Cantar os outros em jeito de crónica.
«Como tive de me apagar um bocadinho no início de Deolinda para a personagem poder viver, senti muitas vezes que as pessoas me confundiam com a personagem. Isso não é justo nem para a personagem nem para mim. As pessoas deviam estar à espera que eu usasse as mesmas roupas que usava em palco e eu comecei a não querer ser um cartoon na cabeça das pessoas. Eu não queria que as pessoas me achassem um cartoon, não é? Então, comecei a sentir necessidade de pôr mais um 'pózinho' de Ana (...). Comecei a sentir que algumas coisas me estavam vedadas, porque eu não tinha a ''imagem certa''. E o que é que era a imagem certa? Quem me procurava achava que a minha imagem não era sofisticada e na altura eu era mais gorda e isso era um problema. Servia aquela personagem, mas não me servia muito bem a mim (...)».
É com Ana Bacalhau que estou à conversa neste episódio, depois de mais um período de pausa prolongada neste podcast.
Esta entrevista, gravada há cerca de um ano e agora publicada, mantém (pela temática que subjaz o podcast) a actualidade e insere-se, de igual modo, no primeiro número da revista Mural Sonoro que será publicada no decorrer do mês de Junho.
Boas audições e leituras.
Ilustração de João Pratas
Indicativo de Amélia Muge
Sonoplastia de Paulo Lourenço
Música neste episódio: «Desafiar Estereótipos» de Ana Bacalhau
Autoria, coordenação, investigação, entrevista de Soraia Simões de Andrade