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Hoje é dia de falar da loucura.
No sentido mais amplo do mundo.
Da saúde mental, da boa saúde, dos médicos psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos.
É uma sopa rica de temas.
E por falar em comida, foi precisamente num jantar que conheci a Inês Homem de Melo.
Num jantar muito especial com pessoas de uma organização chamada Manicómio.
Que se dedica a integrar pessoas com doença mental através da arte.
E nesse jantar-debate foi-nos entregue a tarefa de moderar os comensais. Não na comida, mas na partilha de ideias.
E foi sem surpresa que se percebeu que isto da saúde mental, ou da falta dela, toca a todos, independentemente da sua condição social ou económica.
Nesta edição passeamos por esses labirintos das forças e fraquezas da nossa mente.
Inês Homem de Melo é médica psiquiatra. E também música.
Pensa rápido e ainda fala mais rápido.
Nesta conversa torrencial faço o papel do jogador que tenta acalmar o ritmo do jogo enquanto ela corre para marcar mais um par de golos na minha baliza.
A Inês pensou várias vezes em desistir do curso de medicina até que se encontrou com a psiquiatria. E isso mudou tudo.
Vamos por partes. Sendo isto um podcast sobre comunicação, Inês Homem de Melo faz questão de ter tempo para ouvir os seus doentes. Sim, ouvir. E falar com eles. E explicar tudo. E voltar ao início outra vez. É uma espécie de raro cuidado num mundo em aceleração desmiolada.
De que se fala no consultório da Inês?
De sofrimento. Principalmente de sofrimento. Afinal vamos ao psiquiatra quando algo nos dói muito cá dentro.
E não dá para encontrar respostas fazendo análises, radiografias ou TACs.
Só se chega lá pela palavra dita. Pela palavra escutada. Pela fala interpretada. Pela reinvenção dos significados.
É neste momento em que juntar a ciência e a criatividade dá um grande jeito.
Em momentos em que é importante entender a fronteira entre o normal e o patológico.
No fundo, o assumir da absoluta diversidade que somos apagando o conceito do que é normal. O normal é um conceito, talvez, demasiado valorizado.
Posto isto, apertem os cintos. Vem aí uma conversa sobre famílias, adolescentes, drogas, vínculos emocionais, conflitos existenciais, pessoas com défice de atenção, depressões e ansiedades.
[00:00:00] Abertura
[00:00:13] Loucura, Saúde, Arte Na Psiquiatria
[00:07:22] Diagnóstico E Fronteira Da Normalidade
[00:12:39] Síndrome do Impostor e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperactividade TDAH
[00:17:33] Psicodrama
[00:29:30] Emoções Intensas E Doença Mental
[00:39:40] Intervenção Precoce Na Saúde Mental
[00:48:43] Relações De Vinculação E os seus Impactos
[00:59:40] O Tempo É Relativo.
0:00:13 – JORGE CORREIA
0:00:14 –
Hoje é dia de falar da loucura no sentido mais amplo e lato do mundo da saúde mental, da boa saúde dos médicos, psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos. Desde a mais tem realidade. É uma sopa rica de temas. E por falar em comida, foi precisamente num jantar que conheci Inês Homem de Mélod, um jantar na ordem dos médicos, um jantar muito especial com pessoas de uma organização chamada Manicómeo, que se dedica a integrar pessoas com doença mental através da arte. E nesse jantar de bate foi-nos entregue a tarefa de moderar os comensais não na comida mas na partilha de ideias. E foi sem surpresa que se percebeu que isto da saúde mental, ou da falta dela, toca a todos, independentemente de sua condição social ou econômica. Nesta edição vamos passear por esses labirintos das forças e das suas coisas da nossa mente. Inês Homem de Mélod é médica, psiquiatra e também música. Pensa rápido e fala ainda mais rápido. Nesta conversa torrencial eu faço o papel do jogador que tenta acalmar o ritmo do jogo enquanto ela corre para marcar mais um par de golos na minha baliza. Em Inês, penso que às vezes em desistir do curso de medicina até que se encontrou com a psiquiatria E isso mudou tudo. Vamos saber como Vamos por parte.
