem aos seus objetivos pessoais e profissionais. Ora, o machismo mata, o machismo descrimina, o machismo cala. o machismo inviabiliza e torna as mulheres invisíveis e não deixa que elas não só tenham, em muitos países até acesso a cuidados de saúde, de cuidados de educação e nos países desenvolvidos e evoluídos como nós, como estava a dizer, não terem acesso aos altos cargos que teriam se fosse apenas avaliado o mérito dessa pessoa e, neste caso, dessa mulher. E por quê? Porque o quê? Por que que não acontece, porque o feminismo não está.
0:35:12 – JORGE CORREIA
0:35:25 – CATARINA FURTADO
Eu também as vivi. A senhora, não sou uma vítima e acho que as pessoas, as mulheres que são vítimas não podem ser consideradas vítimas. Têm que ser, sim, empoderadas, empoderadas por homens e por mulheres Para do feminismo. É uma causa que deve dizer-nos a todos e a todas E deve ser vestida por todos e por todas, porque também está provado que para orientar o mundo do ponto de vista até económico. Temos que ter as mesmas oportunidades para os homens e para as mulheres e temos que investir seriamente e financeiramente na igualdade género E aí vamos ter um mundo bastante mais igualitário do ponto de vista da justiça e da ética e disso tudo, mas também financeiramente, porque quando uma mulher é apoiada, uma família é apoiada, uma comunidade é apoiada, um país é apoiado E nesses centros as mulheres, quando são apoiadas, também do ponto de vista do acesso à educação e à saúde, elas vão fazer exatamente o mesmo com os seus filhos, sejam eles homens ou mulheres, e vamos garantir que mais crianças vão à escola, mais crianças são assistidas medicamente e também será reduzido porque isso no país estou a falar dos países em desenvolvimento obviamente terá um menor número de crianças, o que quer dizer que essas crianças têm maior qualidade de vida, melhor qualidade de vida.
0:37:36 – JORGE CORREIA
0:38:07 – CATARINA FURTADO
Oui-se muitas histórias lá de machismo, de discriminação, de racismo também, porque também tem algumas mulheres imigrantes e é muito curioso porque esta desigualdade género também muitas vezes está desforçada. Eu tenho que nós damos bolsas de estudo com as jovens raparinhas. Já estamos na Acho que é o número 30, já que é incrível porque são 3 anos com nós, que elas ficam 3 anos com nós, que têm apoio biopsychosocial e têm o apoio financeiro. E mesmo aquelas que já estão a voar, que já têm as suas profissões algumas médicas, outras enfim, todo tipo de profissões ficam sempre com uma ligação muito grande da feta e vanose. Estão sempre à distância de um telefonema para resolver alguns problemas.
A Jéssica Silva, a grande jogadora de futebol, foi com nós que começou E, por exemplo, até mesmo quando acontece um caso dramático numa família, que os pais, por exemplo, perdem o emprego, normalmente em Portugal ainda são as raparias que desistem do seu curso superior para ir trabalhar e para dar o apoio aos pais. Não são os rapazes da maior parte das vezes. Eu não estou a dizer que eles não sejam solidários. O que eu estou a dizer é que é automático nas mulheres, da maior parte das vezes raparigas, serem elas a desistirem, que é mais normal. E quando há um irmão e uma irmã, é mais normal ter a irmã a desistir dos estudos superiores. E estamos a falar no nosso século e no nosso país.
0:40:39 – JORGE CORREIA
0:40:43 – CATARINA FURTADO
0:40:45 – JORGE CORREIA
0:41:08 – CATARINA FURTADO
0:41:29 – JORGE CORREIA
0:41:34 – CATARINA FURTADO
Uma das coisas mais terríveis que estão a acontecer, fruto também da pandemia, é que as pessoas estão ainda em pior situação do que aquelas que eu reportei e que depois na antena da RTP com os príncipes do nada, para além disso, há acrescentar a isto um frio terrível. As pessoas estão a morrer de frio nas tendas esboracadas em que se encontram. É a temática dos projeados. É terrível e todos os dias eu adormeço a pensar neles que podes ter a certeza Pronto. E depois fiz outras coisas que também gostei muito. Fiz mais um programa com crianças, fiz as idades das imocências, juntava os mais velhos e as crianças. Foi um projeto que também adorei fazer. Portanto eu vou fazendo. Agora tenho dois aí que estou a desenvolver e que também são da minha altura, portanto não me caixo o que é que me falta a fazer. Gostava de voltar ao teatro mais uma vez, ou duas vezes, ou três vezes, e gostava de fazer uma criografia um dia.
