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Estação 953 #406


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Nesta edição do Estação 953, confira a participação da pedagoga Givânia Maria da Silva, uma das principais lideranças quilombolas do Brasil, em mais um evento de comemoração aos 55 anos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A professora fala sobre a necessidade de reconhecer e integrar aos currículos acadêmicos os saberes e conhecimentos produzidos por grupos sociais historicamente excluídos das universidades. Ela defende que é preciso desconstruir o modelo tradicional — criado para elites e baseado no pensamento europeu branco — e valorizar, na bibliografia dos cursos de graduação, os saberes indígenas, afro-brasileiros, quilombolas, tradicionais e populares, para que possamos construir universidades mais conectadas com a realidade brasileira.

“É preciso que as epistemologias tradicionais sejam reconhecidas como legítimas. Não basta ingressar. Pessoas pretas, quilombolas, indígenas também precisam falar por si e ter o conhecimento que produzem validado. O conhecimento é diverso e dinâmico, assim como a própria natureza humana. A ciência precisa ser plural”, defende a dona de uma das principais vozes nacionais em educação quilombola, direitos territoriais e temas relacionados à população negra rural.

Na UFSCar, a professora também abordou a importância de uma educação que respeite a ancestralidade, o território, a diversidade e a justiça social — uma educação que seja instrumento de resistência, de reconstrução histórica e de valorização de identidades tradicionalmente marginalizadas. Além da crítica à ciência colonizadora, Givânia da Silva propõe caminhos para uma necessária revolução nos conteúdos que formam os profissionais nas Instituições de Ensino Superior brasileiras.

O programa ainda é uma oportunidade de conhecer a trajetória de Givânia, a primeira pessoa quilombola a integrar a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.

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