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No mundo novo, a verdade e a mentira parecem valer o mesmo.
As falsidades travestidas de notícia contaminam a nossa confiança e a manipular as nossas formas de ser e estar.
Um programa cujo mote principal é: ver, entender e resistir.
E não, não são simples boatos ou pantominas.
São atos deliberados de comunicação para manipular, para enganar.
Há que estar atento. A ameaça é séria.
Há coisas que só acontecem quando tudo se apaga. Quando o mundo à nossa volta fica em silêncio. Quando as luzes falham. Os dados caem. Os telefones deixam de dar sinal. E o ecrã — esse ecrã sempre aceso — de repente fica negro.
Como nasce uma mentira com cara de verdade? Filipe Pardal
Há um par de semanas. Um apagão elétrico, nacional, deixou milhões de pessoas sem energia. Durante horas. Sem rede, sem ‘internet’, sem televisão, sem rádio. E foi precisamente nesse vazio — nesse momento em que todos esperávamos respostas — que alguém decidiu criar uma mentira.
Não uma daquelas que costumam vir de fora. Importadas, traduzidas, adaptadas. Não. Pela primeira vez, nasceu aqui. Uma fake news portuguesa. Made in Portugal.
Com uma estrutura clássica: citava a CNN Internacional, punha palavras falsas na boca da presidente da Comissão Europeia, falava de um ataque cibernético russo. E o mais impressionante: funcionava. Porque parecia verdadeira. Porque tinha fonte. Porque tinha aspas. Porque aparecia bem escrita. E porque o momento era propício. O país estava vulnerável. E a mentira encontrou o espaço perfeito para crescer.
A desinformação não precisa de muito para se espalhar. Só precisa de parecer plausível. De encaixar na emoção do momento. De tocar naquele nervo exposto. E isso basta.
Este episódio começa aqui.
Com Filipe Pardal, diretor de operações do Polígrafo e dirigente da rede europeia de verificação de factos, a European Fact-Checking Standards Network, fazemos a autópsia dessa notícia falsa. E de muitas outras. Desmontamos a anatomia de uma mentira. E tentamos responder à pergunta que não quer calar: por que é que acreditamos nisto?
A conversa é tudo menos técnica. É direta, desassombrada, útil. O Filipe conhece o fenómeno por dentro. E partilha connosco um conhecimento raro: o de quem passa os dias a ler frases suspeitas, a verificar factos, a desmontar falácias — e a lidar com o ódio que isso provoca.
Falamos do termo fake news — que, é uma contradição em si mesmo. Porque uma notícia, para o ser, tem de ser verdadeira. E o que é falso… não é notícia. É desinformação. Ou, se quisermos, um boato — palavra antiga, que talvez descreva melhor o que enfrentamos hoje.
Mas o que enfrentamos, afinal?
Falamos de plataformas de desinformação profissional, com ligações a interesses geopolíticos. De fábricas de trolls ( uma espécie de robôs da internet, ou excertos de pessoas, que operam como agências — com orçamento, estratégia e objetivos. De vídeos falsos criados por inteligência artificial. De notícias recicladas com novos títulos. De imagens antigas vendidas como atuais. De WhatsApp s de família onde as mensagens falsas correm mais rápido do que em qualquer rede aberta.
E falamos de outra coisa: da nossa fragilidade emocional. Porque o problema da desinformação não é só tecnológico. É humano. É psicológico. A mentira cola porque é simples. Porque confirma o que queremos acreditar. Porque nos poupa o esforço de duvidar.
Vamos aprender como se combate isso. Com factos, sim. Com verificação. Mas também com literacia digital. Com transparência. Com ética jornalística. E com uma ideia clara: quem afirma um facto tem de o poder provar.
Falamos também do preço de dizer a verdade. Do assédio, das ameaças, das pressões. E do cansaço de ser, todos os dias, o chato que diz “isso não é bem assim”. Mas falamos sobretudo da utilidade desse trabalho. Da sua importância para a saúde da democracia. Porque, como diz o Filipe: “Todos têm direito à sua opinião. Mas ninguém tem direito aos seus próprios factos.”
Esta frase, simples e poderosa, resume o espírito do episódio.
E talvez nos ajude a fazer melhor da próxima vez que recebermos uma mensagem suspeita, virmos um post alarmista ou lermos um título que parece bom demais para ser verdade.
Porque se a mentira se espalha sozinha, a verdade precisa de ajuda.
FECHO
Partilhar uma informação falsa vestida com um belo facto e laçarote de aparente verdade é fácil
Algumas partilhas são maliciosas. Pelo menos no ato de criação.
Mas depois, somo todos nós, que as propagamos.
Porque achamos que faz todo o sentido, porque achamos graças, ou, porque achamos que o que está ali expresso é exatamente o que pensamos do mundo.
Ser verdade ou mentira parece ser, cada vez mais, acessório.
00:00:00:00 – 00:00:17:18
Viva! Filipe Pardal, diretor de operações do Polígrafo és desde Outubro do ano passado dirigente da European Fact Checking Standart Network. Exactamente a estudar agora na tua vida, coisas a que nós chamamos de fake news de notícias falsas.
00:00:17:20 – 00:00:42:14
Como é que estamos comprovando conceitos antigos e falsas? Estamos. Estamos com um problema de conceitos que já vem muito de trás esta confusão entre conceitos, porque fake news é um conceito que se anula por si próprio. A meu ver, sabemos quem é que inventou isto, não sabemos quem popularizou nos últimos anos. Vem ali dos lados dos Estados Unidos da América, mas não sabemos qual foi a primeira origem do termo.
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De todo. Mas há um termo que se esgota em si próprio, porque uma notícia para ser notícia tem que ser primeiro novidade. É uma novidade que seja verdade verdadeira. E, portanto, eu dizer que é um termo que se esgota em si mesmo é uma contradição e, portanto, a meu ver, não é o termo correto para nos falarmos sobre isso, Sobre esta temática, como é que lhe podemos chamar?
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Na verdade, não é um termo tão sedutor como fake news. Pelo menos ainda não inventaram um boato, um boato. Desinformação, no sentido mais lato do termo é, mas um boato mesmo assim, é um termo que eu considero mais científico do que fake news para nos para falarmos destes aspetos. Ainda estamos, portanto, a investigar. Olha, aconteceu uma coisa quando nós falamos a primeira vez, estávamos poucos dias depois e a recuperar do nosso apagão.
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E este apagão trouxe uma má notícia na realidade, que é ao invés daquilo que costuma acontecer que nós vamos importando e traduzindo e espalhando desinformação que foi produzida noutros países. Desta vez, algum português, alguma entidade ou pessoa decidiu criativamente aproveitar o apagão e a vulnerabilidade que todos nós sentimos naquelas horas para criar informação falsa, para criar desinformação de uma forma aparentemente deliberada.
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Que informação foi esta? Primeiro, tudo foi uma novidade. Como introduzir este tema? E eu costumo falar com vários colegas europeus de outros órgãos de hacking. Eu costumo brincar com eles a dizer que nada acontece primeiro em Portugal, nem em termos de informação, mas eventualmente tudo acaba por chegar cá. E desinformação é igual um padrão muito grande de informação que nós sentimos aqui em Portugal e que por um lado é bom por nos dar tempo para preparar nos, para reagir, para reagir.
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Nós já sabemos quais são as narrativas que nós vimos lá fora. Isso falando no contexto europeu e que irão chegar cá, dá nos tempo de reação. Por outro lado, quando essa narrativa de informação chegar a Portugal, já também vem ela mais robusta. Já não é aquele de tentativa e erro. Quem espalha desinformação já sabe o que funciona e já sabe o que não funciona e, portanto, vai usar e testar num novo país ou num novo mercado, numa nova rede, aquela maneira que é mais eficaz do que a anterior.
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A receita que já está muito aprimorada. E já agora, de onde é que ela vem? Nós conseguimos ver os vetores, de onde é que ela vem, se vem dos Estados Unidos, se vem do Brasil, se vem de Espanha, Aquele lado, se vai indo de Europa de Leste. Não faço ideia. Consegue se estudar este percurso? Muitas vezes sim, outras vezes não.
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Muita da desinformação, aquela que é mais conhecida por ser organizada, vem neste caso da Rússia e na chamada troll da Rússia. O que é que mataram um sector? Uma fábrica é uma fábrica de trolls? É exactamente uma agência. Quase. Acaba por ser quase. E basicamente temos uma sala repleta. Passo um exagero, obviamente, de robôs ou de pessoas que são pagas para fomentar robôs que espalham por eles próprios desinformação e fazem isso como primeiro produzem e escrevem na Imagine, replicam, usam inteligência artificial para fazer essa réplica e vão conquistando território, literalmente em termos de informação ao longo da Europa.
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E por tentativa e erro, portanto, vão publicando várias coisas. Imagino que nas línguas nativas de cada país e vão vendo o índice de viralização de como é que aquilo vai progredindo exatamente nesse aspeto, há um exemplo paradigmático, que é um site que se chama Pravda, que tem, que vem da Rússia e que tem versões em muitos países europeus, incluindo em Portugal.
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O Pravda, que é o nome do jornal soviético de Moscovo ou é um outro Pravda? É um outro, é um outro para um outro Pravda, Mas sim, mas eles estão a construir este site como uma espécie de filial em cada país em que procura. Por vezes não é só desinformação, é potenciar notícias pró-Rússia de alguma forma. Portanto, eles misturam ali um conceito de desinformação, de notícias parciais, misturam tudo um pouco.
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Mas isto para dizer em volta de um bocadinho atrás, a tua primeira questão. De facto, este tema é muito intrincado entre si, mas de facto foi a primeira vez, pelo menos, que se tenha detectado que um fenómeno de desinformação começou em Portugal, que não tive essa porque na minha pesquisa encontrei quatro informações erróneas ou negativas ou fake news, se quisermos, que apareceram aproveitando o apagão.
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Que notícias foram estas? Qual foi a primeira? Qual foi a Portuguesa? Qual é aquela que tem made in Portugal? Tem origem portuguesa e aqui também a fonte foi uma. É leve do ISCTE e que detetou e estudou este fenómeno em primeiro lugar e que terá apontado a origem como portuguesa. Pensei que me ia dizer quem é que tinha feito a notícia mesmo, quem é que teria enviado.
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Infelizmente não chegámos lá, não chegamos ainda, pelo menos, mas basicamente colocou enquanto fonte a CNN internacional, neste caso até da Bélgica, se não estou em erro e colocou através dessa citação palavras na presidente da Comissão Europeia, a presidente Ursula Merlin, a afirmar que este fenómeno tinha tido origem em um ataque cibernético russo. Portanto, esta foi a nossa grande inovação portuguesa.
00:05:50:03 – 00:06:12:22
A desinformação começou cá e depois espalhou se para Espanha muito rapidamente e foi inclusivamente também devida aqui ao trabalho dos colegas de traduzir para russo. Portanto, a notícia que começou em Portugal em português, fez o caminho contrário, espalhou se para Espanha e chegou a línguas como polaco e russo. São aquelas que eu me consigo recordar agora de cabeça, para fazer todo esse caminho de desinformação.
00:06:12:22 – 00:06:42:02
Neste caso, daqui para para lá. Olha, vamos fazer uma autópsia desta notícia. Em primeiro lugar, fator de credibilidade cita um órgão de comunicação credível, a CNN, neste caso do centro da Europa. Mas é a CNN que nós conhecemos, cita uma fonte europeia credível. Vanda Lynn Portanto, tem lá a citação e fala de uma coisa que, à primeira vista, nos pode fazer sentido na nossa cabeça que se isto aconteceu com esta gravidade, nunca tinha acontecido.
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Num contexto em que há guerra na Europa, então há a possibilidade de que seja um qualquer ataque informático, pirataria, informática, sabotagem, seja o que for, pode ter este a uma coerência interna da notícia falsa. Sim, acaba por haver. É o que estamos a falar. É cada vez mais relevante, até em contexto nacional, que é a utilização da credibilidade dos meios de comunicação credíveis oficiais para espalhar a desinformação.
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E nós temos visto isto não só neste caso do apagão que neste caso foi utilizada sem o nome da CNN internacional, mas também noutros casos mais portugueses, até em que foram utilizados leiautes de alguns jornais, neste caso online militar em mente para fazer passar uma notícia que não tinha, não existia, portanto era uma. Era uma questão de desinformação, usando os mesmos logótipos, usando as mesmas cores, usando os mesmos grafismos.
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Portanto, nós olhamos e aquilo transpira a verdade. Exactamente como obviamente isto veio aqui, obviamente, não só através da citação, mas um grafismo muito reconhecido. Não é preciso ter o logotipo do jornal, ou seja, os grafismos são muito identitários, não é? Tal como tal, como o nome indica e as marcas são muito reconhecidas. E essa utilização é um beabá de quem quer desinformar, utilizar a nossa credibilidade para quê?
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Para nos descredibilizar ao mesmo tempo que passa a sua mensagem. Olha a segunda das notícias que apareceu nesse dia e da explicação de porque é que falhou. Luz é um fenómeno dizendo que isto foi causado por um fenómeno atmosférico raro e que neste caso não era propriamente explicado o que é que é. Mas esta notícia teve o condão de se espalhar ainda mais rapidamente e de contaminar ela própria, órgão de comunicação oficiais, informais e jornalísticos.
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Exactamente. Enquanto que no primeiro caso nós não sabemos. Mas pode ter simplesmente sido alguém que se lembrou que era uma possibilidade e começou a espalhar esta este tipo de desinformação. Este caso do fenómeno atmosférico raro foi mais complexo porque terá tido origem, ou pelo menos foi essa a situação na própria agência Reuters. Portanto, os órgãos de comunicação social acabaram por noticiar algo que receberam de uma agência que é ela própria credível e, portanto, replicaram e portanto, replicaram.