Sendo isto um podcast sobre comunicação, inês Homem de Mélod faz questão de ter tempo para ouvir os seus doentes. Sim, ouvir e falar com eles e explicar tudo e voltar ao início outra vez, é uma espécie de raro cuidado num mundo em aceleração desmiolada. Então, e do que se fala no consultório de Inês? De sofrimento, principalmente de sofrimento. Afinal, vamos ao psiquiatra quando nos dói algo muito cá dentro, e não dá para encontrar respostas fazendo análises, radiografias ou taques.
Só se chega lá pela palavra dita, pela palavra escutada, pela fala interpretada, pela reivensão dos significados. Claro, depois há bioquímica, mas a palavra é fundamental. É nesse momento em que juntar a ciência e a realidade dá um grande jeito, em momentos em que é importante entender a fronteira entre o normal e o patológico. No fundo, o assumir dá a absoluta diversidade de que somos todos feitos, apagando o conceito do que é normal. O normal é um conceito talvez demasiado valorizado, posto visto, apertem os cientes, venham a uma conversa sobre famílias adolescentes, drogas, vínculos emocionais, conflitos existenciais e pessoas com déficits de atenção, mas que funcionam lindamente real. Falamos também de depressões e ansiedades, e também de doenças mentais graves de que quase ninguém fala. Como é que esta mulher ainda duvidou que há algum dia ia ser médica psiquiatra? Como Inês, como?
0:03:23 – INÊS HOMEM DE MELO
0:03:52 – JORGE CORREIA
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0:12:36 – JORGE CORREIA
0:12:39 – INÊS HOMEM DE MELO
Não percebo como é que elas conseguem estudar, como é que se conseguem concentrar e o, por mais que tente, não consigo E isso é verdade eles não conseguem, mesmo não é mesmo há uma certa aleaturiadade do momento em que o cérebro vai ser capaz de sintonizar para fazer uma tarefa, e normalmente esse momento é quando há uma grande pressão tanto em cima das deadlines, quando o tema é uma grande paixão para eles, porque paixão tem um correlato neurobiológico no cérebro. Os neurotransmissores da paixão são os mesmos, tão em falta nas pessoas com um defício de atenção. Portanto essa é uma compensação Se a pessoa tiver apaixonadíssima aí E agora que isso vai tudo na frente E faz e faz mesmo e podem ser os melhores nas suas áreas. Mas depois coisas simples como ir ao supermercado, decorar uma lista de compras, pagar as contas da água, da luz.
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0:16:44 – JORGE CORREIA
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Dizer assim, com as letras todas Tu cheio de fazer de conta que não sou, pois estas pessoas fazem muito masking. Que é tentar fazer de conta que, se é algo que não se é, quase seria um síndrome do impostor, voluntário ou contrário, nem sei bem. Que é fazer tudo conforme a média das pessoas é para não ser tido como diferente E depois, quando eles percebem o que realmente são, começam a tirar as suas máscaras. Não, eu sou assim.
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E da emoção também não é Da emoção, muito menos razão, muito menos pensado, mais.
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A doença mental, na minha perspectiva, é muito. Isso é perda de espontaneidade, de capacidade criativa de esgotar as soluções aos problemas e a pessoa fica presa, presa. É isso, é perder liberdade.
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É isso. Aí é que está a verdadeira arte da medicina. É por isso que eu acho que escolhi a psiquiatria, porque é uma especialidade onde a parte artística não é Diz-se muito. A medicina é uma ciência ou é uma arte. É uma ciência, sem dúvida, mas a arte da medicina é isto, é Duas pessoas com depressão não vão ser tratadas da mesma forma porque elas têm vidas completamente diferentes. São seres humanos, como todas as, com uma multitude de factores psicóciais que diferem, e o médico vai ter que se adaptar. E esse adaptar de uma guideline, de uma receita.
0:26:28 – JORGE CORREIA
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Isso é um bom tópico São imorroidas à pessoas que me dizem Isto é algo que eu ouço, sei lá, todas as semanas não, mas uma vez por mês. E cada vez que eu ouço esta frase, eu sinto mesmo assim, quase uma energia divina na sala, que é ouvir isto? Nunca tinha contado isto a ninguém, saber o que é isto. Tu estás a ter acesso a uma informação íntima vulnerável do outro ser humano.