0:43:06 – JORGE CORREIA
0:43:12 – CATARINA FURTADO
Depois, sim, abrem a ternera, lavam, fecham a ternera e, ao mesmo tempo que estão a escovar os dentes, vão fazer um exercício que eu não quero. Armar-me aqui em presunçosa. Tem manique, não, mas tenho a autoridade daquilo que já vi, das pessoas que eu estive todos os dias e do que já reportei, filmei e conversei. Ponham na vossa cabeça a imagem de serem um deles um dos enfermeiros, um dos médicos, um dos doentes que estejam atuados, um dos auxiliares de saúde, um dos transportadores, motoristas da ambulância que não me, não sabe o que é que há de fazer e vê uma pessoa morrer na ambulância enfim. Ponham-se nos lugares dos outros.
Nos lugares dos outros, porque só quando nós fizemos esse exercício de imaginação, se os atores conseguem fingir que estão bêbados e drogados e mal despostos e conseguem fazê-lo bem. Não é só talento, é uma capacidade incrível de nos projetarmos no trabalho dos outros e nos sapatos dos outros né. Portanto, se fizermos isso, tenha certeza que há um comportamento que vai mudar e assim ficarmos em casa. Quem pode ficar em casa E acionar os planos de apoio?
obviamente, estar a perceber o que é que o governo tem para dar, mesmo que seja pouco, é acionar e acionar a nossa rede de solidariedade, que ela pode valer muito. Mas atentes a quem precisa que se leve lá comida, quem se precisa que se faça uma transferência de um pagamento, de uma luz, de uma água enfim, de uma forma bastante digna, sem que as pessoas tenham que pedir, que também é muito triste. Então, assim é, cabo, agradecendo-te esta oportunidade de falar mais uma vez em voz alta parece que eu nunca falo né, mas agradeça a tua simpatia e a tua curiosidade e portanto nós temos curiosidade em relação aos outros, acho que sejam eles anónimos ou figuras públicas. Até mais anónimos porque há mais coisas ainda para descobrir e quero te mandar um beijinho ao teu pai e ao teu filho.
0:45:36 – JORGE CORREIA
By Jorge CorreiaMeio de agosto já lá vai e setembro está à porta.
Não tarda nada e começamos o novo ciclo anual de trabalho.
Reabrem as escolas, regressam os adultos também ao trabalho.
E por isso lembrei-me desta conversa com Catarina Furtado que reedito hoje.
A razão da conversa era outra, mas calhou termos gravado no dia em que o governo decidiu mandar fechar as escolas devido à COVID-19. Para tentar suster a famosa onda epidémica.
O planeta parece viver em círculo. E em novo ano escolar parece que a COVID dá alguns sinais de aparecer neste inverno também. Afinal, como acontece com a gripe ou outras doenças respiratórias.
Com a Catarina falei de empatia, essa receita mágica da comunicação.
Olhar o mundo pelos olhos dos outros ou calçar os seus sapatos, como diz o povo. Sentir pelo outro, compreender, aceitar, ter compaixão e demonstrar um genuíno e desinteressado amor pelas pessoas.
E os temas cruzam-se, o fecho das escolas, como de outros serviços públicos, foram mais sentidos pelos menos favorecidos. A rede de suporte social é crítica para apoiar quem tem menos.
Tal como nessa altura os movimentos populistas mantêm-se a borbulhar.
A canalização das notícias falsas pelas redes sociais parecem ter vindo para ficar. Não é muito diferente dos boatos das aldeias, mas tem um potencial infetante maior.