00:08:55:11 – 00:09:17:08
Depois, quando a agência retirou destaque essa notícia, o mau resultado o mal já estava feito e, como todos nós sabemos desmentir, nunca chegar às mesmas pessoas que receberam informação, sobretudo em momentos de crise e em momentos de crise, como nos se pode incluir. O apagão É quando a desinformação tem terreno fértil para para agir e para conseguir impactar mais pessoas.
00:09:17:12 – 00:09:42:17
E foi basicamente que aconteceu a terceira das quatro notícias que por aí andaram a saltar. Curiosamente, a desinformação que apesar do apagão ter apagado as redes sociais, apesar de tudo, teve essa capacidade de sobrevivência. E a última delas é o anúncio falso que sabemos que nunca foi feito nem pela rede, nem player redes, nem pela EDP, nem por ninguém.
00:09:42:19 – 00:10:16:13
De que falhou a luz? Isto vai demorar pelo -70 e duas horas a voltarmos a ter, portanto, no fundo, um par de dias para conseguir recuperar. Curiosamente, esta notícia, esta não notícia, esta falsidade, aparece logo nas primeiras horas, quando a luz tinha falhado e só volta daqui a duas horas. Exactamente e também por acaso. Muito interessante este estudo de caso que estamos aqui a trazer, porque ele ilustra tudo o que a desinformação costuma fazer com todos os temas e neste caso é usar a emoção e o alarmismo para conseguir criar um terreno fértil para a desinformação se espalhar.
00:10:16:13 – 00:10:37:04
Ficamos assustados, por um lado, claro e por outro lado, existe um contexto favorável. Que é isto? Neste caso a luz falhou e eu estou assustado. E faz me sentido que a minha expectativa é que daqui a 15 minutos a luz se ligue. A luz não vem, Alguém terá dito Lá está o rumor daqui a 70 e duas horas.
00:10:37:06 – 00:11:00:07
E eu digo a cada minuto que passa, a cada hora que passa. Mais credível é esta falsidade, sem dúvida nenhuma, porque não temos instantaneamente a prova de que se trata de uma falsidade. Mesmo não havendo uma fonte, mesmo não havendo nenhuma fonte que confirme. E se esta esta falsidade, digamos assim, De facto, enquanto a luz não volta, nós não temos provas.
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Pode efectivamente demorar 72 horas. Não temos como provar que não vai demorar antes do fenómeno acontecer. E em princípio acreditamos e em princípio, muita gente é vulnerável a essa informação exatamente porque mexe com emoção e mas com o receio das pessoas. É basicamente uma receita também transnacional da desinformação. E é. Eu também tenho de dar esta nota. Além disto acontecer muito por corrente no WhatsApp.
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Neste caso foi no WhatsApp. Eu próprio recebi de forma orgânica esta notícia em grupos gerais onde estou. Os teus amigos mandaram sim. Portanto, esta ideia das redes sociais não é só o Facebook, o Instagram é o Tic-Tac. Há aqui uma rede diversificada de todos nós que estamos ligados via WhatsApp ou SMS, o que for, que podemos rapidamente propagar uma informação verdadeira ou falsa para grupos gigantescos de pessoas que podem per si também criar uma uma corrente.
00:11:53:09 – 00:12:17:15
Faz me lembrar antigamente aquele aquelas coisas que nós recebemos inicialmente no Facebook e se não partilhar esta este email com mais sete pessoas, vai ter uma vida desgraçada e isso partilhar com 14, então vai ganhar a alegria de Natal. Exacto, essas correntes já não existem como existiam antes, lá nos tempos do email e do MSN até hoje. E do que você está tentando apagar o tempo?
00:12:17:17 – 00:12:40:17
Temos aqui, temos aqui os. O tablet também quer falar connosco aqui, o computador aqui da frente tivemos a revolta das máquinas. A revolta das máquinas começou aqui. Eu peço desculpa, mas eu não concordo com aquilo que vocês estão a dizer e portanto, eu também quero dizer qualquer coisa. Exactamente. Mas o WhatsApp, em momentos especialmente de crise, é a rede social, porque podemos considerá lo uma rede social mais utilizada para espalhar este tipo de informação, porque é muito rápida.
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E quando nós estamos a falar concretamente de um apagão, é muito mais difícil, se é que as pessoas fazem isso. Vou acreditar que sim e de confirmar outras fontes, ligar a televisão e tentar perceber o que é que está a acontecer. E aproveito exatamente que havia ainda muitas pessoas que tinham dados móveis, mas ali o WhatsApp era algo mais rápido para ficar a conhecer.
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E depois ainda há outra camada que já não tem a ver com desinformação, mas tem a ver com comunicação de crise oficial e que nós tivemos muita confusão até de alguns membros do governo em termos de perspetiva, da resolução do problema que alimentou a esta, este medo e este receio de algo que foi absolutamente inventado nesta altura a não informação e não certeza oficial.
00:13:21:11 – 00:13:49:06
A dúvida ajuda a que este tipo de informação ou de desinformação com que se se propaga ajuda e a informação oficial que é dada, mas sem ter a certeza do que se está a passar e às vezes até com afirmações alarmistas. Que aconteceu neste caso em particular, em que um membro do governo disse e eu posso dizer, porque é um facto, que poderíamos ficar uma semana nesta situação, alimentou claramente esta desinformação.
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Passa a ser um possibilidade. Olha, olhando para estas notícias falsas que para estas três fenómenos de desinformação, até se me perguntar de Filipe nós somos assim tão estúpidos? É uma excelente pergunta. Eu acho que não, não somos, Mas falta. E eu não quero entrar muito por aqui, mas falta alguma literacia mediática a todos nós. Mas a desinformação e a vários tipos de informação.
00:14:15:18 – 00:14:34:18
Isto é importante por acaso, nesta conversa de falarmos, porque a desinformação também ela própria, não é tudo igual, Vamos catalogar, vamos lá para umas etiquetas aqui, vamos catalogar. Não há propriamente uma tradução para o português, mas é uma forma fácil de distinguir desinformação ou desinformação. Em inglês. É aquela desinformação que é criada com o intuito de enganar alguém.
00:14:34:20 – 00:14:56:15
Eu, Filipe, vou criar agora um texto informativo para tentar enganar o Jorge. É uma maldade e uma maldade. Ele quer meter isto deliberadamente para ter um ganho qualquer. Já vamos falar sobre isso, mas eu, deliberadamente e de uma forma maliciosa, vou criar aqui um conteúdo que é para te enganar. Exactamente. Perfeito. Há outro tipo de informação que é a desinformação.
00:14:56:17 – 00:15:18:01
Podemos dizer, por ignorância ou inadvertida, que qualquer um de nós já fomos responsáveis em algum momento da nossa vida. Olha, eu cheguei a acreditar nesta nesta do fenómeno atmosférico raro eu quando ouvires olha, se calhar foi uma cegonha, mas quando outra vez o que é que foi? Um exacto, porque já tinha acontecido antes e portanto poderia ter claramente partilhado esta informação pela por e pelos meus amigos.
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Exactamente, é essa esse tipo de informação em inglês, disse Miss Information. Não temos uma tradução literal para português, temos que estudar isso para conseguir dar um nome que não seja inglês. Mas a Miss Information é isso mesmo. Ou seja, basta eu clicar em partilha na internet em partilhar alguma coisa que eu acho que é verdade, mas não é depois de lerem.
00:15:37:15 – 00:15:58:03
Mas não quero enganar ninguém, ok? Mas partilho olhar para aquilo de certo isto faz sentido. Olha claramente os meus conhecidos, os meus amigos devem conhecer que é isto? E então estamos embora que são exactamente e que nós fazemos isto de ânimo leve quando estamos a falar entre amigos. E eu vou dar um exemplo pessoal que foi não tem dano nenhum porque é um tema muito leve.
00:15:58:03 – 00:16:27:04
Estamos a falar de desporto, mas eu próprio há alguns dias nem foi há muito, há muito tempo, recebi um tweet. Ainda se diz que White não dirá sempre exactamente um x em x x x x de uma página de paródia sobre basquetebol NBA. Neste caso. E eu não reparei que era uma página de paródia e partilhei sem pensar para um grupo de pessoas minhas amigas que gostam de basket desgraçadas e elas respondem Não percebe que isto é uma página de paródia?
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Tu não trabalhas no polir verbal? Que vergonha! Pois de facto isto acontece a qualquer um. Não é preciso de facto não estar sequer na área e não saberem que isto acontece. Como podemos ser vítimas de desinformação? E nesse caso fui uma Miss information. Eu não tive intenção de partilhar essa notícia que era de paródia, ok, mas a partir do momento em que eu a partilho a achar que é real, eu estou a espalhar a informação para todo o mesmo.
00:16:50:23 – 00:17:23:15
Isto significa que nos fascinam as histórias apenas pelas histórias e de que alguma coisa pode estar tão bem. A fábula pode estar tão bem montada que nós, apesar disso, desligamos o nosso sentido crítico para e pelo gozo, pelo prazer, ou simplesmente porque achamos que aquilo é divertido ou comunicável. Podemos ajudar a polinizar e a espalhar esta, a espalhar esta informação e aquele clichê de às vezes a mentira é uma história mais interessante do que a verdade.
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Não, não dá. Deixes, Não deixe, na verdade, estragar uma boa história. Eis a alternativa. É exactamente exactamente perfeito. E muitas vezes existe de facto essa noção. Outras vezes. E mais uma vez, voltando aqui aos momentos de crise em que o apagado também se insere, acaba por ser quase um sentido desesperado de pertencer um grupo que está naquela mesma situação de incerteza.
00:17:44:10 – 00:18:07:20
Então eu vou continuar a alimentar essa incerteza, porque eu estou com receio por uma solidariedade na estupidez, Não. Se quiser chamar assim, acho que diria estamos aqui, não temos respostas. Vamos aqui à procura. Olha, tu neste momento trabalhas no polígrafo. Como é que nós podemos definir de uma forma que toda a gente perceba o que é esta, este fact checking extra, esta verificação de factos?
00:18:07:22 – 00:18:32:09
O que que o que é que o teu trabalho, que que tu fazes? Todos os dias Senta se no teu computador e qual Indiana Jones, vais com o teu? Vais com o teu arpão em busca de em busca de uma notícia que te pareça falsa. Olha, eu vou começar pelo aquilo que eu acho que é uma resposta mais ambiciosa naquilo que nós fazemos, no polir, que é um trabalho que procura aprofundar a democracia.
00:18:32:11 – 00:18:58:15
Em que sentido? No sentido de responsabilidade, de responsabilizar, aqui, no lado político da questão, os nossos protagonistas perceberem que não podem afirmar algo sem ter os dados do seu lado. Porque? Porque sabem que neste caso não foi um verificador de factos que está atento. Isso não acontecia tanto e não acontecia tanto. Não porque o jornalismo estava desatento, mas porque este formato permite nos ter tempo para só nos focarmos nisso.
00:18:58:20 – 00:19:25:10
Portanto, é uma espécie de especialização neste neste formato. Portanto, tu és um misto de radar e de semáforo, avisando desde logo e à cabeça quem é mais importante, quem ocupa mais espaço mediático. Cuidado pela língua. Se tiver aqui um pequeno deslize, uma mentirinha mais ou menos grave e eu vou pôr um carimbo a dizer isto é mais ou menos verdade ou isto é completamente mentira.
00:19:25:12 – 00:19:43:21
Exactamente. Deve ter muitos amigos. Já tive mais, eu já tive mais. Mas ao longo da vida os amigos vão diminuindo, vão ficando os bons. Mas na verdade é exactamente isso. Ou seja, o que nós fazemos acaba por ser um bocadinho agressivo nesse sentido, porque não há nada mais agressivo do que dizer a alguém. Mentiste e mentiste no ar.
00:19:43:21 – 00:20:14:02
Mentiste na Assembleia da República ou num programa de televisão, seja aquilo que for. Portanto, o que nós fazemos acaba por ser isso, mas nós também não o fazemos de forma gratuita. E dando aqui um exemplo muito claro, se nós contexto, verificarmos uma alegação falsa de um político, estamos a falar sobretudo de políticos e no entanto, contactamos a sua equipa, a sua assessoria e eles nos dizem que de facto foi um lapso naquele momento, uma gafe, uma gafe, mas que à noite têm um comício e vão corrigir essa gafe, Ok.
00:20:14:02 – 00:20:38:03
Portanto, foi um erro. No fundo, no centro, sem nenhuma vontade, aconteceu simplesmente numa situação, num facto, nalguma coisa. É mentira. Enfim, foi uma consequência apenas do processo de comunicação, exactamente imperfeito por definição e por natureza. Exactamente isso mesmo. E se essa mentira não escalou para um acontecimento, não é que não foi uma dimensão que causou dano. Nós não vamos explicar o facto.
00:20:38:05 – 00:21:01:09
Vai esperar, Vai. Vai mesmo curtir a noite no comício? Ok, corrigiu. Não, não temos nenhuma notícia. Não há notícia exactamente de uma gafe. E então o contrário, que é a informação que é deliberadamente manipulada de propósito E para conseguir ganhos de popularidade, de votos ou de proximidade com os cidadãos, ou mesmo enganá los. É isso. É para isso que existimos.
