Em 2015, um erro no preço da unidade de um material odontológico específico orçado pela prefeitura de Lages, em Santa Catarina, fez o produto passar de R$ 24 para R$ 7.084 — prejuízo de R$ 367 mil para os cofres públicos. No mesmo ano, na prefeitura de Paranaguá, no Paraná, uma compra de papel higiênico chegaria a R$ 10 milhões. Em ambos os casos, o monitoramento das unidades do Observatório Social do Brasil (OSB) impediu os desvios de verba pública. Presente em 135 cidades e 16 estados brasileiros, a organização conta com uma equipe de mais de 3.500 voluntários para fiscalizar o uso do dinheiro público das prefeituras e câmaras municipais.
Em conversa com o Instituto Millenium, Roni Enara, assistente social e diretora executiva do OSB, falou sobre o trabalho realizado pelos observatórios e a importância da participação da sociedade civil na fiscalização dos recursos públicos:
“O Observatório Social do Brasil trabalha como apoio técnico, jurídico e capacitador, disseminando a metodologia do trabalho dos observatórios sociais. Esse trabalho surgiu a partir do interesse das pessoas em contribuir com uma cidade melhor administrada e aplicar corretamente o dinheiro público oriundo dos impostos. Desde as crianças nas escolas a empresas, informamos a respeito desse processo todo para que o nosso cidadão tenha mais consciência do seu papel, direitos e deveres”, diz.