Aquele em que eles refletem sobre a criminalização das drogas com base na lei 11.343 de 2006 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm), apoiados em dados apresentados pela Plataforma Brasileira de Política de Drogas (htt://pbpd.org.br), em seu “Guia de bolso para debates sobre política de drogas” (Download: http://pbpd.org.br/publicacao/guia-de-bolso-para-debates-sobre-politica-de-drogas/).
Cássio, Bruno, Moisés e Osvaldo se veem, inevitavelmente, levados a relacionar esse tema com a criminalização dos pobres, realizando análises à luz do relatório intitulado “A ocupação da Maré pelo exército brasileiro” (http://redesdamare.org.br/media/livros/Livro_Pesquisa_ExercitoMare_Maio2017.pdf), de autoria da educadora e ativista social Eliana Sousa Silva diretora e fundadora da “Redes Maré” no Rio de Janeiro, bem como do texto “As prisões da miséria”, de 1999, do sociólogo francês Loïc Wacquant. Passando, também, por uma analogia com as obras literárias do século XIX, “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, e “Memórias de um sargento de milícias”, de Manuel Antônio de Almeida.
Tal discussão se faz necessária, pois estamos às vésperas da decisão do STF sobre o porte de drogas para consumo próprio (https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/12/17/stf-decidira-em-junho-se-porte-de-drogas-para-consumo-proprio-e-crime.ghtml), um tema que causa incômodo em determinados seguimentos da sociedade.
Normalmente, o tabu que permeia esse debate impede uma discussão lúdica e ao mesmo tempo lúcida. No entanto, nesse episódio, mesclando ironia e teoria, a celeuma entre os participantes se inicia com a definição de substâncias que alteram a percepção humana, passando a delimitação de termos como legalização, despenalização e descriminalização; comparando experiências de alguns países com a legalização do uso da maconha (https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2018/05/maconha-no-uruguai-como-foi-a-saga-da-legalizacao-no-pais-vizinho-cjhkvcvw207uz01paeifw8dhd.html); refletindo sobre algumas drogas lícitas como tabaco e álcool e seus efeitos no convívio social; abordando os diversos usos da maconha (https://www.bbc.com/portuguese/geral-44283537); e, por fim, realizando reflexões polêmicas sobre o papel do Estado e seus paradoxos ao lidar com esse problema, como Cássio alfineta com fina ironia a “PPP” (Parceria público privado) de sucesso entre o Estado e o crime organizado, ou ainda quando, relatam a estigmatização do pobres, pardos e negros que ocupam as periferias afora do nosso país, na criação de um, nas palavras de Bruno Malavota, “moto-perpétuo” em que a criminalização da maconha leva a uma reprodução da perversa estrutura da pobreza criminalizada.
Então, resta à sociedade aguardar pela decisão do STF a respeito da produção, distribuição e consumo da maconha. Enquanto isso não ocorre, dê um play nesse episódio e ascenda uma vela no mato do social!
Textos lidos ao final: “A piedade”, de Roberto Piva (de “Paranoia”, 1963) e “Crime e sonho”, Monteiro Lobato (de “Mundo da Lua”, 1923).