00:21:01:09 – 00:21:34:16
Exactamente para tentar que, nesse processo muito específico da Declaração ao país, as pessoas, aos eleitores usando todos, saibam que existe, neste caso um jornal digital e um programa de televisão também que está atento, que vai dizer de facto, vai verificar o facto. É tão simples quanto isto. O que nós temos sentido e é um sintoma. Diria que o nosso trabalho funciona e que temos sentido antes do polígrafo e depois do polígrafo, a maior preparação das estruturas partidárias.
00:21:34:17 – 00:21:57:17
Deixem me lá verificar o que é que eu vou dizer exactamente. Ou seja, hoje em dia isto não acontecia antes a todas assessorias e eu diria que, sem exceção, têm os seus dados muito preparados. Assim como um jornalista nós os contacta. Isso antes não acontecia. Muitas vezes não conseguiam dizer onde é que foram buscar aqueles números. São números internos, alguém diz qualquer coisa, mas entrevistam exatamente aqueles que estão hoje em dia.
00:21:57:17 – 00:22:24:21
Eles já nos indicam esses números com raras exceções, em que estão mesmo a criar falsidades de propósito. Olha aí como é que nós falamos do desporto Agora falamos dos aspetos mais políticos, dado que é em momentos até de campanha os ânimos estão muito alterados. É muito acicatar nos entre entre e entre todos. Como é que tu lidas depois com a raiva?
00:22:24:21 – 00:22:47:14
Não sei se a raiva, com o descontentamento, com a frustração, com a zanga contigo, porque tu estás a verificar aquilo que este político ou aquilo que é da minha simpatia disse é que eu acho que tu, afinal o que estás a fazer é política, estás é a perseguir aquilo que eu digo bem que faz parte do trabalho. Isso depende, obviamente, dessa reação.
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Quando são reações, nós obviamente não. Nós não nos sentimos pressionados. O nosso trabalho é preciso dizer isso são diretas? São Existem. Em que sentido? Existem protestos? Existem. Existem protestos todos os dias. E são e são. Se têm, tem cara, têm rosto, tem nome ou está escondidos algures no âmago. Mas há protestos todos os dias. Mas ainda bem que usar, Nós não ficaríamos muito tristes se ninguém se importar.
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Se ninguém liga nenhuma ao nosso trabalho a ver o protesto. Se de facto é um boom, é um bom sinal. Mas obviamente que no final do dia prevalece o facto e prevalece o trabalho jornalístico. No fundo, portanto, os protestos podem existir, fazem parte, que exista, mas nós temos que lidar com eles de forma muito natural. Até eu estou pronto para isto, porque vemos até no caso das figuras públicas, quando fazem alguma coisa, quando quando cometem uma gafe, quando ou quando, pura e simplesmente dizem que não gostam de determinada coisa.
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Fenómenos muitíssimo tóxicos de, a coberto do anonimato e das redes sociais, de atacar aquela personalidade, de atacar mesmo de uma forma completamente visceral e selvagem. Por isso é que eu estava a perguntar sobre como é que tu escolhes as frases ou declarações que merecem ser verificadas ou não. Mas desde logo, o valor notícia é o mesmo. Portanto, o tema não é em si o tema que está na agenda mediática.
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É um tema que nós, por norma, vamos verificar se produziu uma notícia, se alguém é importante, se alguma coisa relevante ou se o tema que é tratado é relevante para a sociedade. Temos aí a primeira bandeirinha para falar, a primeira e a principal. Nesse aspeto, nada distingue um trabalho no jornal generalista do trabalho do político. É como é que tu vou dizer depois como é que tu vais validar isto?
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E eu imagino que tu tenhas muitas frases e muitas declarações e muitas pessoas a falar como é que tu vais selecionar aquelas que vais dedicar o teu tempo e energia, as tuas ferramentas para encontrar e para questionar e para e para depois garantir. Lá está o teu selo de amarelo, mais ou menos ou de vermelho. Isto é, mas usa o verde.
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Afinal estava a dizer verdade. Depende do formato. Estamos a falar de protagonistas e de frases delegações de protagonistas depende muito do formato. Por exemplo, agora em campanha eleitoral, tivemos um programa diário após debates maior, após debates no polígrafo, a ouvir o que é que os candidatos disseram em tempo real e depois a carimbar exactamente. Ou seja, aí, como é um processo muito rápido, o que é que nós fazemos?
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Pegamos naquilo que achamos mais relevante e temos valor, Notícia num ou noutro aspecto prático, mas importante também muitas vezes as mentiras e ou as falsidades, as meias verdades são retidas. Ou seja, nós já fizemos esse trabalho antes de verificarmos aquilo. Antes já faz parte da narrativa exata aquele candidato. Exacto. E que ferramentas é que tu usas? Tu que alguém disse Se eu disser agora esta sala é obviamente vermelha, certo?
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E tu, como e como é que tu vais verificar? Quer dizer, aqui neste caso tu olhas e diz Claro que não é vermelha este não estás a ver bem esta coisa, Mas como é que tu? Como é que tu vais verificar que ferramentas é que usas os computadores? Usas inteligência artificial? Usas o que? O que usas? Tu? Normalmente é quando estamos a falar de verificações muito rápidas.
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Ainda não há uma integração de inteligência artificial no nosso trabalho. Portanto, há um processo jornalístico de consulta de fontes, muitas vezes narrativas de falsidade dos nossos políticos ainda são manobras com números. Portanto, os portais da transparência desta vida ainda são uma ferramenta que estão no separador sempre aberto dos nossos computadores. E quando digo Portal da Transparência do SNS, digo também tudo o que é fontes oficiais, porque é muito, passa muito por aí.
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A ginasta tica dos números que dizem que os políticos, como dizem no debate e eles dizem determinada coisa e conseguem dizer existem 1 milhão de estão desempregados e tu pimba, vais ao Instituto Nacional de Emprego e afinal são 999, ok? E esta passa se para metade. Vamos embora e se calhar vale a pena. Exactamente. É exactamente isso, exatamente isso que fazemos neste contexto de política, por assim dizer.
00:26:45:12 – 00:27:05:03
Quando nós saímos um bocadinho da política e vamos para aqueles temas mais sociais, há outra coisa que distingue o nosso método é a nossa escolha daquilo que tratamos, que é o conceito de viralidade nas redes sociais. Se se pegou ou não pegou exactamente, Ou seja, se esta desinformação no fundo já chegou a muita gente ou não, ou tem potencial de chegar a muita gente ou não.
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Isso interessa te, isso interessa, Interessa bastante. Primeiro tudo porque já no primeiro aspeto já há um dano causado. Ou seja, muitas pessoas já tiveram contato com aquela desinformação pela potencial idade de viralidade. E aí utilizamos inteligência artificial, ferramentas que nos dizem que aquela publicação pode chegar a X pessoas. Ok, E então vai ter eleição e aí vamos ter atenção.
00:27:26:19 – 00:27:54:21
Olha, mas o que me interessa a mim, que acabei de abrir a minha página do Facebook é uma ferramenta já quase arqueológica, mas mais vale sempre olhar para lá ou no meu Instagram ou no meu desktop que não interessa. E eu acabei de ver uma informação que tu estás a investigar e que tu percebes que é uma informação falsa, mas ela vai continuando a percorrer o seu caminho e as suas partilhas e portanto, vai tendo esse potencial de viralização.
00:27:54:23 – 00:28:17:01
Mas eu não faço a mínima ideia o que é que o polígrafo disse. Estou agora no meu Instagram ou Facebook. Não vou sempre ter uma página aberta com o polígrafo para tentar comparar aquelas coisas. Portanto, a tua vacina é difícil de deparar depois deste movimento ou há maneiras de o fazer? Há formas de o fazer. Ainda bem que que fala disso, porque é uma parte também importante do nosso trabalho.
00:28:17:05 – 00:28:41:10
Mas antes disso, ainda ontem estive num evento com jovens e fiz a pergunta infeliz de que quem que utiliza o Facebook como rede social é o silêncio. Eles saíram da sala e eles saíram da sala e disseram Não queremos ouvir isto. E em vez de eu já não tem nada para nos ensinar. E assim eu estou. Ontem no Instagram por acaso, fui surpreendido com uma maioria de respostas do Instagram e não do Tic-Tac.
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Eu pensei que já tínhamos invertido essa onda, mas pelo não, eles continuam lá, continuam lá, o que quer dizer que estão lá a perceber que aquilo que é, que o que é que a malta nova está a gostar tanto de rapidez e de entretenimento. Portanto, aquela rede social é claramente virada para o entretenimento. Ainda não é também utilizada para outros fins, mas é claramente entretenimento, claro.
00:28:59:07 – 00:29:19:23
Em vez de chegar a casa depois do trabalho, nos casa, depois universidade da escola é ligar a televisão. Como nós fazíamos antes. Eles ligam o feed do dia e vão saltando, saltando central. Controlam o tempo, controlam o que estão a ver de facto o algoritmo. Vão, vão, vai respondendo assim fake news também no tic tac. Sim, muitas fake news no tic tac.
00:29:20:00 – 00:29:38:02
E aproveita essa pergunta para voltar aqui atrás e explicar o nosso trabalho no Facebook, no Instagram e também no TIC. Toca o Polígrafo tem uma parceria oficial com a meta plataforma do Facebook e do Instagram, que é exactamente para permitir que uma pessoa não tenha que estar com o site do polígrafo ao lado para verificar se uma informação é verdadeira ou não.
00:29:38:08 – 00:30:02:18
Até porque nós, independentemente do bom trabalho que fazemos, não conseguimos chegar a todo o lado. Tens lá um semáforo? Não, porque eu nunca vi lá nenhuma indicação de coisa para se manter sequer. Falsa ou não, tu consegues detetar lá. Depende. Quando nós fazemos basicamente nessa parceria, comenta. Nós temos uma ferramenta própria de trabalho com eles em que vamos verificar, por exemplo, um post que é de facto de informação.
00:30:02:20 – 00:30:23:18
Nós fazemos um artigo para o nosso site, para o nosso jornal online, se tiver valor, notícia. Para isso e ao mesmo tempo reportamos ao Facebook, este post tem de informação. O que é que eles vão fazer? Vão colocar isto? Nós em Portugal? Polígrafo em Portugal temos os nossos colegas fact hackers em toda a Europa, em todo o mundo, até há bem pouco tempo e já podemos ir aí a seguir.
00:30:23:20 – 00:30:50:08
E o Facebook vai colocar uma etiqueta em baixo daquela publicação a dizer que tinha hackers independentes. Verificaram esta publicação e descobriram que existe informação falsa. Saiba mais aqui e esse link vai linkar para o nosso site. Ou seja, um utilizador do Facebook está a percorrer o seu feed. E se essa publicação que foi verificada tem que ser verificada, claro, ainda não há um automatismo em toda a instância for verificada pelo polígrafo.
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Eles têm essa etiqueta, Portanto, temos uma catalogação de notícias que são potencial ou realmente falta? Sim, e está provado até pela estudo mais recente que eu conheço é da Universidade de Michigan e que está provado que essa etiqueta diminui a probabilidade de partilha desse desporto que está catalogado em cerca de 33%, dado que tu tens uma parceria com meta, por que é que não metes uma cunha para que aquilo desapareça do feed?
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Isso é uma excelente questão e é exatamente aí que os hackers não querem estar nessa discussão, porque isso é que não dava jeito. Não é que exista. Verificar se a informação é falsa choca com a liberdade de expressão de alguma maneira. Sim, porque desinformação que não causa dano não é crime. Não é. Pelo menos ainda é apenas uma fábula.
00:31:37:24 – 00:32:14:10
Exatamente. Ou seja, o nosso trabalho é dar mais informação. Não é censurar nenhuma informação só para concluir depois as políticas que a meta coloca na sua plataforma já é com a meta, já não é com o nosso trabalho. Jornalista Cabe apenas verificar. Olha as redes sociais são vilãs? São vítimas ou são beneficiárias deste género de informação? Como dizia um grande pensador na nossa sociedade, ambas as duas, ambas as duas, porque são beneficiárias de desinformação no sentido em que há formas de ganhar com a informação.
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E esta é uma afirmação que pode ser chocante, mas é como é que se ganha dinheiro com desinformação. Basta não ter mecanismos que bloqueiem patrocínios, ou seja, posts patrocinados por quem quer espalhar desinformação. É muito diretamente. Isso faz com que as plataformas ganhar com essa desinformação. Portanto, se eu colocar uma informação que é falsa, o que é enganadora de uma forma deliberada ou não deliberada, e as pessoas forem clicando e eu comprar publicidade, logo as pessoas vão clicar mais em partilhar mais, logo a minha publicidade vai ser mais exposta logo.
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Obviamente eu que vendo o serviço de publicidade, ganhe mais dinheiro. Exactamente. É exactamente isso. Isso é claramente taxativo, não é? Plataformas em que incluo também tamanho de todas elas não ganham dinheiro com desinformação. Então e as pessoas que publicam esta tipo de informação maliciosa, este marketing negro, se quisermos, depois ganham dinheiro como vendem produtos à volta disso? Por vezes sim.
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Por vezes, naquelas publicações que são chamadas de esquemas a um produto final que eles estão a tentar comercializar. Noutro aspecto, quando há interesses que não são lucrativos, não são de negócio, pode simplesmente ser um interesse político, um interesse de causar confusão, de descredibilizar as instituições democráticas. Nós temos visto muito isso também. E sobre isso, no ano passado, também com o trabalho dos nossos colegas da Media Lab, nós vimos que pela primeira vez foi identificada uma tentativa de interferência estrangeira exactamente através de anúncios, neste caso no YouTube.
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Nas eleições portuguesas de 2024 foi há muito pouco tempo. Parece que estamos a falar de muitas eleições. Já passaram dois anos, já passaram duas vezes, até porque aqui interferência é essa. Como é que? Como é que tu consegues entrar na cabeça das pessoas e tentar, enfim, que elas alterem o teu voto à vontade? Ou que o que estão a fazer por vezes é colocar.