É um risco que não devemos perder de vista.
Volto a Catarina Furtado. Nesta conversa vem ao de cima a sua fórmula existencial e de trabalho. Sim, é simpática, todos vemos isso, mas é outra coisa. É alguém capaz de sentir e gerar empatia. E isso é um toque distintivo da comunicação humana.
Catarina Furtado, de viva voz, a 26 de janeiro de 2021.
TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
0:00:13 – JORGE CORREIA
Tal como nessa altura, os movimentos populistas mantêm saborebollar A canalização das notícias falsas pelas redes sociais, parecem ter vindo para ficar. Não é muito diferente dos boatos nas aldeias, mas tem um potencial infetante bastante maior. É um risco que não devemos perder. A devista Volto a Catarina Fortado nesta conversa, venha ao de cima à sua fórmula essencial e de trabalho. Sim, ela é simpática, todos sabemos, mas é também outra coisa. E alguém capaz de gerar e sentir empatia, E isso é um toque distintivo da comunicação humana. Catarina Fortado de Viva Voz, 26 de janeiro de 2021.
0:02:24 – CATARINA FURTADO
Perocupa-me também as desigualdades que vão ser ainda mais acentuadas no que diz respeito ao acesso à educação, porque na verdade serão sempre aqueles que têm menos acesso à educação formal e informal aqueles que serão mais prejudicados.
Portanto, obviamente que neste momento estou muito preocupada e muito solidária com todas as pessoas que estão na linha da frente, e aqui incluo enfermares, médicos, mas também os auxiliares de saúde que muitas vezes são esquecidos e fazem um trabalho exemplar, que tem que estar ali, ele desinfectar, limpar, enfim incansáveis com os mais velhos, a população mais velha que está a ser permanentemente amadrontada com o facto de estar sempre exposta na televisão e nos mais de comunicação social em geral, e depois com o nosso sistema nacional de saúde, obviamente, que está a enfraquecer e que leva por arrasto, obviamente, todo o outro tipo de patologias que estão a ficar em segundo, em terceiro lugar na ordem das prioridades nos hospitais e nas saúde.
portanto eu sou e acaba assim esta resposta eu sou obviamente uma privilegiada no meio disso tudo. do ponto de vista das saúde as coisas estão passando bastante bem até ao momento, mas do ponto de vista do impacto que este confinamento e esta pandemia até na minha vida pessoal e financeira, pronto a cá por ser uma privilegiada, mas não consigo deixar de pensar, até porque tu, com a minha coração, concrua diariamente para tentar atunular este impacto em muitas famílias, nomeadamente famílias de mães que estão sozinhas sem companheiros.
0:05:09 – JORGE CORREIA
0:05:42 – CATARINA FURTADO
0:06:16 – JORGE CORREIA
0:06:34 – CATARINA FURTADO
Alertar, por favor, é fácil, é muito fácil, e compreendo que estejam indignadas, as gostadas, porque a situação não é de facto boa. Não é de facto boa no país inteiro, mas também no mundo inteiro, e não são essas respostas aparentemente salvadoras que nos vão aturnoar as almas. Posto isto, eu, sinceramente eu gostava que também houvessem, existissem mais notícias positivas. Sabe, jorge, gostava também que se referissem mais vezes o número de pessoas que foram recuperadas, que recuperaram do Covid, casos mais isolados, pessoas até bastante mais velhas, e há e estas notícias normalmente vêm só nos fidezinhos tipo curiosidade, ou nos Instagram, se partilhamos uns com os outros, mas podem abrir um telejornal.
Acho que é importante perceber que, enquanto houver esperança, há sempre capacidade de nós, recuperarmos a união porque senão este pânico faz com que as pessoas se dispersem, inclusive dispersem nos seus comportamentos, ficam menos unidas e ficam mais chaves que empoderam. E tu veias uma imagem, uma caricatura que tu imaginas, ou o que eu imagino é de repente há uma bomba e as pessoas que cada um fóspe o seu lado e cada um se preocupa com o seu umbigo e com a sua despensa se ela não está repleta dos seus penses essenciais.