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Alguém, como me diz no fim de uma consulta, alguém que tem uma relação muito difícil com as figuras parentais E como diz, casualmente no fim de uma consulta, que é a sua música preferida. Olha, o doutor, no próximo concierto podia tocar a Father in Sand, o que é de Stevens, e eu tipo Ah, e foi do dente, vai embora. E eu ponho a música dar e choro. Eu não tenho uma psiquiatra, assim que Que vivo? Talvez um dia, se isto for de mais para mim, for emocionalmente avassalador.
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Ouvi uma voz que não está aqui, tive uma ideia que não é real, convencime de que estou a ser perseguida, convencime de que estou a ser envenenada, que são sintomas de estar psicótico. Quero pensar em linha reta e o meu pensamento está a todos organizar uma pessoa em pleno surto psicótico. Às vezes é difícil de compreender.
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É uma conversa, no fundo, é de literacia em saúde mental. Ora então, isto claro, quando há boa relação e uma doente faz questão, e muitas vezes fazem questão, muitas vezes É algo do género Ora, bem, a doença do teu pai é esta, funciona assim e assim, o que também dá grande tranquilidade aos filhos, porque tinham um nó na cabeça, não sabiam afinal de que é que aquilo era. Por isso ficam com mais clareza Tu realmente tens um risco aumentável, mas estas são as coisas que tu podes fazer para diminuir o teu risco Não consumir drogas, se tiveses sinais de alarme, vir o mais rapidamente possível. Ter com o profissional de saúde mental, porque em psiquiatria tempo é saúde.
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0:43:45 – INÊS HOMEM DE MELO
Assim de crô, assim de crô. Isto foi algo que eu descobri quando comecei a ouvir, com muito tempo, com muito tempo, algumas pessoas que, até não tendo um quadro psiquiátrico mágico ou seja, não têm critérios de depressão mágico ou não têm critérios de perturbação de pérnico, mas que têm um malestar com elas, uma mágoa Parece que nunca sentem o suficiente apesar de serem super bem sucedidas. Um malestar sem nome, sem critérios diagnósticos, e depois vamos explorar a infância de adolescência e há algo que falhou na relação às figuras mais significativas que para as crianças, que são os pais ou outros cuidadores que os sustituam, enfim. Mas a vinculação é outra descoberta fantástica que a minha profissão me trouxe. Quando assisti aos textos da vinculação nos bebés, na peda ao psiquiatria de ser mesmo mind-blowing.
0:45:18 – JORGE CORREIA
0:45:20 – INÊS HOMEM DE MELO
Mãe, a chamar a mãe suficientemente boa, que é assim que os psicanos Isso deve ser uma carga de tran, quer dizer, essa é uma responsabilidade gigantesca que está em cima de Por isso é que a este termo do calma mães só tem que ser suficientemente boas, porque as mães vão ficar muito afluitas quando vêm isto e, meu Deus, eu vou falhar em tudo. Uma mãe suficientemente boa é uma mãe que oferece ao seu bebê uma base segura. em inglês é Safe Haven, secure Base. Como é que se faz Uma base segura? um porte de abrigo, que é para a criança poder ir ver o que há no mundo a mínima aflição, sabe onde vai voltar e onde vai ser acolhida no seu malestar.
0:46:24 – JORGE CORREIA
0:46:25 – INÊS HOMEM DE MELO
Que cheio torna-se um adulto demasiado cedo É a vinculação evitante é aquele adulto que nunca peda ajuda de ninguém, que as namoradas se calhar. imagina de um homem que as namoradas se queixam, que está sempre no seu mundo, que é o evitante, que não recorre ajuda E depois há o seguro, que é o ideal, que é tal mãe que encuraja o filho ir ver o mundo e qualquer coisa. estou aqui e consegue conter o malestar de uma forma em que a criança realmente se sente melhor.