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É simplesmente tão simples como colocar questões novamente na esfera mediática. No caso muito concreto do que aconteceu em 2024, foram ambos vídeos promovidos através de YouTube, um deles acusando tanto José Sócrates como António Costa de corrupção com informações falsas associadas e o outro, pelo contrário. Era um vídeo que também tinha nuances de informação, mas que, sobretudo teve o objetivo de colocar as medidas do tempo da troika novamente na lembrança de quem via aquele vídeo.
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Ou seja, foram dois vídeos pagos pela mesma entidade que nós não conseguimos saber quem está ligada a uma empresa com sede de Delaware, nos Estados Unidos, mas obviamente que é muito pouco provável, muito pouco provável que não seja apenas uma máscara para tentar esconder de onde é que realmente surgiu. E são dois vídeos que atacam do espectro partidário a esquerda e a direita, à esquerda e à direita.
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Mas no fundo isso acaba por ser fácil de raciocinar, que no fundo, querem descredibilizar a democracia e os partidos fundadores da democracia portuguesa. Neste caso e estas, este género de informação. E agora, com o advento da inteligência artificial, nós até agora ainda conseguimos ir vendo coisas grosseiras, montagens quase de colagens de escola primária. Mas eis que subitamente, a inteligência artificial nos começa a oferecer ferramentas em que pode gravar um vídeo que nunca existiu, com nós dois usando a nossa voz, usando um pedacinho desta gravação que nós estamos a fazer e pondo nos a dizer coisas que nós nunca dissemos e que ninguém vai perceber logo à primeira vista, de forma cada vez mais perfeita, que
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aquilo é uma mentira. Onde está a eterna luta entre o bem do mal, a verdade e a mentira? Morreu, Ganhou a mentira. Não sei se é uma mentira, mas eu acho honestamente que nós vamos entrar. Se ainda não estamos lá, Vamos entrar claramente num mundo cada vez mais distópico, em que essa confusão entre verdade e mentira vai ser cada vez mais difícil de distinguir, vai ser cada vez mais difícil distinguir a verdade da mentira exactamente por isso, ou seja, a inteligência artificial vem trazer um leque de possibilidades gigantes a quem quer desinformar, que são muito difíceis de detectar hoje em dia.
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No nosso trabalho, nós detetamos vídeos de inteligência artificial que são efetivamente muito mal feitos e nós já vimos que mesmo assim, esses vídeos já enganam muitas pessoas. E isto é paradigmático. Pessoas a falar em português do Brasil e depois em português de Portugal, pessoas que dizem os números em inglês e mesmo assim as pessoas acreditam que esse vídeo é verdadeiro, portanto nós podemos imaginar.
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Ok, se isto acontece agora, vamos imaginar quando os vídeos forem de facto perfeitos, chamadas de IP fakes. E depois uma coisa também que aconteceu ontem Natal são como com jovens e que também me surpreendeu neste caso, um bocadinho pela negativa. Eu perguntei lhes o que é que e qual era o conceito deles de clickbait e de deep fake.
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Ok, espera, vamos fazer uma pausa, ok? Para as pessoas que definitivamente não estão no teu universo, o que é deep sick e o que é que é click bait? Exatamente, Vamos lá. Mas eu fiquei desconcertado porque os jovens não sabiam que era deep feita e dip fake está intimamente ligada à inteligência artificial, porque no fundo é um vídeo gerado por inteligência artificial que te coloca lá estar com a tua cara, com a tua voz a dizer algo que tu nunca disseste na vida.
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É uma mentira completa que transpira verdade exatamente por muitos. É muito difícil quando é bem feita de distinguir, muito difícil de perceber. E vai ser cada vez mais um clickbait também só aqui nesta esfera de desinformação. Mas é algo muito antigo, ou seja, um clickbait no fundo, e é um título, um lide que seja feito. Isto, com o advento das redes sociais, começou a ser feito até por órgãos de comunicação social.
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Muitas vezes o que me choca choca nos hoje porque quer dizer, supostamente um título seria uma coisa informativa. Domingo o jogador X não joga porque deu cabo de um pé, responde a algo e logo tem uma resposta. Nós. O que nós encontramos agora na imprensa clássica, no jornalismo e veja o que aconteceu a este jogador. Exatamente. Isso é clickbait.
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É levar ao clique. Diz me lá o que é que aconteceu. Quer dizer, não é a lógica da vida, é dizer me o que é que está, o que é que está a acontecer. Olha, se a inteligência artificial pode ser o o culpado, o mau desta história, não podemos pôr a inteligência artificial a caçar ela própria, este, este e este seu gêmeo que cria coisas más.
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Podemos e devemos, aliás, é a única forma de fazer. A única forma de combater a parte má da inteligência artificial é usar a parte boa da inteligência artificial. É que parece um paradoxo, mas não é. Porque só com essas ferramentas é que nós vamos conseguir. De facto, de forma automática, é que a nossa capacidade humana já de pouco nos valeu.
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Na parte da identificação vale depois da parte do desmascarar e do contextualizar. Isso vai ser sempre preciso uma parte humana, mas a identificação de facto, a rapidez e assertividade de identificação de uma falsidade gerada por inteligência artificial e dependem dessas ferramentas e nós utilizamos já hoje no processo de checagem. Na verdade, utilizamos ferramentas de inteligência artificial para descobrir qual foi a primeira vez que determinada imagem apareceu na internet, porque uma algo muito utilizado na desinformação também é utilizar imagens antigas para fazê las passar como atuais.
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Vemos isso nos conflitos, nas guerras, porque é exatamente isso. Vejam este atentado que aconteceu ontem à tarde e aquilo que são imagens de há quatro anos num sítio completamente diferente. Houve um exemplo muito ilustrativo disso, que era um trailer de um videojogo que passou como um cenário na invasão da Ucrânia e era um videojogo. Só que como os gráficos eram tão bons, passou de facto como algo real e que muita gente acreditou.
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De facto estava a acontecer. Como é que nós apostamos na literacia digital e ensinamos as pessoas a distinguir o real do falso? Pergunta que tem uma resposta complexa é nada sexy. Porquê? Porque o jornalismo não chega. Obviamente, o jornalismo apenas pode chegar a uma parte e o facto é que tem que também me esquecer disto. Tem que uma diferença de conceito.
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O próprio facto é que o que está a evoluir exatamente para tentar responder a isso. É isso que eu levo aqui. Primeiro porque o fact checking é muito conhecido até. E justamente porque é aquilo que nós fazemos mais hoje em dia, em como desmentir uma alegação porque está a acontecer naquele momento. E obviamente que isso é importante porque estanca, não estanca a desinformação ou pelo menos no caso político, acaba por impedir que alguns protagonistas voltem a afirmar aquela narrativa, porém, é pouco.
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Não vale muito no sentido de literacia mediática. Precisamos de criar o Diário de Desinformação para totós ou também isso não resolve o problema e é uma excelente ideia. Obrigado por isso. Não porque quer dizer, só para tentarmos no fundo ver que se podemos criar isso, essa vacina, essa super poder. Olho agora para aqueles que fazem checking, que é quem vigia os vigilantes.
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Isto é o que me garante que tu estás a fazer um trabalho e a verificar factos que são verdadeiros e falsos e que tens esse interesse e que subitamente não possa haver um organismo ali ao lado que também se auto autointitula de fact checking e que na verdade pode escolher à la carte as verdades ou mentiras, ou até desmentir verdades que afinal nunca foram de fake news.
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Olha, nesta conversa RR posta em questão mais a vontade de mudar, porque isso é um frequente, uma frequente crítica ao nosso trabalho nas nossas caixas de comentários. Quem verifica o polígrafo? Vamos criar um polígrafo, o polígrafo. Ok, tudo bem, É algo que nós estamos muito habituados e achamos imensa graça. Mas é fácil de responder. Porquê? Porque todo o nosso processo de verificação de factos nós deixamos o nosso rasto como costumamos dizer, passamos recibos.
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Ou seja, está aqui a nossa conclusão, está aqui o recibo. Deixas uma pegada? O que é que é o recibo? É algo que permite a qualquer pessoa, seja jornalista ou não, ter todos os nossos passos, os passos que nos levaram chegar aquela determinada conclusão. E os passos são as pessoas com quem falar. Mas nós não utilizamos fontes anónimas no polígrafo.
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É uma decisão própria. Não utilizamos fontes anónimas no fact checking, não vemos As fontes anónimas são muito importantes para algum tipo de jornalismo. No fact checking não vemos esse benefício. Portanto, deixamos o registo em todo o lado, nas fontes que consultamos a data. E consultarmos as fontes é quase um processo, se quisermos, científico. Ou seja, está lá tudo para os nossos leitores ler.
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Outra pergunta que está na caixa de comentários muitas vezes é quem financia o polígrafo? É uma boa pergunta. É uma excelente pergunta Como é que tu ganhas dinheiro? Exactamente? É uma excelente pergunta à qual nós respondemos onde? No nosso site? Ou seja, o pertencer a essa organização. A Europa, in fact Checking Network, da qual eu neste momento faço parte até da direção, obriga nos uma série de responsabilidades no âmbito da esfera do fact checking e uma delas é a transparência das fontes das fontes de financiamento.
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Desculpa. Ou seja, nós temos no site todas as nossas fontes de financiamento disponíveis. Quem somos nós? Também Alguns países da Europa já não se podem dar a este luxo porque têm de facto ataques literais à sua ação. Nós aqui, em tóxicos muito, muito tóxicos. Agressões físicas já aconteceu na Croácia com colegas croatas na Sérvia. Tivemos há muito pouco tempo uma invasão da própria polícia e uma redação de hacking sem motivo aparente, ou simplesmente porque houve um trabalho que de alguma forma, prejudicou entre aspas, o governo.
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Portanto, nós aqui, nós estamos muito protegidos nesse sentido. Temos, obviamente, muitos mimos através de redes sociais, mas não chegamos aí. Mas eu só quero cutucar em mais um ponto da tua pergunta anterior, que foi O que é que impede alguém de fazer isso também? Então eu vou dar. Vou deixar aqui uma informação que é de facto estranha, mas que aconteceu.
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A Rússia criou há pouquíssimo tempo uma organização internacional que é uma verdadeira bem para o governo russo, criada para quem, exactamente com os mesmos princípios teóricos do que é nossa, porque nós também temos uma Internacional, mas que neste momento só pertencem lá organizações russas. É um jogo de espelhos. Querem fazer com que seja um jogo de espelhos, claro.
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Olha a pergunta mais relevante e filosófica E é importante como é que se resolve isto? Como é que nós acabamos com as fake news ou a desinformação? Não acabamos? É muito pessimista, eu sei, mas acredito que este é um processo em constante evolução. O que nós, na comunidade de fact checking temos falado cada vez mais e acho que de facto é uma evolução que é necessária.
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E mais uma vez, para deixar só algo que se esgote na confirmação de uma alegação ou não, que é o chamado. Mais uma vez eu peço desculpa, mas não há um termo em português em inglês, o pri banking, o pri banking e não mais do que antecipar as narrativas de informação e criar artigos antes que essas narrativas apareçam.
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Saber o que é uma coisa e, portanto, uma vacina, literalmente. O que é que vem de informação? Tu tens de ter uma lista das coisas que podem vir aí. Já temos a nível europeu. Ou seja, é isto. Como é que isto se alimenta? Alimentas com base de dados anteriores, conflito na guerra da Ucrânia? Quais foram as primeiras narrativas a aparecer?
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Quando surgir um novo conflito, nós já sabes que vai estar no menu, ou seja, pelo menos metade delas vão estar. Claro que serão sempre coisas novas, mas o facto de já termos alimentado e estar preparado para essa vontade, o facto de nós criarmos artigos jornalísticos, artigos de verificação antes dessas narrativas aparecerem. Uma pessoa que seja, que seja impactada com desinformação já vai estar vacinada e está provado, cada vez há mais estudos neste campo que nesse aspeto a pessoa vai ser mais resiliente A informação.
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Quão perigoso e arriscado é isto para o nosso modelo democrático? Muito perigoso, muito perigoso e muito arriscado. Porque a nossa democracia precisa de verdade, precisa de factos. E o que nós costumamos dizer é aquilo que eu também defendo é que qualquer pessoa, qualquer político, qualquer protagonista, seja ele quem for, tem direito à sua opinião, mas não tem direito aos seus factos.
00:46:48:11 – 00:47:07:13
Não. A minha verdade é a tua verdade. Essa é uma das frases que me faz mais confusão na esfera pública não há esse conceito de mim. A verdade não existe. Existe a minha opinião, existe a minha interpretação da minha realidade. Mas a verdade é só uma e ninguém é dono dela. Fechamos Como é que é a tua relação com os teus familiares mais próximos?
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Quando descobres ou quando eles te mandam a última informação que afinal é uma informação falsa, errada ou a história da carochinha? Posso responder de forma muito sucinta o jantar de Natal ficar muito mais animado, descontrolar no Telegram. Filipe Obrigado. Obrigado, Jorge.
No mundo novo, a verdade e a mentira parecem valer o mesmo.
As falsidades travestidas de notícia contaminam a nossa confiança e a manipular as nossas formas de ser e estar.
Um programa cujo mote principal é: ver, entender e resistir.
E não, não são simples boatos ou pantominas.
São atos deliberados de comunicação para manipular, para enganar.
Há que estar atento. A ameaça é séria.