0:09:12 – JORGE CORREIA
0:09:23 – CATARINA FURTADO
0:10:07 – JORGE CORREIA
Tens falado com os teus pais sobre este tema? porque nós olhamos obviamente para os nossos filhos, mas enfim, mas a pandemia no caso deles não é uma coisa muito preocupante em tempos de saúde, porque os casos são geralmente benigmos nas gerações como a nossa. As coisas também são genericamente tranquilas, não é garantido, mas são mais tranquilas. Mas quando olhas para os teus pais, para os avós de Portugal que nós todos estamos a ver, como é que são essas conversas?
0:11:29 – CATARINA FURTADO
0:12:03 – JORGE CORREIA
0:12:08 – CATARINA FURTADO
Mas é curioso porque eu não consigo. Não é porque na verdade ele não é o jornalista que está ali com quem eu posso falar sobre como é que eles estão a conduzir a informação, a informação da pandemia. Não é o meu pai, que tem 72 anos e que, apesar de estar maravilhosamente bem, minha mãe não está assim de saúde, não está tão bem. Eu não posso ainda me derontar mais os fantasmas que, de certeza absoluta, adormecem com eles todos os dias e acordam com eles todos os dias, mais até do que acho eu, do que comigo. Eu penso mais nos outros neste momento e eles devem pensar mais em si próprios, ainda que sejam pessoas muito solidárias. Percebes o que eu quero dizer.
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0:14:30 – CATARINA FURTADO
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0:15:01 – CATARINA FURTADO
Também te posso dizer, e talvez por isso eu acredite tanto nas pessoas já vi coisas terríveis. Não dico que não, já vi o lado pior das pessoas e nós temos todos um lado menos bom. Há pessoas que têm mesmo o lado mal, mas na verdade eu gosto imenso de pessoas e portanto, como gosto de pessoas, tenho a mesma curiosidade de uma pessoa de 75 anos que tenho para uma pessoa de 11 anos. E se calhar, é o meu olhar, é o olhar de quem quero ouvir. Eu quero muito ouvir, muito, mais, muito mais. Quero ouvir do que quero falar, Apesar de ser eu a que conduz os programas, é que veem falar, mas eu gosto mesmo de ouvir. Acho que é sucesso.
0:16:48 – JORGE CORREIA
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0:19:03 – JORGE CORREIA
0:19:19 – CATARINA FURTADO
Sim, fiz muitos formatos de crianças. É das coisas que mais gosto de fazer na vida, são formatos de crianças, mas nunca tinha feito um concurso ou seja, nunca tinha lidado com aquela coisa que é o miúdo não passou. Minha miúdo agora vai para o colinho dos papás, mas antes de chegar para o colinho dos papás tem que passar aqui pela Tia Catarina. E o que é que eu vou dizer? Eu aceitei fazer. A RTP pediu, e obviamente eu não iria dizer que não, e porque também tinha a experiência daquilo que tinha visto na anterior edição, em que a forma como a produtora gêro tudo, a forma como os mentores escolhem as palavras, a forma como desde que o miúdo saia de sua casa até entrar no estúdio eletratado, do ponto de vista da logística de produção, a forma como depois é editado o programa, a edição, e tu sabes, é a comunicação, é das coisas mais preciosas que pode dizer. Tu podes pôr uma pessoa boa a ser um bandido.
0:21:08 – JORGE CORREIA
0:21:11 – CATARINA FURTADO
Sabe, subindo àquele palco e a Marisa Alito está sempre a dizer isso é próscurajoso Cantar um original, como cantou a última miúda. Quem não viu, por favor os teus seguidores do podcast, que veja que vão ver, porque o programa está mesmo extraordinário e nós temos miúdos de 10 anos, 11 anos a comporem, porque tocam instrumentos, tocam piano, tocam guitarra, tocam accordion incrível, e já compõem os seus próprios originais. No meio desta pandemia negativa, há esperança. Sabe, esse programa passa muito isso. Há esperança. Há outra coisa muito bonita que acontece, que é o amor entre irmãos.
