Natália Correia atravessou o século XX como se a miopia do seu tempo lhe reservasse as janelas de um templo vindouro, onde a palavra fosse a chama poética.
Viveu rodeada de gente que a admirava mas não a compreendia, de críticos e de jovens que prometiam amá-la num "futuro que houve dantes".
Viveu entre a ilha e a utopia, emergiu para mostrar o avesso da contemporaneidade, foi feminista, assumiu causas e agigantou-se pelas liberdades.
O livro de poemas O Dilúvio e a Pomba, publicado em 1979 está dividido em três partes: a primeira com o título "Onde o mar, com paredes de vidro, rodeia o centro inviolável: a Ilha"; a segunda "A Árvore da Vida"; e a terceira "O Espírito é tão real como uma árvore".
É nesta que se situa o poema "O Livro dos Mortos" cujos versos testemunham a índole da autora, a sua crença e a afirmação do seu caráter.
"Por favor, em funeral
não me ponham pranto à volta.
Isso do choro faz mal
a quem do peso se solta."