Há coisas que só acontecem quando tudo se apaga. Quando o mundo à nossa volta fica em silêncio. Quando as luzes falham. Os dados caem. Os telefones deixam de dar sinal. E o ecrã — esse ecrã sempre aceso — de repente fica negro.
Como nasce uma mentira com cara de verdade? Filipe Pardal
Há um par de semanas. Um apagão elétrico, nacional, deixou milhões de pessoas sem energia. Durante horas. Sem rede, sem ‘internet’, sem televisão, sem rádio. E foi precisamente nesse vazio — nesse momento em que todos esperávamos respostas — que alguém decidiu criar uma mentira.
Não uma daquelas que costumam vir de fora. Importadas, traduzidas, adaptadas. Não. Pela primeira vez, nasceu aqui. Uma fake news portuguesa. Made in Portugal.
Com uma estrutura clássica: citava a CNN Internacional, punha palavras falsas na boca da presidente da Comissão Europeia, falava de um ataque cibernético russo. E o mais impressionante: funcionava. Porque parecia verdadeira. Porque tinha fonte. Porque tinha aspas. Porque aparecia bem escrita. E porque o momento era propício. O país estava vulnerável. E a mentira encontrou o espaço perfeito para crescer.
A desinformação não precisa de muito para se espalhar. Só precisa de parecer plausível. De encaixar na emoção do momento. De tocar naquele nervo exposto. E isso basta.
Este episódio começa aqui.
Com Filipe Pardal, diretor de operações do Polígrafo e dirigente da rede europeia de verificação de factos, a European Fact-Checking Standards Network, fazemos a autópsia dessa notícia falsa. E de muitas outras. Desmontamos a anatomia de uma mentira. E tentamos responder à pergunta que não quer calar: por que é que acreditamos nisto?
A conversa é tudo menos técnica. É direta, desassombrada, útil. O Filipe conhece o fenómeno por dentro. E partilha connosco um conhecimento raro: o de quem passa os dias a ler frases suspeitas, a verificar factos, a desmontar falácias — e a lidar com o ódio que isso provoca.
Falamos do termo fake news — que, é uma contradição em si mesmo. Porque uma notícia, para o ser, tem de ser verdadeira. E o que é falso… não é notícia. É desinformação. Ou, se quisermos, um boato — palavra antiga, que talvez descreva melhor o que enfrentamos hoje.
Mas o que enfrentamos, afinal?
Falamos de plataformas de desinformação profissional, com ligações a interesses geopolíticos. De fábricas de trolls ( uma espécie de robôs da internet, ou excertos de pessoas, que operam como agências — com orçamento, estratégia e objetivos. De vídeos falsos criados por inteligência artificial. De notícias recicladas com novos títulos. De imagens antigas vendidas como atuais. De WhatsApp s de família onde as mensagens falsas correm mais rápido do que em qualquer rede aberta.
E falamos de outra coisa: da nossa fragilidade emocional. Porque o problema da desinformação não é só tecnológico. É humano. É psicológico. A mentira cola porque é simples. Porque confirma o que queremos acreditar. Porque nos poupa o esforço de duvidar.
Vamos aprender como se combate isso. Com factos, sim. Com verificação. Mas também com literacia digital. Com transparência. Com ética jornalística. E com uma ideia clara: quem afirma um facto tem de o poder provar.
Falamos também do preço de dizer a verdade. Do assédio, das ameaças, das pressões. E do cansaço de ser, todos os dias, o chato que diz “isso não é bem assim”. Mas falamos sobretudo da utilidade desse trabalho. Da sua importância para a saúde da democracia. Porque, como diz o Filipe: “Todos têm direito à sua opinião. Mas ninguém tem direito aos seus próprios factos.”
Esta frase, simples e poderosa, resume o espírito do episódio.
E talvez nos ajude a fazer melhor da próxima vez que recebermos uma mensagem suspeita, virmos um post alarmista ou lermos um título que parece bom demais para ser verdade.
Porque se a mentira se espalha sozinha, a verdade precisa de ajuda.
FECHO
Partilhar uma informação falsa vestida com um belo facto e laçarote de aparente verdade é fácil
Algumas partilhas são maliciosas. Pelo menos no ato de criação.
Mas depois, somo todos nós, que as propagamos.
Porque achamos que faz todo o sentido, porque achamos graças, ou, porque achamos que o que está ali expresso é exatamente o que pensamos do mundo.
Ser verdade ou mentira parece ser, cada vez mais, acessório.
00:00:00:00 – 00:00:17:18
Viva! Filipe Pardal, diretor de operações do Polígrafo és desde Outubro do ano passado dirigente da European Fact Checking Standart Network. Exactamente a estudar agora na tua vida, coisas a que nós chamamos de fake news de notícias falsas.
00:00:17:20 – 00:00:42:14
Como é que estamos comprovando conceitos antigos e falsas? Estamos. Estamos com um problema de conceitos que já vem muito de trás esta confusão entre conceitos, porque fake news é um conceito que se anula por si próprio. A meu ver, sabemos quem é que inventou isto, não sabemos quem popularizou nos últimos anos. Vem ali dos lados dos Estados Unidos da América, mas não sabemos qual foi a primeira origem do termo.
00:00:42:16 – 00:01:02:24
De todo. Mas há um termo que se esgota em si próprio, porque uma notícia para ser notícia tem que ser primeiro novidade. É uma novidade que seja verdade verdadeira. E, portanto, eu dizer que é um termo que se esgota em si mesmo é uma contradição e, portanto, a meu ver, não é o termo correto para nos falarmos sobre isso, Sobre esta temática, como é que lhe podemos chamar?
00:01:03:01 – 00:01:28:17
Na verdade, não é um termo tão sedutor como fake news. Pelo menos ainda não inventaram um boato, um boato. Desinformação, no sentido mais lato do termo é, mas um boato mesmo assim, é um termo que eu considero mais científico do que fake news para nos para falarmos destes aspetos. Ainda estamos, portanto, a investigar. Olha, aconteceu uma coisa quando nós falamos a primeira vez, estávamos poucos dias depois e a recuperar do nosso apagão.
00:01:28:19 – 00:02:04:01
E este apagão trouxe uma má notícia na realidade, que é ao invés daquilo que costuma acontecer que nós vamos importando e traduzindo e espalhando desinformação que foi produzida noutros países. Desta vez, algum português, alguma entidade ou pessoa decidiu criativamente aproveitar o apagão e a vulnerabilidade que todos nós sentimos naquelas horas para criar informação falsa, para criar desinformação de uma forma aparentemente deliberada.
00:02:04:03 – 00:02:31:22
Que informação foi esta? Primeiro, tudo foi uma novidade. Como introduzir este tema? E eu costumo falar com vários colegas europeus de outros órgãos de hacking. Eu costumo brincar com eles a dizer que nada acontece primeiro em Portugal, nem em termos de informação, mas eventualmente tudo acaba por chegar cá. E desinformação é igual um padrão muito grande de informação que nós sentimos aqui em Portugal e que por um lado é bom por nos dar tempo para preparar nos, para reagir, para reagir.
00:02:31:22 – 00:02:58:05
Nós já sabemos quais são as narrativas que nós vimos lá fora. Isso falando no contexto europeu e que irão chegar cá, dá nos tempo de reação. Por outro lado, quando essa narrativa de informação chegar a Portugal, já também vem ela mais robusta. Já não é aquele de tentativa e erro. Quem espalha desinformação já sabe o que funciona e já sabe o que não funciona e, portanto, vai usar e testar num novo país ou num novo mercado, numa nova rede, aquela maneira que é mais eficaz do que a anterior.
00:02:58:05 – 00:03:14:00
A receita que já está muito aprimorada. E já agora, de onde é que ela vem? Nós conseguimos ver os vetores, de onde é que ela vem, se vem dos Estados Unidos, se vem do Brasil, se vem de Espanha, Aquele lado, se vai indo de Europa de Leste. Não faço ideia. Consegue se estudar este percurso? Muitas vezes sim, outras vezes não.
00:03:14:02 – 00:03:54:11
Muita da desinformação, aquela que é mais conhecida por ser organizada, vem neste caso da Rússia e na chamada troll da Rússia. O que é que mataram um sector? Uma fábrica é uma fábrica de trolls? É exactamente uma agência. Quase. Acaba por ser quase. E basicamente temos uma sala repleta. Passo um exagero, obviamente, de robôs ou de pessoas que são pagas para fomentar robôs que espalham por eles próprios desinformação e fazem isso como primeiro produzem e escrevem na Imagine, replicam, usam inteligência artificial para fazer essa réplica e vão conquistando território, literalmente em termos de informação ao longo da Europa.
00:03:54:11 – 00:04:13:09
E por tentativa e erro, portanto, vão publicando várias coisas. Imagino que nas línguas nativas de cada país e vão vendo o índice de viralização de como é que aquilo vai progredindo exatamente nesse aspeto, há um exemplo paradigmático, que é um site que se chama Pravda, que tem, que vem da Rússia e que tem versões em muitos países europeus, incluindo em Portugal.
00:04:13:09 – 00:04:39:21
O Pravda, que é o nome do jornal soviético de Moscovo ou é um outro Pravda? É um outro, é um outro para um outro Pravda, Mas sim, mas eles estão a construir este site como uma espécie de filial em cada país em que procura. Por vezes não é só desinformação, é potenciar notícias pró-Rússia de alguma forma. Portanto, eles misturam ali um conceito de desinformação, de notícias parciais, misturam tudo um pouco.
00:04:39:23 – 00:05:05:04
Mas isto para dizer em volta de um bocadinho atrás, a tua primeira questão. De facto, este tema é muito intrincado entre si, mas de facto foi a primeira vez, pelo menos, que se tenha detectado que um fenómeno de desinformação começou em Portugal, que não tive essa porque na minha pesquisa encontrei quatro informações erróneas ou negativas ou fake news, se quisermos, que apareceram aproveitando o apagão.
00:05:05:06 – 00:05:21:23
Que notícias foram estas? Qual foi a primeira? Qual foi a Portuguesa? Qual é aquela que tem made in Portugal? Tem origem portuguesa e aqui também a fonte foi uma. É leve do ISCTE e que detetou e estudou este fenómeno em primeiro lugar e que terá apontado a origem como portuguesa. Pensei que me ia dizer quem é que tinha feito a notícia mesmo, quem é que teria enviado.
00:05:21:23 – 00:05:50:01
Infelizmente não chegámos lá, não chegamos ainda, pelo menos, mas basicamente colocou enquanto fonte a CNN internacional, neste caso até da Bélgica, se não estou em erro e colocou através dessa citação palavras na presidente da Comissão Europeia, a presidente Ursula Merlin, a afirmar que este fenómeno tinha tido origem em um ataque cibernético russo. Portanto, esta foi a nossa grande inovação portuguesa.
00:05:50:03 – 00:06:12:22
A desinformação começou cá e depois espalhou se para Espanha muito rapidamente e foi inclusivamente também devida aqui ao trabalho dos colegas de traduzir para russo. Portanto, a notícia que começou em Portugal em português, fez o caminho contrário, espalhou se para Espanha e chegou a línguas como polaco e russo. São aquelas que eu me consigo recordar agora de cabeça, para fazer todo esse caminho de desinformação.
00:06:12:22 – 00:06:42:02
Neste caso, daqui para para lá. Olha, vamos fazer uma autópsia desta notícia. Em primeiro lugar, fator de credibilidade cita um órgão de comunicação credível, a CNN, neste caso do centro da Europa. Mas é a CNN que nós conhecemos, cita uma fonte europeia credível. Vanda Lynn Portanto, tem lá a citação e fala de uma coisa que, à primeira vista, nos pode fazer sentido na nossa cabeça que se isto aconteceu com esta gravidade, nunca tinha acontecido.
00:06:42:04 – 00:07:09:24
Num contexto em que há guerra na Europa, então há a possibilidade de que seja um qualquer ataque informático, pirataria, informática, sabotagem, seja o que for, pode ter este a uma coerência interna da notícia falsa. Sim, acaba por haver. É o que estamos a falar. É cada vez mais relevante, até em contexto nacional, que é a utilização da credibilidade dos meios de comunicação credíveis oficiais para espalhar a desinformação.
00:07:10:01 – 00:07:34:11
E nós temos visto isto não só neste caso do apagão que neste caso foi utilizada sem o nome da CNN internacional, mas também noutros casos mais portugueses, até em que foram utilizados leiautes de alguns jornais, neste caso online militar em mente para fazer passar uma notícia que não tinha, não existia, portanto era uma. Era uma questão de desinformação, usando os mesmos logótipos, usando as mesmas cores, usando os mesmos grafismos.
00:07:34:17 – 00:07:57:21
Portanto, nós olhamos e aquilo transpira a verdade. Exactamente como obviamente isto veio aqui, obviamente, não só através da citação, mas um grafismo muito reconhecido. Não é preciso ter o logotipo do jornal, ou seja, os grafismos são muito identitários, não é? Tal como tal, como o nome indica e as marcas são muito reconhecidas. E essa utilização é um beabá de quem quer desinformar, utilizar a nossa credibilidade para quê?
00:07:57:23 – 00:08:29:04
Para nos descredibilizar ao mesmo tempo que passa a sua mensagem. Olha a segunda das notícias que apareceu nesse dia e da explicação de porque é que falhou. Luz é um fenómeno dizendo que isto foi causado por um fenómeno atmosférico raro e que neste caso não era propriamente explicado o que é que é. Mas esta notícia teve o condão de se espalhar ainda mais rapidamente e de contaminar ela própria, órgão de comunicação oficiais, informais e jornalísticos.