Os pais estão lá sempre para apoiar os avós também. Isso já vimos sempre, né Faz parte, faz parte. Mas aquilo que me surpreendeu nesta edição, jorge, verdadeiramente é o como faz chorar todos os meninos. As pessoas já mandam mensagens privadas no Instagram a dizer ai, caterina, está tão chorona, eu choro consigo, eu choro, consigo dizer as pessoas e eu digo, ainda bem que estou a assinar, que ainda toca cá alguma coisa. Aquilo que mais me comove são os irmãos. Impressionante, os mais reis atreceram pelos mais pequenos e depois os mais pequenos ainda do que aqueles atreceram por eles. É maravilhoso.
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Sim, lembro, eu estava com o Vas Palmeirinho e foi muito estranho, nós cheguei a enganar. Como é que dizia agora é um grande aplauso para e olhe e rimo, pô Vas, que fizemos nós e pronto, e acaba por ser um trabalho de equipa muito mais forte do ponto de vista energético. Eu acredito muito. Não sou nada exotérica, mas acredito muito nas nossas energias e isso não é de acreditar ou não elas são influenciadas.
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0:27:17 – JORGE CORREIA
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Não, o feminismo não mata, o feminismo, não descrimina, o feminismo não impede os homens de todos de chegarem aos seus objetivos pessoais e profissionais. Ora, o machismo mata, o machismo descrimina, o machismo cala. o machismo inviabiliza e torna as mulheres invisíveis e não deixa que elas não só tenham, em muitos países até acesso a cuidados de saúde, de cuidados de educação e nos países desenvolvidos e evoluídos como nós, como estava a dizer, não terem acesso aos altos cargos que teriam se fosse apenas avaliado o mérito dessa pessoa e, neste caso, dessa mulher. E por quê? Porque o quê? Por que que não acontece, porque o feminismo não está.
0:35:12 – JORGE CORREIA
0:35:25 – CATARINA FURTADO
Eu também as vivi. A senhora, não sou uma vítima e acho que as pessoas, as mulheres que são vítimas não podem ser consideradas vítimas. Têm que ser, sim, empoderadas, empoderadas por homens e por mulheres Para do feminismo. É uma causa que deve dizer-nos a todos e a todas E deve ser vestida por todos e por todas, porque também está provado que para orientar o mundo do ponto de vista até económico. Temos que ter as mesmas oportunidades para os homens e para as mulheres e temos que investir seriamente e financeiramente na igualdade género E aí vamos ter um mundo bastante mais igualitário do ponto de vista da justiça e da ética e disso tudo, mas também financeiramente, porque quando uma mulher é apoiada, uma família é apoiada, uma comunidade é apoiada, um país é apoiado E nesses centros as mulheres, quando são apoiadas, também do ponto de vista do acesso à educação e à saúde, elas vão fazer exatamente o mesmo com os seus filhos, sejam eles homens ou mulheres, e vamos garantir que mais crianças vão à escola, mais crianças são assistidas medicamente e também será reduzido porque isso no país estou a falar dos países em desenvolvimento obviamente terá um menor número de crianças, o que quer dizer que essas crianças têm maior qualidade de vida, melhor qualidade de vida.
0:37:36 – JORGE CORREIA
0:38:07 – CATARINA FURTADO
Oui-se muitas histórias lá de machismo, de discriminação, de racismo também, porque também tem algumas mulheres imigrantes e é muito curioso porque esta desigualdade género também muitas vezes está desforçada. Eu tenho que nós damos bolsas de estudo com as jovens raparinhas. Já estamos na Acho que é o número 30, já que é incrível porque são 3 anos com nós, que elas ficam 3 anos com nós, que têm apoio biopsychosocial e têm o apoio financeiro. E mesmo aquelas que já estão a voar, que já têm as suas profissões algumas médicas, outras enfim, todo tipo de profissões ficam sempre com uma ligação muito grande da feta e vanose. Estão sempre à distância de um telefonema para resolver alguns problemas.
