Quando o dinheiro vira pedestal e a dignidade é esquecida
Vivemos dias em que a sociedade se encontra cada vez mais polarizada. Não apenas por questões políticas ou ideológicas, mas por algo ainda mais silencioso e destrutivo: a forma como o valor das pessoas tem sido medido. Em muitos contextos, o dinheiro deixou de ser apenas um meio e passou a ser um pedestal. Quem tem mais, acredita ter mais direitos; quem tem menos, é frequentemente tratado com desprezo, como se não pertencesse ao mesmo mundo.
Essa mentalidade cria uma falsa hierarquia humana, onde o poder aquisitivo determina o respeito, a atenção e até a humanidade concedida ao outro. O resultado é uma sociedade adoecida, marcada pela arrogância de uns e pela humilhação de outros. Porém, à luz das Escrituras, essa lógica não se sustenta.
A Bíblia é clara ao afirmar que o valor do ser humano não está no que ele possui, mas em quem ele é diante de Deus. Em Atos 10:34, o apóstolo Pedro declara: “Deus não faz acepção de pessoas.” Isso significa que, para Deus, não há ricos ou pobres, superiores ou inferiores — há filhos criados à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1:27).
Tiago confronta duramente a igreja quando ela passa a tratar melhor os ricos e desprezar os pobres. Ele escreve: “Se vocês fazem distinção entre as pessoas, cometem pecado” (Tiago 2:9). Essa palavra revela que o favoritismo social não é apenas uma falha de caráter, mas um pecado que fere o coração do Evangelho.
Jesus, o maior exemplo de autoridade e poder, escolheu nascer em uma manjedoura, conviver com pobres, pecadores, cobradores de impostos e pessoas rejeitadas pela sociedade. Em Mateus 20:26, Ele ensina: “Quem quiser ser grande entre vocês, seja servo.” No Reino de Deus, grandeza não se mede por status, mas por serviço; não por riqueza, mas por amor.
Quando o dinheiro se torna a porta de acesso para respeito, a sociedade perde sua humanidade. Mas quando o amor, a empatia e a justiça se tornam os critérios, o mundo se aproxima do Reino de Deus. Provérbios 22:2 nos lembra: “O rico e o pobre se encontram; o Senhor é o criador de ambos.”
Mensagem final
A verdadeira riqueza não está em quanto alguém possui, mas em quanto consegue amar, respeitar e servir. Em um mundo cada vez mais dividido, somos chamados a ser pontes, não muros. Que nossas atitudes revelem que o Evangelho ainda é a força capaz de restaurar a dignidade humana.
Quando escolhemos tratar todos com honra, independentemente de sua condição social, declaramos que o Reino de Deus já começou em nós. E nesse Reino, ninguém é invisível, ninguém é menor — todos são igualmente amados pelo Pai.
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