00:08:29:04 – 00:08:55:07
Exactamente. Enquanto que no primeiro caso nós não sabemos. Mas pode ter simplesmente sido alguém que se lembrou que era uma possibilidade e começou a espalhar esta este tipo de desinformação. Este caso do fenómeno atmosférico raro foi mais complexo porque terá tido origem, ou pelo menos foi essa a situação na própria agência Reuters. Portanto, os órgãos de comunicação social acabaram por noticiar algo que receberam de uma agência que é ela própria credível e, portanto, replicaram e portanto, replicaram.
00:08:55:11 – 00:09:17:08
Depois, quando a agência retirou destaque essa notícia, o mau resultado o mal já estava feito e, como todos nós sabemos desmentir, nunca chegar às mesmas pessoas que receberam informação, sobretudo em momentos de crise e em momentos de crise, como nos se pode incluir. O apagão É quando a desinformação tem terreno fértil para para agir e para conseguir impactar mais pessoas.
00:09:17:12 – 00:09:42:17
E foi basicamente que aconteceu a terceira das quatro notícias que por aí andaram a saltar. Curiosamente, a desinformação que apesar do apagão ter apagado as redes sociais, apesar de tudo, teve essa capacidade de sobrevivência. E a última delas é o anúncio falso que sabemos que nunca foi feito nem pela rede, nem player redes, nem pela EDP, nem por ninguém.
00:09:42:19 – 00:10:16:13
De que falhou a luz? Isto vai demorar pelo -70 e duas horas a voltarmos a ter, portanto, no fundo, um par de dias para conseguir recuperar. Curiosamente, esta notícia, esta não notícia, esta falsidade, aparece logo nas primeiras horas, quando a luz tinha falhado e só volta daqui a duas horas. Exactamente e também por acaso. Muito interessante este estudo de caso que estamos aqui a trazer, porque ele ilustra tudo o que a desinformação costuma fazer com todos os temas e neste caso é usar a emoção e o alarmismo para conseguir criar um terreno fértil para a desinformação se espalhar.
00:10:16:13 – 00:10:37:04
Ficamos assustados, por um lado, claro e por outro lado, existe um contexto favorável. Que é isto? Neste caso a luz falhou e eu estou assustado. E faz me sentido que a minha expectativa é que daqui a 15 minutos a luz se ligue. A luz não vem, Alguém terá dito Lá está o rumor daqui a 70 e duas horas.
00:10:37:06 – 00:11:00:07
E eu digo a cada minuto que passa, a cada hora que passa. Mais credível é esta falsidade, sem dúvida nenhuma, porque não temos instantaneamente a prova de que se trata de uma falsidade. Mesmo não havendo uma fonte, mesmo não havendo nenhuma fonte que confirme. E se esta esta falsidade, digamos assim, De facto, enquanto a luz não volta, nós não temos provas.
00:11:00:09 – 00:11:23:02
Pode efectivamente demorar 72 horas. Não temos como provar que não vai demorar antes do fenómeno acontecer. E em princípio acreditamos e em princípio, muita gente é vulnerável a essa informação exatamente porque mexe com emoção e mas com o receio das pessoas. É basicamente uma receita também transnacional da desinformação. E é. Eu também tenho de dar esta nota. Além disto acontecer muito por corrente no WhatsApp.
00:11:23:02 – 00:11:53:04
Neste caso foi no WhatsApp. Eu próprio recebi de forma orgânica esta notícia em grupos gerais onde estou. Os teus amigos mandaram sim. Portanto, esta ideia das redes sociais não é só o Facebook, o Instagram é o Tic-Tac. Há aqui uma rede diversificada de todos nós que estamos ligados via WhatsApp ou SMS, o que for, que podemos rapidamente propagar uma informação verdadeira ou falsa para grupos gigantescos de pessoas que podem per si também criar uma uma corrente.
00:11:53:09 – 00:12:17:15
Faz me lembrar antigamente aquele aquelas coisas que nós recebemos inicialmente no Facebook e se não partilhar esta este email com mais sete pessoas, vai ter uma vida desgraçada e isso partilhar com 14, então vai ganhar a alegria de Natal. Exacto, essas correntes já não existem como existiam antes, lá nos tempos do email e do MSN até hoje. E do que você está tentando apagar o tempo?
00:12:17:17 – 00:12:40:17
Temos aqui, temos aqui os. O tablet também quer falar connosco aqui, o computador aqui da frente tivemos a revolta das máquinas. A revolta das máquinas começou aqui. Eu peço desculpa, mas eu não concordo com aquilo que vocês estão a dizer e portanto, eu também quero dizer qualquer coisa. Exactamente. Mas o WhatsApp, em momentos especialmente de crise, é a rede social, porque podemos considerá lo uma rede social mais utilizada para espalhar este tipo de informação, porque é muito rápida.
00:12:40:19 – 00:12:59:02
E quando nós estamos a falar concretamente de um apagão, é muito mais difícil, se é que as pessoas fazem isso. Vou acreditar que sim e de confirmar outras fontes, ligar a televisão e tentar perceber o que é que está a acontecer. E aproveito exatamente que havia ainda muitas pessoas que tinham dados móveis, mas ali o WhatsApp era algo mais rápido para ficar a conhecer.
00:12:59:04 – 00:13:21:11
E depois ainda há outra camada que já não tem a ver com desinformação, mas tem a ver com comunicação de crise oficial e que nós tivemos muita confusão até de alguns membros do governo em termos de perspetiva, da resolução do problema que alimentou a esta, este medo e este receio de algo que foi absolutamente inventado nesta altura a não informação e não certeza oficial.
00:13:21:11 – 00:13:49:06
A dúvida ajuda a que este tipo de informação ou de desinformação com que se se propaga ajuda e a informação oficial que é dada, mas sem ter a certeza do que se está a passar e às vezes até com afirmações alarmistas. Que aconteceu neste caso em particular, em que um membro do governo disse e eu posso dizer, porque é um facto, que poderíamos ficar uma semana nesta situação, alimentou claramente esta desinformação.
00:13:49:06 – 00:14:15:17
Passa a ser um possibilidade. Olha, olhando para estas notícias falsas que para estas três fenómenos de desinformação, até se me perguntar de Filipe nós somos assim tão estúpidos? É uma excelente pergunta. Eu acho que não, não somos, Mas falta. E eu não quero entrar muito por aqui, mas falta alguma literacia mediática a todos nós. Mas a desinformação e a vários tipos de informação.
00:14:15:18 – 00:14:34:18
Isto é importante por acaso, nesta conversa de falarmos, porque a desinformação também ela própria, não é tudo igual, Vamos catalogar, vamos lá para umas etiquetas aqui, vamos catalogar. Não há propriamente uma tradução para o português, mas é uma forma fácil de distinguir desinformação ou desinformação. Em inglês. É aquela desinformação que é criada com o intuito de enganar alguém.
00:14:34:20 – 00:14:56:15
Eu, Filipe, vou criar agora um texto informativo para tentar enganar o Jorge. É uma maldade e uma maldade. Ele quer meter isto deliberadamente para ter um ganho qualquer. Já vamos falar sobre isso, mas eu, deliberadamente e de uma forma maliciosa, vou criar aqui um conteúdo que é para te enganar. Exactamente. Perfeito. Há outro tipo de informação que é a desinformação.
00:14:56:17 – 00:15:18:01
Podemos dizer, por ignorância ou inadvertida, que qualquer um de nós já fomos responsáveis em algum momento da nossa vida. Olha, eu cheguei a acreditar nesta nesta do fenómeno atmosférico raro eu quando ouvires olha, se calhar foi uma cegonha, mas quando outra vez o que é que foi? Um exacto, porque já tinha acontecido antes e portanto poderia ter claramente partilhado esta informação pela por e pelos meus amigos.
00:15:18:01 – 00:15:37:13
Exactamente, é essa esse tipo de informação em inglês, disse Miss Information. Não temos uma tradução literal para português, temos que estudar isso para conseguir dar um nome que não seja inglês. Mas a Miss Information é isso mesmo. Ou seja, basta eu clicar em partilha na internet em partilhar alguma coisa que eu acho que é verdade, mas não é depois de lerem.
00:15:37:15 – 00:15:58:03
Mas não quero enganar ninguém, ok? Mas partilho olhar para aquilo de certo isto faz sentido. Olha claramente os meus conhecidos, os meus amigos devem conhecer que é isto? E então estamos embora que são exactamente e que nós fazemos isto de ânimo leve quando estamos a falar entre amigos. E eu vou dar um exemplo pessoal que foi não tem dano nenhum porque é um tema muito leve.
00:15:58:03 – 00:16:27:04
Estamos a falar de desporto, mas eu próprio há alguns dias nem foi há muito, há muito tempo, recebi um tweet. Ainda se diz que White não dirá sempre exactamente um x em x x x x de uma página de paródia sobre basquetebol NBA. Neste caso. E eu não reparei que era uma página de paródia e partilhei sem pensar para um grupo de pessoas minhas amigas que gostam de basket desgraçadas e elas respondem Não percebe que isto é uma página de paródia?
00:16:27:06 – 00:16:50:21
Tu não trabalhas no polir verbal? Que vergonha! Pois de facto isto acontece a qualquer um. Não é preciso de facto não estar sequer na área e não saberem que isto acontece. Como podemos ser vítimas de desinformação? E nesse caso fui uma Miss information. Eu não tive intenção de partilhar essa notícia que era de paródia, ok, mas a partir do momento em que eu a partilho a achar que é real, eu estou a espalhar a informação para todo o mesmo.
00:16:50:23 – 00:17:23:15
Isto significa que nos fascinam as histórias apenas pelas histórias e de que alguma coisa pode estar tão bem. A fábula pode estar tão bem montada que nós, apesar disso, desligamos o nosso sentido crítico para e pelo gozo, pelo prazer, ou simplesmente porque achamos que aquilo é divertido ou comunicável. Podemos ajudar a polinizar e a espalhar esta, a espalhar esta informação e aquele clichê de às vezes a mentira é uma história mais interessante do que a verdade.
00:17:23:17 – 00:17:44:08
Não, não dá. Deixes, Não deixe, na verdade, estragar uma boa história. Eis a alternativa. É exactamente exactamente perfeito. E muitas vezes existe de facto essa noção. Outras vezes. E mais uma vez, voltando aqui aos momentos de crise em que o apagado também se insere, acaba por ser quase um sentido desesperado de pertencer um grupo que está naquela mesma situação de incerteza.
00:17:44:10 – 00:18:07:20
Então eu vou continuar a alimentar essa incerteza, porque eu estou com receio por uma solidariedade na estupidez, Não. Se quiser chamar assim, acho que diria estamos aqui, não temos respostas. Vamos aqui à procura. Olha, tu neste momento trabalhas no polígrafo. Como é que nós podemos definir de uma forma que toda a gente perceba o que é esta, este fact checking extra, esta verificação de factos?
00:18:07:22 – 00:18:32:09
O que que o que é que o teu trabalho, que que tu fazes? Todos os dias Senta se no teu computador e qual Indiana Jones, vais com o teu? Vais com o teu arpão em busca de em busca de uma notícia que te pareça falsa. Olha, eu vou começar pelo aquilo que eu acho que é uma resposta mais ambiciosa naquilo que nós fazemos, no polir, que é um trabalho que procura aprofundar a democracia.
00:18:32:11 – 00:18:58:15
Em que sentido? No sentido de responsabilidade, de responsabilizar, aqui, no lado político da questão, os nossos protagonistas perceberem que não podem afirmar algo sem ter os dados do seu lado. Porque? Porque sabem que neste caso não foi um verificador de factos que está atento. Isso não acontecia tanto e não acontecia tanto. Não porque o jornalismo estava desatento, mas porque este formato permite nos ter tempo para só nos focarmos nisso.
00:18:58:20 – 00:19:25:10
Portanto, é uma espécie de especialização neste neste formato. Portanto, tu és um misto de radar e de semáforo, avisando desde logo e à cabeça quem é mais importante, quem ocupa mais espaço mediático. Cuidado pela língua. Se tiver aqui um pequeno deslize, uma mentirinha mais ou menos grave e eu vou pôr um carimbo a dizer isto é mais ou menos verdade ou isto é completamente mentira.
00:19:25:12 – 00:19:43:21
Exactamente. Deve ter muitos amigos. Já tive mais, eu já tive mais. Mas ao longo da vida os amigos vão diminuindo, vão ficando os bons. Mas na verdade é exactamente isso. Ou seja, o que nós fazemos acaba por ser um bocadinho agressivo nesse sentido, porque não há nada mais agressivo do que dizer a alguém. Mentiste e mentiste no ar.
00:19:43:21 – 00:20:14:02
Mentiste na Assembleia da República ou num programa de televisão, seja aquilo que for. Portanto, o que nós fazemos acaba por ser isso, mas nós também não o fazemos de forma gratuita. E dando aqui um exemplo muito claro, se nós contexto, verificarmos uma alegação falsa de um político, estamos a falar sobretudo de políticos e no entanto, contactamos a sua equipa, a sua assessoria e eles nos dizem que de facto foi um lapso naquele momento, uma gafe, uma gafe, mas que à noite têm um comício e vão corrigir essa gafe, Ok.
00:20:14:02 – 00:20:38:03
Portanto, foi um erro. No fundo, no centro, sem nenhuma vontade, aconteceu simplesmente numa situação, num facto, nalguma coisa. É mentira. Enfim, foi uma consequência apenas do processo de comunicação, exactamente imperfeito por definição e por natureza. Exactamente isso mesmo. E se essa mentira não escalou para um acontecimento, não é que não foi uma dimensão que causou dano. Nós não vamos explicar o facto.