0:48:04 – JORGE CORREIA
0:48:07 – INÊS HOMEM DE MELO
Então a criança está com a mãe. isto é entre os 12 meses e os 26 meses. que dá para testar? A criança está ali a brincar com a mãe e com uma pessoa de fora, por exemplo uma médica de pedopsychiatria, vamos imaginar. Está ali três minutos e isto está tudo a ser filmado, que é para depois ser acercutado. Entretanto a mãe retira-se e a criança fica sozinha com a pessoa que ela não conhecia. até o dia A criança vai ter várias reações, por testar, chorar, procurar a mãe ou não, e depois passar três minutos a mãe torna a entrar E é no momento em que a mãe torna a entrar.
Que se viu o que é que acontece, que se viu, o que é que acontece Quando ela sai é importante, mas o que é mesmo importante é quando ela volta a entrar Segura. Lá esperei um bocadinho.
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Mostrar o melhor e estar junto. Isto são coisas que começam a ser salientes, começam a evidenciar-se com o tempo, às vezes não demora-se tanto, mas é incrível. É incrível que haja Isto. É toda uma ciência emergente, que é o estudo da vinculação do adulto, que eu acho completamente mind-blowing E qualquer pessoa que leia há um livro muito interessante que foi escrito por um pé da psiquiatra sobre isto, pois ele também começou a estudar o adulto e que todos os meus doentes que leram aquele livro ficaram. Mudou a vida deles E depois de ver, once you see it, you cannot unsee it, e comeces a identificar nas pessoas da tua família ou de estilos e aprender a comunicar. Também, se tu tiveses a biãoção de ter a vinculação segura, tu consegue ajudar muito alguém com o outro modelo, tranquilizá-lo, a mostrar-lhe como é tranquilizável, como é que a outra pessoa não vai desaparecer ou tem capacidade para te ajudar. Pronto, isto agora tem infinitas nuances, mas eu uma sóia, foi uma das descobertas mais incríveis que a minha profissão me trouxe.
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Eu queria usar uma palavra tão feia como a do Tropado, mas não era o melhor modelo, fez o melhor que conseguia, isso E depois, a partir daí, perdoando, é o rancor, é mesmo muito mal. Então até há muitos estudos sobre isso, sobre o perdão, sobre a compaixão, sobre termos compaixão de quem nos fez mal. Não é tentar reparar a relação, porque isto é uma coisa que o que eu vejo cá às vezes a Mata tenta fazer. Isso, isso não é bom, ou seja. Ah, mãe, é mãe, então Fez-te mal, mas é tua mãe. Vamos lá tentar se vão ser amigas para a vida. Não é isso.
É reprocessar Não é reprocessar. Muitas vezes o reprocessar envolve limitar a relação por os limites. Não vou atender mais o telefone nestas alturas em que ela me liga a xinca-lhar-me Pronto. Isto é toda uma ciência, Porque?
0:57:53 – JORGE CORREIA
0:58:01 – INÊS HOMEM DE MELO
Até o saudável. Só que há pessoas que não fazem isto. Há pessoas que vivem uma vida Seguir o que os pais dizem, que controlam toda a sua vida. Fazem tudo, ligam para pedir autorização para tudo, continuem idealizá-los, mesmo por anti-ivídeo, às claras de que eles não só não são perfeitos, como até eles fizeram muito mal.
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By Jorge CorreiaHoje é dia de falar da loucura.
No sentido mais amplo do mundo.
Da saúde mental, da boa saúde, dos médicos psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos.
É uma sopa rica de temas.
E por falar em comida, foi precisamente num jantar que conheci a Inês Homem de Melo.
Num jantar muito especial com pessoas de uma organização chamada Manicómio.
Que se dedica a integrar pessoas com doença mental através da arte.
E nesse jantar-debate foi-nos entregue a tarefa de moderar os comensais. Não na comida, mas na partilha de ideias.
E foi sem surpresa que se percebeu que isto da saúde mental, ou da falta dela, toca a todos, independentemente da sua condição social ou económica.
Nesta edição passeamos por esses labirintos das forças e fraquezas da nossa mente.
Inês Homem de Melo é médica psiquiatra. E também música.
Pensa rápido e ainda fala mais rápido.