A Jéssica Silva, a grande jogadora de futebol, foi com nós que começou E, por exemplo, até mesmo quando acontece um caso dramático numa família, que os pais, por exemplo, perdem o emprego, normalmente em Portugal ainda são as raparias que desistem do seu curso superior para ir trabalhar e para dar o apoio aos pais. Não são os rapazes da maior parte das vezes. Eu não estou a dizer que eles não sejam solidários. O que eu estou a dizer é que é automático nas mulheres, da maior parte das vezes raparigas, serem elas a desistirem, que é mais normal. E quando há um irmão e uma irmã, é mais normal ter a irmã a desistir dos estudos superiores. E estamos a falar no nosso século e no nosso país.
0:40:39 – JORGE CORREIA
0:40:43 – CATARINA FURTADO
0:40:45 – JORGE CORREIA
0:41:08 – CATARINA FURTADO
0:41:29 – JORGE CORREIA
0:41:34 – CATARINA FURTADO
Uma das coisas mais terríveis que estão a acontecer, fruto também da pandemia, é que as pessoas estão ainda em pior situação do que aquelas que eu reportei e que depois na antena da RTP com os príncipes do nada, para além disso, há acrescentar a isto um frio terrível. As pessoas estão a morrer de frio nas tendas esboracadas em que se encontram. É a temática dos projeados. É terrível e todos os dias eu adormeço a pensar neles que podes ter a certeza Pronto. E depois fiz outras coisas que também gostei muito. Fiz mais um programa com crianças, fiz as idades das imocências, juntava os mais velhos e as crianças. Foi um projeto que também adorei fazer. Portanto eu vou fazendo. Agora tenho dois aí que estou a desenvolver e que também são da minha altura, portanto não me caixo o que é que me falta a fazer. Gostava de voltar ao teatro mais uma vez, ou duas vezes, ou três vezes, e gostava de fazer uma criografia um dia.
0:43:06 – JORGE CORREIA
0:43:12 – CATARINA FURTADO
Depois, sim, abrem a ternera, lavam, fecham a ternera e, ao mesmo tempo que estão a escovar os dentes, vão fazer um exercício que eu não quero. Armar-me aqui em presunçosa. Tem manique, não, mas tenho a autoridade daquilo que já vi, das pessoas que eu estive todos os dias e do que já reportei, filmei e conversei. Ponham na vossa cabeça a imagem de serem um deles um dos enfermeiros, um dos médicos, um dos doentes que estejam atuados, um dos auxiliares de saúde, um dos transportadores, motoristas da ambulância que não me, não sabe o que é que há de fazer e vê uma pessoa morrer na ambulância enfim. Ponham-se nos lugares dos outros.
Nos lugares dos outros, porque só quando nós fizemos esse exercício de imaginação, se os atores conseguem fingir que estão bêbados e drogados e mal despostos e conseguem fazê-lo bem. Não é só talento, é uma capacidade incrível de nos projetarmos no trabalho dos outros e nos sapatos dos outros né. Portanto, se fizermos isso, tenha certeza que há um comportamento que vai mudar e assim ficarmos em casa. Quem pode ficar em casa E acionar os planos de apoio?
obviamente, estar a perceber o que é que o governo tem para dar, mesmo que seja pouco, é acionar e acionar a nossa rede de solidariedade, que ela pode valer muito. Mas atentes a quem precisa que se leve lá comida, quem se precisa que se faça uma transferência de um pagamento, de uma luz, de uma água enfim, de uma forma bastante digna, sem que as pessoas tenham que pedir, que também é muito triste. Então, assim é, cabo, agradecendo-te esta oportunidade de falar mais uma vez em voz alta parece que eu nunca falo né, mas agradeça a tua simpatia e a tua curiosidade e portanto nós temos curiosidade em relação aos outros, acho que sejam eles anónimos ou figuras públicas. Até mais anónimos porque há mais coisas ainda para descobrir e quero te mandar um beijinho ao teu pai e ao teu filho.
0:45:36 – JORGE CORREIA