00:20:38:05 – 00:21:01:09
Vai esperar, Vai. Vai mesmo curtir a noite no comício? Ok, corrigiu. Não, não temos nenhuma notícia. Não há notícia exactamente de uma gafe. E então o contrário, que é a informação que é deliberadamente manipulada de propósito E para conseguir ganhos de popularidade, de votos ou de proximidade com os cidadãos, ou mesmo enganá los. É isso. É para isso que existimos.
00:21:01:09 – 00:21:34:16
Exactamente para tentar que, nesse processo muito específico da Declaração ao país, as pessoas, aos eleitores usando todos, saibam que existe, neste caso um jornal digital e um programa de televisão também que está atento, que vai dizer de facto, vai verificar o facto. É tão simples quanto isto. O que nós temos sentido e é um sintoma. Diria que o nosso trabalho funciona e que temos sentido antes do polígrafo e depois do polígrafo, a maior preparação das estruturas partidárias.
00:21:34:17 – 00:21:57:17
Deixem me lá verificar o que é que eu vou dizer exactamente. Ou seja, hoje em dia isto não acontecia antes a todas assessorias e eu diria que, sem exceção, têm os seus dados muito preparados. Assim como um jornalista nós os contacta. Isso antes não acontecia. Muitas vezes não conseguiam dizer onde é que foram buscar aqueles números. São números internos, alguém diz qualquer coisa, mas entrevistam exatamente aqueles que estão hoje em dia.
00:21:57:17 – 00:22:24:21
Eles já nos indicam esses números com raras exceções, em que estão mesmo a criar falsidades de propósito. Olha aí como é que nós falamos do desporto Agora falamos dos aspetos mais políticos, dado que é em momentos até de campanha os ânimos estão muito alterados. É muito acicatar nos entre entre e entre todos. Como é que tu lidas depois com a raiva?
00:22:24:21 – 00:22:47:14
Não sei se a raiva, com o descontentamento, com a frustração, com a zanga contigo, porque tu estás a verificar aquilo que este político ou aquilo que é da minha simpatia disse é que eu acho que tu, afinal o que estás a fazer é política, estás é a perseguir aquilo que eu digo bem que faz parte do trabalho. Isso depende, obviamente, dessa reação.
00:22:47:16 – 00:23:11:00
Quando são reações, nós obviamente não. Nós não nos sentimos pressionados. O nosso trabalho é preciso dizer isso são diretas? São Existem. Em que sentido? Existem protestos? Existem. Existem protestos todos os dias. E são e são. Se têm, tem cara, têm rosto, tem nome ou está escondidos algures no âmago. Mas há protestos todos os dias. Mas ainda bem que usar, Nós não ficaríamos muito tristes se ninguém se importar.
00:23:11:00 – 00:23:41:01
Se ninguém liga nenhuma ao nosso trabalho a ver o protesto. Se de facto é um boom, é um bom sinal. Mas obviamente que no final do dia prevalece o facto e prevalece o trabalho jornalístico. No fundo, portanto, os protestos podem existir, fazem parte, que exista, mas nós temos que lidar com eles de forma muito natural. Até eu estou pronto para isto, porque vemos até no caso das figuras públicas, quando fazem alguma coisa, quando quando cometem uma gafe, quando ou quando, pura e simplesmente dizem que não gostam de determinada coisa.
00:23:41:03 – 00:24:11:08
Fenómenos muitíssimo tóxicos de, a coberto do anonimato e das redes sociais, de atacar aquela personalidade, de atacar mesmo de uma forma completamente visceral e selvagem. Por isso é que eu estava a perguntar sobre como é que tu escolhes as frases ou declarações que merecem ser verificadas ou não. Mas desde logo, o valor notícia é o mesmo. Portanto, o tema não é em si o tema que está na agenda mediática.
00:24:11:08 – 00:24:31:12
É um tema que nós, por norma, vamos verificar se produziu uma notícia, se alguém é importante, se alguma coisa relevante ou se o tema que é tratado é relevante para a sociedade. Temos aí a primeira bandeirinha para falar, a primeira e a principal. Nesse aspeto, nada distingue um trabalho no jornal generalista do trabalho do político. É como é que tu vou dizer depois como é que tu vais validar isto?
00:24:31:12 – 00:24:49:21
E eu imagino que tu tenhas muitas frases e muitas declarações e muitas pessoas a falar como é que tu vais selecionar aquelas que vais dedicar o teu tempo e energia, as tuas ferramentas para encontrar e para questionar e para e para depois garantir. Lá está o teu selo de amarelo, mais ou menos ou de vermelho. Isto é, mas usa o verde.
00:24:49:21 – 00:25:11:01
Afinal estava a dizer verdade. Depende do formato. Estamos a falar de protagonistas e de frases delegações de protagonistas depende muito do formato. Por exemplo, agora em campanha eleitoral, tivemos um programa diário após debates maior, após debates no polígrafo, a ouvir o que é que os candidatos disseram em tempo real e depois a carimbar exactamente. Ou seja, aí, como é um processo muito rápido, o que é que nós fazemos?
00:25:11:02 – 00:25:35:06
Pegamos naquilo que achamos mais relevante e temos valor, Notícia num ou noutro aspecto prático, mas importante também muitas vezes as mentiras e ou as falsidades, as meias verdades são retidas. Ou seja, nós já fizemos esse trabalho antes de verificarmos aquilo. Antes já faz parte da narrativa exata aquele candidato. Exacto. E que ferramentas é que tu usas? Tu que alguém disse Se eu disser agora esta sala é obviamente vermelha, certo?
00:25:35:08 – 00:25:54:10
E tu, como e como é que tu vais verificar? Quer dizer, aqui neste caso tu olhas e diz Claro que não é vermelha este não estás a ver bem esta coisa, Mas como é que tu? Como é que tu vais verificar que ferramentas é que usas os computadores? Usas inteligência artificial? Usas o que? O que usas? Tu? Normalmente é quando estamos a falar de verificações muito rápidas.
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Ainda não há uma integração de inteligência artificial no nosso trabalho. Portanto, há um processo jornalístico de consulta de fontes, muitas vezes narrativas de falsidade dos nossos políticos ainda são manobras com números. Portanto, os portais da transparência desta vida ainda são uma ferramenta que estão no separador sempre aberto dos nossos computadores. E quando digo Portal da Transparência do SNS, digo também tudo o que é fontes oficiais, porque é muito, passa muito por aí.
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A ginasta tica dos números que dizem que os políticos, como dizem no debate e eles dizem determinada coisa e conseguem dizer existem 1 milhão de estão desempregados e tu pimba, vais ao Instituto Nacional de Emprego e afinal são 999, ok? E esta passa se para metade. Vamos embora e se calhar vale a pena. Exactamente. É exactamente isso, exatamente isso que fazemos neste contexto de política, por assim dizer.
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Quando nós saímos um bocadinho da política e vamos para aqueles temas mais sociais, há outra coisa que distingue o nosso método é a nossa escolha daquilo que tratamos, que é o conceito de viralidade nas redes sociais. Se se pegou ou não pegou exactamente, Ou seja, se esta desinformação no fundo já chegou a muita gente ou não, ou tem potencial de chegar a muita gente ou não.
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Isso interessa te, isso interessa, Interessa bastante. Primeiro tudo porque já no primeiro aspeto já há um dano causado. Ou seja, muitas pessoas já tiveram contato com aquela desinformação pela potencial idade de viralidade. E aí utilizamos inteligência artificial, ferramentas que nos dizem que aquela publicação pode chegar a X pessoas. Ok, E então vai ter eleição e aí vamos ter atenção.
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Olha, mas o que me interessa a mim, que acabei de abrir a minha página do Facebook é uma ferramenta já quase arqueológica, mas mais vale sempre olhar para lá ou no meu Instagram ou no meu desktop que não interessa. E eu acabei de ver uma informação que tu estás a investigar e que tu percebes que é uma informação falsa, mas ela vai continuando a percorrer o seu caminho e as suas partilhas e portanto, vai tendo esse potencial de viralização.
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Mas eu não faço a mínima ideia o que é que o polígrafo disse. Estou agora no meu Instagram ou Facebook. Não vou sempre ter uma página aberta com o polígrafo para tentar comparar aquelas coisas. Portanto, a tua vacina é difícil de deparar depois deste movimento ou há maneiras de o fazer? Há formas de o fazer. Ainda bem que que fala disso, porque é uma parte também importante do nosso trabalho.
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Mas antes disso, ainda ontem estive num evento com jovens e fiz a pergunta infeliz de que quem que utiliza o Facebook como rede social é o silêncio. Eles saíram da sala e eles saíram da sala e disseram Não queremos ouvir isto. E em vez de eu já não tem nada para nos ensinar. E assim eu estou. Ontem no Instagram por acaso, fui surpreendido com uma maioria de respostas do Instagram e não do Tic-Tac.
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Eu pensei que já tínhamos invertido essa onda, mas pelo não, eles continuam lá, continuam lá, o que quer dizer que estão lá a perceber que aquilo que é, que o que é que a malta nova está a gostar tanto de rapidez e de entretenimento. Portanto, aquela rede social é claramente virada para o entretenimento. Ainda não é também utilizada para outros fins, mas é claramente entretenimento, claro.
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Em vez de chegar a casa depois do trabalho, nos casa, depois universidade da escola é ligar a televisão. Como nós fazíamos antes. Eles ligam o feed do dia e vão saltando, saltando central. Controlam o tempo, controlam o que estão a ver de facto o algoritmo. Vão, vão, vai respondendo assim fake news também no tic tac. Sim, muitas fake news no tic tac.
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E aproveita essa pergunta para voltar aqui atrás e explicar o nosso trabalho no Facebook, no Instagram e também no TIC. Toca o Polígrafo tem uma parceria oficial com a meta plataforma do Facebook e do Instagram, que é exactamente para permitir que uma pessoa não tenha que estar com o site do polígrafo ao lado para verificar se uma informação é verdadeira ou não.
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Até porque nós, independentemente do bom trabalho que fazemos, não conseguimos chegar a todo o lado. Tens lá um semáforo? Não, porque eu nunca vi lá nenhuma indicação de coisa para se manter sequer. Falsa ou não, tu consegues detetar lá. Depende. Quando nós fazemos basicamente nessa parceria, comenta. Nós temos uma ferramenta própria de trabalho com eles em que vamos verificar, por exemplo, um post que é de facto de informação.
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Nós fazemos um artigo para o nosso site, para o nosso jornal online, se tiver valor, notícia. Para isso e ao mesmo tempo reportamos ao Facebook, este post tem de informação. O que é que eles vão fazer? Vão colocar isto? Nós em Portugal? Polígrafo em Portugal temos os nossos colegas fact hackers em toda a Europa, em todo o mundo, até há bem pouco tempo e já podemos ir aí a seguir.
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E o Facebook vai colocar uma etiqueta em baixo daquela publicação a dizer que tinha hackers independentes. Verificaram esta publicação e descobriram que existe informação falsa. Saiba mais aqui e esse link vai linkar para o nosso site. Ou seja, um utilizador do Facebook está a percorrer o seu feed. E se essa publicação que foi verificada tem que ser verificada, claro, ainda não há um automatismo em toda a instância for verificada pelo polígrafo.
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Eles têm essa etiqueta, Portanto, temos uma catalogação de notícias que são potencial ou realmente falta? Sim, e está provado até pela estudo mais recente que eu conheço é da Universidade de Michigan e que está provado que essa etiqueta diminui a probabilidade de partilha desse desporto que está catalogado em cerca de 33%, dado que tu tens uma parceria com meta, por que é que não metes uma cunha para que aquilo desapareça do feed?
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Isso é uma excelente questão e é exatamente aí que os hackers não querem estar nessa discussão, porque isso é que não dava jeito. Não é que exista. Verificar se a informação é falsa choca com a liberdade de expressão de alguma maneira. Sim, porque desinformação que não causa dano não é crime. Não é. Pelo menos ainda é apenas uma fábula.
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Exatamente. Ou seja, o nosso trabalho é dar mais informação. Não é censurar nenhuma informação só para concluir depois as políticas que a meta coloca na sua plataforma já é com a meta, já não é com o nosso trabalho. Jornalista Cabe apenas verificar. Olha as redes sociais são vilãs? São vítimas ou são beneficiárias deste género de informação? Como dizia um grande pensador na nossa sociedade, ambas as duas, ambas as duas, porque são beneficiárias de desinformação no sentido em que há formas de ganhar com a informação.
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E esta é uma afirmação que pode ser chocante, mas é como é que se ganha dinheiro com desinformação. Basta não ter mecanismos que bloqueiem patrocínios, ou seja, posts patrocinados por quem quer espalhar desinformação. É muito diretamente. Isso faz com que as plataformas ganhar com essa desinformação. Portanto, se eu colocar uma informação que é falsa, o que é enganadora de uma forma deliberada ou não deliberada, e as pessoas forem clicando e eu comprar publicidade, logo as pessoas vão clicar mais em partilhar mais, logo a minha publicidade vai ser mais exposta logo.
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Obviamente eu que vendo o serviço de publicidade, ganhe mais dinheiro. Exactamente. É exactamente isso. Isso é claramente taxativo, não é? Plataformas em que incluo também tamanho de todas elas não ganham dinheiro com desinformação. Então e as pessoas que publicam esta tipo de informação maliciosa, este marketing negro, se quisermos, depois ganham dinheiro como vendem produtos à volta disso? Por vezes sim.