Nesta conversa torrencial faço o papel do jogador que tenta acalmar o ritmo do jogo enquanto ela corre para marcar mais um par de golos na minha baliza.
A Inês pensou várias vezes em desistir do curso de medicina até que se encontrou com a psiquiatria. E isso mudou tudo.
Vamos por partes. Sendo isto um podcast sobre comunicação, Inês Homem de Melo faz questão de ter tempo para ouvir os seus doentes. Sim, ouvir. E falar com eles. E explicar tudo. E voltar ao início outra vez. É uma espécie de raro cuidado num mundo em aceleração desmiolada.
De que se fala no consultório da Inês?
De sofrimento. Principalmente de sofrimento. Afinal vamos ao psiquiatra quando algo nos dói muito cá dentro.
E não dá para encontrar respostas fazendo análises, radiografias ou TACs.
Só se chega lá pela palavra dita. Pela palavra escutada. Pela fala interpretada. Pela reinvenção dos significados.
É neste momento em que juntar a ciência e a criatividade dá um grande jeito.
Em momentos em que é importante entender a fronteira entre o normal e o patológico.
No fundo, o assumir da absoluta diversidade que somos apagando o conceito do que é normal. O normal é um conceito, talvez, demasiado valorizado.
Posto isto, apertem os cintos. Vem aí uma conversa sobre famílias, adolescentes, drogas, vínculos emocionais, conflitos existenciais, pessoas com défice de atenção, depressões e ansiedades.
[00:00:00] Abertura
[00:00:13] Loucura, Saúde, Arte Na Psiquiatria
[00:07:22] Diagnóstico E Fronteira Da Normalidade
[00:12:39] Síndrome do Impostor e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperactividade TDAH
[00:17:33] Psicodrama
[00:29:30] Emoções Intensas E Doença Mental
[00:39:40] Intervenção Precoce Na Saúde Mental
[00:48:43] Relações De Vinculação E os seus Impactos
[00:59:40] O Tempo É Relativo.
0:00:13 – JORGE CORREIA
0:00:14 –
Hoje é dia de falar da loucura no sentido mais amplo e lato do mundo da saúde mental, da boa saúde dos médicos, psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos. Desde a mais tem realidade. É uma sopa rica de temas. E por falar em comida, foi precisamente num jantar que conheci Inês Homem de Mélod, um jantar na ordem dos médicos, um jantar muito especial com pessoas de uma organização chamada Manicómeo, que se dedica a integrar pessoas com doença mental através da arte. E nesse jantar de bate foi-nos entregue a tarefa de moderar os comensais não na comida mas na partilha de ideias. E foi sem surpresa que se percebeu que isto da saúde mental, ou da falta dela, toca a todos, independentemente de sua condição social ou econômica. Nesta edição vamos passear por esses labirintos das forças e das suas coisas da nossa mente. Inês Homem de Mélod é médica, psiquiatra e também música. Pensa rápido e fala ainda mais rápido. Nesta conversa torrencial eu faço o papel do jogador que tenta acalmar o ritmo do jogo enquanto ela corre para marcar mais um par de golos na minha baliza. Em Inês, penso que às vezes em desistir do curso de medicina até que se encontrou com a psiquiatria E isso mudou tudo. Vamos saber como Vamos por parte.
Sendo isto um podcast sobre comunicação, inês Homem de Mélod faz questão de ter tempo para ouvir os seus doentes. Sim, ouvir e falar com eles e explicar tudo e voltar ao início outra vez, é uma espécie de raro cuidado num mundo em aceleração desmiolada. Então, e do que se fala no consultório de Inês? De sofrimento, principalmente de sofrimento. Afinal, vamos ao psiquiatra quando nos dói algo muito cá dentro, e não dá para encontrar respostas fazendo análises, radiografias ou taques.
