Morrer para Viver: o Chamado Radical de Jesus (Mateus 16:24–25)
Quando Jesus declarou: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, Ele não estava usando uma metáfora leve ou simbólica. No contexto do primeiro século, a cruz era um instrumento de morte. Ver alguém carregando uma cruz significava apenas uma coisa: aquela pessoa havia renunciado ao direito de conduzir a própria vida. Portanto, o chamado de Jesus é claro e confrontador — segui-Lo implica morrer para si mesmo.
Negar a si mesmo não significa anular a própria identidade, mas submeter a vontade pessoal à vontade de Deus. É dizer “não” ao ego, ao orgulho e à autossuficiência, e dizer “sim” ao senhorio de Cristo. A Escritura confirma esse princípio quando Paulo afirma: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). A vida cristã não gira em torno da satisfação pessoal, mas da transformação interior que produz um viver alinhado com o caráter de Cristo.
Essa verdade confronta diretamente uma cultura centrada no “eu”. O mundo ensina a buscar conforto, reconhecimento e prazer acima de tudo. Jesus, porém, propõe o caminho oposto: perder para ganhar, morrer para viver, servir para ser grande. Por isso, a fé cristã se enfraquece quando tenta se adaptar excessivamente aos padrões do mundo. A igreja perde sua força quando troca a cruz pela conveniência. Como afirma Romanos 12:2, não fomos chamados para nos conformar com este século, mas para sermos transformados pela renovação da mente.
Carregar a cruz se expressa em atitudes práticas do dia a dia. É escolher buscar a Palavra de Deus antes de começar a rotina. É orar e agradecer a Deus publicamente, mesmo quando isso gera desconforto. É testemunhar de Cristo com palavras e atitudes, ainda que isso custe aceitação social. É comprometer-se com a igreja local, servir com fidelidade e honrar a Deus com os recursos financeiros. No casamento, é colocar o bem do cônjuge acima dos próprios interesses, refletindo o amor sacrificial ensinado em Efésios 5:25.
Jesus conclui esse ensino com uma promessa paradoxal, porém verdadeira: “Quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará.” A verdadeira vida não está em preservar o ego, mas em entregá-lo. Somente quando Cristo ocupa o primeiro lugar é que tudo encontra seu devido sentido.
Mensagem final
Negar a si mesmo e tomar a cruz não é um caminho de perda, mas de plenitude. O que parece renúncia aos olhos humanos é, na verdade, o caminho para uma vida abundante em Deus. Quando colocamos o Senhor em primeiro lugar, descobrimos que nada do que entregamos a Ele se perde. Em Cristo, morrer para si mesmo é o segredo para viver a vida como ela realmente foi criada para ser vivida — com propósito, liberdade e esperança eterna.
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