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Por vezes, naquelas publicações que são chamadas de esquemas a um produto final que eles estão a tentar comercializar. Noutro aspecto, quando há interesses que não são lucrativos, não são de negócio, pode simplesmente ser um interesse político, um interesse de causar confusão, de descredibilizar as instituições democráticas. Nós temos visto muito isso também. E sobre isso, no ano passado, também com o trabalho dos nossos colegas da Media Lab, nós vimos que pela primeira vez foi identificada uma tentativa de interferência estrangeira exactamente através de anúncios, neste caso no YouTube.
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Nas eleições portuguesas de 2024 foi há muito pouco tempo. Parece que estamos a falar de muitas eleições. Já passaram dois anos, já passaram duas vezes, até porque aqui interferência é essa. Como é que? Como é que tu consegues entrar na cabeça das pessoas e tentar, enfim, que elas alterem o teu voto à vontade? Ou que o que estão a fazer por vezes é colocar.
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É simplesmente tão simples como colocar questões novamente na esfera mediática. No caso muito concreto do que aconteceu em 2024, foram ambos vídeos promovidos através de YouTube, um deles acusando tanto José Sócrates como António Costa de corrupção com informações falsas associadas e o outro, pelo contrário. Era um vídeo que também tinha nuances de informação, mas que, sobretudo teve o objetivo de colocar as medidas do tempo da troika novamente na lembrança de quem via aquele vídeo.
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Ou seja, foram dois vídeos pagos pela mesma entidade que nós não conseguimos saber quem está ligada a uma empresa com sede de Delaware, nos Estados Unidos, mas obviamente que é muito pouco provável, muito pouco provável que não seja apenas uma máscara para tentar esconder de onde é que realmente surgiu. E são dois vídeos que atacam do espectro partidário a esquerda e a direita, à esquerda e à direita.
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Mas no fundo isso acaba por ser fácil de raciocinar, que no fundo, querem descredibilizar a democracia e os partidos fundadores da democracia portuguesa. Neste caso e estas, este género de informação. E agora, com o advento da inteligência artificial, nós até agora ainda conseguimos ir vendo coisas grosseiras, montagens quase de colagens de escola primária. Mas eis que subitamente, a inteligência artificial nos começa a oferecer ferramentas em que pode gravar um vídeo que nunca existiu, com nós dois usando a nossa voz, usando um pedacinho desta gravação que nós estamos a fazer e pondo nos a dizer coisas que nós nunca dissemos e que ninguém vai perceber logo à primeira vista, de forma cada vez mais perfeita, que
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aquilo é uma mentira. Onde está a eterna luta entre o bem do mal, a verdade e a mentira? Morreu, Ganhou a mentira. Não sei se é uma mentira, mas eu acho honestamente que nós vamos entrar. Se ainda não estamos lá, Vamos entrar claramente num mundo cada vez mais distópico, em que essa confusão entre verdade e mentira vai ser cada vez mais difícil de distinguir, vai ser cada vez mais difícil distinguir a verdade da mentira exactamente por isso, ou seja, a inteligência artificial vem trazer um leque de possibilidades gigantes a quem quer desinformar, que são muito difíceis de detectar hoje em dia.
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No nosso trabalho, nós detetamos vídeos de inteligência artificial que são efetivamente muito mal feitos e nós já vimos que mesmo assim, esses vídeos já enganam muitas pessoas. E isto é paradigmático. Pessoas a falar em português do Brasil e depois em português de Portugal, pessoas que dizem os números em inglês e mesmo assim as pessoas acreditam que esse vídeo é verdadeiro, portanto nós podemos imaginar.
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Ok, se isto acontece agora, vamos imaginar quando os vídeos forem de facto perfeitos, chamadas de IP fakes. E depois uma coisa também que aconteceu ontem Natal são como com jovens e que também me surpreendeu neste caso, um bocadinho pela negativa. Eu perguntei lhes o que é que e qual era o conceito deles de clickbait e de deep fake.
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Ok, espera, vamos fazer uma pausa, ok? Para as pessoas que definitivamente não estão no teu universo, o que é deep sick e o que é que é click bait? Exatamente, Vamos lá. Mas eu fiquei desconcertado porque os jovens não sabiam que era deep feita e dip fake está intimamente ligada à inteligência artificial, porque no fundo é um vídeo gerado por inteligência artificial que te coloca lá estar com a tua cara, com a tua voz a dizer algo que tu nunca disseste na vida.
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É uma mentira completa que transpira verdade exatamente por muitos. É muito difícil quando é bem feita de distinguir, muito difícil de perceber. E vai ser cada vez mais um clickbait também só aqui nesta esfera de desinformação. Mas é algo muito antigo, ou seja, um clickbait no fundo, e é um título, um lide que seja feito. Isto, com o advento das redes sociais, começou a ser feito até por órgãos de comunicação social.
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Muitas vezes o que me choca choca nos hoje porque quer dizer, supostamente um título seria uma coisa informativa. Domingo o jogador X não joga porque deu cabo de um pé, responde a algo e logo tem uma resposta. Nós. O que nós encontramos agora na imprensa clássica, no jornalismo e veja o que aconteceu a este jogador. Exatamente. Isso é clickbait.
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É levar ao clique. Diz me lá o que é que aconteceu. Quer dizer, não é a lógica da vida, é dizer me o que é que está, o que é que está a acontecer. Olha, se a inteligência artificial pode ser o o culpado, o mau desta história, não podemos pôr a inteligência artificial a caçar ela própria, este, este e este seu gêmeo que cria coisas más.
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Podemos e devemos, aliás, é a única forma de fazer. A única forma de combater a parte má da inteligência artificial é usar a parte boa da inteligência artificial. É que parece um paradoxo, mas não é. Porque só com essas ferramentas é que nós vamos conseguir. De facto, de forma automática, é que a nossa capacidade humana já de pouco nos valeu.
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Na parte da identificação vale depois da parte do desmascarar e do contextualizar. Isso vai ser sempre preciso uma parte humana, mas a identificação de facto, a rapidez e assertividade de identificação de uma falsidade gerada por inteligência artificial e dependem dessas ferramentas e nós utilizamos já hoje no processo de checagem. Na verdade, utilizamos ferramentas de inteligência artificial para descobrir qual foi a primeira vez que determinada imagem apareceu na internet, porque uma algo muito utilizado na desinformação também é utilizar imagens antigas para fazê las passar como atuais.
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Vemos isso nos conflitos, nas guerras, porque é exatamente isso. Vejam este atentado que aconteceu ontem à tarde e aquilo que são imagens de há quatro anos num sítio completamente diferente. Houve um exemplo muito ilustrativo disso, que era um trailer de um videojogo que passou como um cenário na invasão da Ucrânia e era um videojogo. Só que como os gráficos eram tão bons, passou de facto como algo real e que muita gente acreditou.
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De facto estava a acontecer. Como é que nós apostamos na literacia digital e ensinamos as pessoas a distinguir o real do falso? Pergunta que tem uma resposta complexa é nada sexy. Porquê? Porque o jornalismo não chega. Obviamente, o jornalismo apenas pode chegar a uma parte e o facto é que tem que também me esquecer disto. Tem que uma diferença de conceito.
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O próprio facto é que o que está a evoluir exatamente para tentar responder a isso. É isso que eu levo aqui. Primeiro porque o fact checking é muito conhecido até. E justamente porque é aquilo que nós fazemos mais hoje em dia, em como desmentir uma alegação porque está a acontecer naquele momento. E obviamente que isso é importante porque estanca, não estanca a desinformação ou pelo menos no caso político, acaba por impedir que alguns protagonistas voltem a afirmar aquela narrativa, porém, é pouco.
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Não vale muito no sentido de literacia mediática. Precisamos de criar o Diário de Desinformação para totós ou também isso não resolve o problema e é uma excelente ideia. Obrigado por isso. Não porque quer dizer, só para tentarmos no fundo ver que se podemos criar isso, essa vacina, essa super poder. Olho agora para aqueles que fazem checking, que é quem vigia os vigilantes.
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Isto é o que me garante que tu estás a fazer um trabalho e a verificar factos que são verdadeiros e falsos e que tens esse interesse e que subitamente não possa haver um organismo ali ao lado que também se auto autointitula de fact checking e que na verdade pode escolher à la carte as verdades ou mentiras, ou até desmentir verdades que afinal nunca foram de fake news.
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Olha, nesta conversa RR posta em questão mais a vontade de mudar, porque isso é um frequente, uma frequente crítica ao nosso trabalho nas nossas caixas de comentários. Quem verifica o polígrafo? Vamos criar um polígrafo, o polígrafo. Ok, tudo bem, É algo que nós estamos muito habituados e achamos imensa graça. Mas é fácil de responder. Porquê? Porque todo o nosso processo de verificação de factos nós deixamos o nosso rasto como costumamos dizer, passamos recibos.
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Ou seja, está aqui a nossa conclusão, está aqui o recibo. Deixas uma pegada? O que é que é o recibo? É algo que permite a qualquer pessoa, seja jornalista ou não, ter todos os nossos passos, os passos que nos levaram chegar aquela determinada conclusão. E os passos são as pessoas com quem falar. Mas nós não utilizamos fontes anónimas no polígrafo.
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É uma decisão própria. Não utilizamos fontes anónimas no fact checking, não vemos As fontes anónimas são muito importantes para algum tipo de jornalismo. No fact checking não vemos esse benefício. Portanto, deixamos o registo em todo o lado, nas fontes que consultamos a data. E consultarmos as fontes é quase um processo, se quisermos, científico. Ou seja, está lá tudo para os nossos leitores ler.
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Outra pergunta que está na caixa de comentários muitas vezes é quem financia o polígrafo? É uma boa pergunta. É uma excelente pergunta Como é que tu ganhas dinheiro? Exactamente? É uma excelente pergunta à qual nós respondemos onde? No nosso site? Ou seja, o pertencer a essa organização. A Europa, in fact Checking Network, da qual eu neste momento faço parte até da direção, obriga nos uma série de responsabilidades no âmbito da esfera do fact checking e uma delas é a transparência das fontes das fontes de financiamento.
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Desculpa. Ou seja, nós temos no site todas as nossas fontes de financiamento disponíveis. Quem somos nós? Também Alguns países da Europa já não se podem dar a este luxo porque têm de facto ataques literais à sua ação. Nós aqui, em tóxicos muito, muito tóxicos. Agressões físicas já aconteceu na Croácia com colegas croatas na Sérvia. Tivemos há muito pouco tempo uma invasão da própria polícia e uma redação de hacking sem motivo aparente, ou simplesmente porque houve um trabalho que de alguma forma, prejudicou entre aspas, o governo.
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Portanto, nós aqui, nós estamos muito protegidos nesse sentido. Temos, obviamente, muitos mimos através de redes sociais, mas não chegamos aí. Mas eu só quero cutucar em mais um ponto da tua pergunta anterior, que foi O que é que impede alguém de fazer isso também? Então eu vou dar. Vou deixar aqui uma informação que é de facto estranha, mas que aconteceu.
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A Rússia criou há pouquíssimo tempo uma organização internacional que é uma verdadeira bem para o governo russo, criada para quem, exactamente com os mesmos princípios teóricos do que é nossa, porque nós também temos uma Internacional, mas que neste momento só pertencem lá organizações russas. É um jogo de espelhos. Querem fazer com que seja um jogo de espelhos, claro.
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Olha a pergunta mais relevante e filosófica E é importante como é que se resolve isto? Como é que nós acabamos com as fake news ou a desinformação? Não acabamos? É muito pessimista, eu sei, mas acredito que este é um processo em constante evolução. O que nós, na comunidade de fact checking temos falado cada vez mais e acho que de facto é uma evolução que é necessária.
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E mais uma vez, para deixar só algo que se esgote na confirmação de uma alegação ou não, que é o chamado. Mais uma vez eu peço desculpa, mas não há um termo em português em inglês, o pri banking, o pri banking e não mais do que antecipar as narrativas de informação e criar artigos antes que essas narrativas apareçam.
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Saber o que é uma coisa e, portanto, uma vacina, literalmente. O que é que vem de informação? Tu tens de ter uma lista das coisas que podem vir aí. Já temos a nível europeu. Ou seja, é isto. Como é que isto se alimenta? Alimentas com base de dados anteriores, conflito na guerra da Ucrânia? Quais foram as primeiras narrativas a aparecer?
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Quando surgir um novo conflito, nós já sabes que vai estar no menu, ou seja, pelo menos metade delas vão estar. Claro que serão sempre coisas novas, mas o facto de já termos alimentado e estar preparado para essa vontade, o facto de nós criarmos artigos jornalísticos, artigos de verificação antes dessas narrativas aparecerem. Uma pessoa que seja, que seja impactada com desinformação já vai estar vacinada e está provado, cada vez há mais estudos neste campo que nesse aspeto a pessoa vai ser mais resiliente A informação.
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Quão perigoso e arriscado é isto para o nosso modelo democrático? Muito perigoso, muito perigoso e muito arriscado. Porque a nossa democracia precisa de verdade, precisa de factos. E o que nós costumamos dizer é aquilo que eu também defendo é que qualquer pessoa, qualquer político, qualquer protagonista, seja ele quem for, tem direito à sua opinião, mas não tem direito aos seus factos.
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Não. A minha verdade é a tua verdade. Essa é uma das frases que me faz mais confusão na esfera pública não há esse conceito de mim. A verdade não existe. Existe a minha opinião, existe a minha interpretação da minha realidade. Mas a verdade é só uma e ninguém é dono dela. Fechamos Como é que é a tua relação com os teus familiares mais próximos?
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Quando descobres ou quando eles te mandam a última informação que afinal é uma informação falsa, errada ou a história da carochinha? Posso responder de forma muito sucinta o jantar de Natal ficar muito mais animado, descontrolar no Telegram. Filipe Obrigado. Obrigado, Jorge.