Só se chega lá pela palavra dita, pela palavra escutada, pela fala interpretada, pela reivensão dos significados. Claro, depois há bioquímica, mas a palavra é fundamental. É nesse momento em que juntar a ciência e a realidade dá um grande jeito, em momentos em que é importante entender a fronteira entre o normal e o patológico. No fundo, o assumir dá a absoluta diversidade de que somos todos feitos, apagando o conceito do que é normal. O normal é um conceito talvez demasiado valorizado, posto visto, apertem os cientes, venham a uma conversa sobre famílias adolescentes, drogas, vínculos emocionais, conflitos existenciais e pessoas com déficits de atenção, mas que funcionam lindamente real. Falamos também de depressões e ansiedades, e também de doenças mentais graves de que quase ninguém fala. Como é que esta mulher ainda duvidou que há algum dia ia ser médica psiquiatra? Como Inês, como?
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0:04:16 – JORGE CORREIA
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Não percebo como é que elas conseguem estudar, como é que se conseguem concentrar e o, por mais que tente, não consigo E isso é verdade eles não conseguem, mesmo não é mesmo há uma certa aleaturiadade do momento em que o cérebro vai ser capaz de sintonizar para fazer uma tarefa, e normalmente esse momento é quando há uma grande pressão tanto em cima das deadlines, quando o tema é uma grande paixão para eles, porque paixão tem um correlato neurobiológico no cérebro. Os neurotransmissores da paixão são os mesmos, tão em falta nas pessoas com um defício de atenção. Portanto essa é uma compensação Se a pessoa tiver apaixonadíssima aí E agora que isso vai tudo na frente E faz e faz mesmo e podem ser os melhores nas suas áreas. Mas depois coisas simples como ir ao supermercado, decorar uma lista de compras, pagar as contas da água, da luz.
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Dizer assim, com as letras todas Tu cheio de fazer de conta que não sou, pois estas pessoas fazem muito masking. Que é tentar fazer de conta que, se é algo que não se é, quase seria um síndrome do impostor, voluntário ou contrário, nem sei bem. Que é fazer tudo conforme a média das pessoas é para não ser tido como diferente E depois, quando eles percebem o que realmente são, começam a tirar as suas máscaras. Não, eu sou assim.
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E da emoção também não é Da emoção, muito menos razão, muito menos pensado, mais.
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A doença mental, na minha perspectiva, é muito. Isso é perda de espontaneidade, de capacidade criativa de esgotar as soluções aos problemas e a pessoa fica presa, presa. É isso, é perder liberdade.
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É isso. Aí é que está a verdadeira arte da medicina. É por isso que eu acho que escolhi a psiquiatria, porque é uma especialidade onde a parte artística não é Diz-se muito. A medicina é uma ciência ou é uma arte. É uma ciência, sem dúvida, mas a arte da medicina é isto, é Duas pessoas com depressão não vão ser tratadas da mesma forma porque elas têm vidas completamente diferentes. São seres humanos, como todas as, com uma multitude de factores psicóciais que diferem, e o médico vai ter que se adaptar. E esse adaptar de uma guideline, de uma receita.
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Isso é um bom tópico São imorroidas à pessoas que me dizem Isto é algo que eu ouço, sei lá, todas as semanas não, mas uma vez por mês. E cada vez que eu ouço esta frase, eu sinto mesmo assim, quase uma energia divina na sala, que é ouvir isto? Nunca tinha contado isto a ninguém, saber o que é isto. Tu estás a ter acesso a uma informação íntima vulnerável do outro ser humano.
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Alguém, como me diz no fim de uma consulta, alguém que tem uma relação muito difícil com as figuras parentais E como diz, casualmente no fim de uma consulta, que é a sua música preferida. Olha, o doutor, no próximo concierto podia tocar a Father in Sand, o que é de Stevens, e eu tipo Ah, e foi do dente, vai embora. E eu ponho a música dar e choro. Eu não tenho uma psiquiatra, assim que Que vivo? Talvez um dia, se isto for de mais para mim, for emocionalmente avassalador.
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Ouvi uma voz que não está aqui, tive uma ideia que não é real, convencime de que estou a ser perseguida, convencime de que estou a ser envenenada, que são sintomas de estar psicótico. Quero pensar em linha reta e o meu pensamento está a todos organizar uma pessoa em pleno surto psicótico. Às vezes é difícil de compreender.
