Novas Falas

É só teatro!


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O general presidente da Petrobrás caiu, foi demitido do posto pelo presidente da República, assim como aconteceu com o seu antecessor e com o antecessor deste. A razão, em todos os casos, foi a mesma, sucessão de aumentos nos preços dos combustíveis. Em razão da “política” adotada pela empresa desde o governo Temer, o preço é formado pela cotação do barril de petróleo no Exterior e pela variação do real frente ao dólar. A Petrobrás, não importa quem seja o presidente, segue rigorosamente esta política e não vai mudar. Resumindo, os aumentos de preços não são de responsabilidade do presidente da Petrobrás.

O presidente da República sabe disso e sabe também que ele, presidente, também não tem poder de controlar os preços da Petrobrás. No entanto, precisa mostrar descontentamento para o seu público que, como todo cidadão brasileiro, com ou sem carro, sofre as consequências dos efeitos cascata desses aumentos. Além disso, a Petrobrás tem as regras de compliance que o presidente da empresa é obrigado a seguir. Nunca e demais lembrar que a Petrobrás tem ações cotada em Bolsa, o que significa que determinadas regras devem ser obrigatoriamente seguidas, justamente para preservar os interesses dos acionistas.  O presidente da República quer, mas não consegue interferir nos preços definidos pela Petrobrás! É apenas teatro!

Nada disso é segredo, nada disso surgiu de um dia para o outro. O que hoje acontece já acontecia antes do presidente ser eleito para o Palácio do Planalto, mas ele precisa bancar o indignado, fingir que sofre as consequências como um cidadão comum. Mas há quantos anos ele não paga gasolina do seu carro, por exemplo? Enquanto deputado, era a Câmara que pagava o combustível do veículo que ele usava. Foram mais de 20 anos assim. Agora como presidente, a mesma coisa. Ele não sente no bolso, mas finge que sente.

Outra coisa importante, ele, assim como outros personagens da política, flashs de ocasião, piscam e somem, estão falando em privatização da Petrobrás. Trata-se, claro, de um absurdo sem tamanho. A Petrobrás, com todas as suas qualidades e defeitos, é uma empresa estratégica para o País e deve permanecer nas mãos do Estado. E quem disse que privatizada a empresa será melhor? O caso da Argentina é exemplar. O presidente Carlos Menem privatizou a YPF. Quem adquiriu o controle foi a espanhola Repsol. Só que seus investimentos foram reduzidos. A pegada de empresa privada é diferente, visa apenas o lucro. E isso não é errado. Já a empresa estatal não visa o lucro, mas sim o interesse social. Não é por outra razão que inúmeras empresas de países do primeiro mundo foram reestatizadas.

Nenhum presidente da República, nem mesmo no período da ditadura militar, agiu dessa maneira, com tamanho desrespeito ao cargo. E, consequentemente ao povo que o elegeu.

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Novas FalasBy Jfortunato