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É uma conversa, no fundo, é de literacia em saúde mental. Ora então, isto claro, quando há boa relação e uma doente faz questão, e muitas vezes fazem questão, muitas vezes É algo do género Ora, bem, a doença do teu pai é esta, funciona assim e assim, o que também dá grande tranquilidade aos filhos, porque tinham um nó na cabeça, não sabiam afinal de que é que aquilo era. Por isso ficam com mais clareza Tu realmente tens um risco aumentável, mas estas são as coisas que tu podes fazer para diminuir o teu risco Não consumir drogas, se tiveses sinais de alarme, vir o mais rapidamente possível. Ter com o profissional de saúde mental, porque em psiquiatria tempo é saúde.
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Assim de crô, assim de crô. Isto foi algo que eu descobri quando comecei a ouvir, com muito tempo, com muito tempo, algumas pessoas que, até não tendo um quadro psiquiátrico mágico ou seja, não têm critérios de depressão mágico ou não têm critérios de perturbação de pérnico, mas que têm um malestar com elas, uma mágoa Parece que nunca sentem o suficiente apesar de serem super bem sucedidas. Um malestar sem nome, sem critérios diagnósticos, e depois vamos explorar a infância de adolescência e há algo que falhou na relação às figuras mais significativas que para as crianças, que são os pais ou outros cuidadores que os sustituam, enfim. Mas a vinculação é outra descoberta fantástica que a minha profissão me trouxe. Quando assisti aos textos da vinculação nos bebés, na peda ao psiquiatria de ser mesmo mind-blowing.
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Mãe, a chamar a mãe suficientemente boa, que é assim que os psicanos Isso deve ser uma carga de tran, quer dizer, essa é uma responsabilidade gigantesca que está em cima de Por isso é que a este termo do calma mães só tem que ser suficientemente boas, porque as mães vão ficar muito afluitas quando vêm isto e, meu Deus, eu vou falhar em tudo. Uma mãe suficientemente boa é uma mãe que oferece ao seu bebê uma base segura. em inglês é Safe Haven, secure Base. Como é que se faz Uma base segura? um porte de abrigo, que é para a criança poder ir ver o que há no mundo a mínima aflição, sabe onde vai voltar e onde vai ser acolhida no seu malestar.
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Que cheio torna-se um adulto demasiado cedo É a vinculação evitante é aquele adulto que nunca peda ajuda de ninguém, que as namoradas se calhar. imagina de um homem que as namoradas se queixam, que está sempre no seu mundo, que é o evitante, que não recorre ajuda E depois há o seguro, que é o ideal, que é tal mãe que encuraja o filho ir ver o mundo e qualquer coisa. estou aqui e consegue conter o malestar de uma forma em que a criança realmente se sente melhor.
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Então a criança está com a mãe. isto é entre os 12 meses e os 26 meses. que dá para testar? A criança está ali a brincar com a mãe e com uma pessoa de fora, por exemplo uma médica de pedopsychiatria, vamos imaginar. Está ali três minutos e isto está tudo a ser filmado, que é para depois ser acercutado. Entretanto a mãe retira-se e a criança fica sozinha com a pessoa que ela não conhecia. até o dia A criança vai ter várias reações, por testar, chorar, procurar a mãe ou não, e depois passar três minutos a mãe torna a entrar E é no momento em que a mãe torna a entrar.
Que se viu o que é que acontece, que se viu, o que é que acontece Quando ela sai é importante, mas o que é mesmo importante é quando ela volta a entrar Segura. Lá esperei um bocadinho.
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Mostrar o melhor e estar junto. Isto são coisas que começam a ser salientes, começam a evidenciar-se com o tempo, às vezes não demora-se tanto, mas é incrível. É incrível que haja Isto. É toda uma ciência emergente, que é o estudo da vinculação do adulto, que eu acho completamente mind-blowing E qualquer pessoa que leia há um livro muito interessante que foi escrito por um pé da psiquiatra sobre isto, pois ele também começou a estudar o adulto e que todos os meus doentes que leram aquele livro ficaram. Mudou a vida deles E depois de ver, once you see it, you cannot unsee it, e comeces a identificar nas pessoas da tua família ou de estilos e aprender a comunicar. Também, se tu tiveses a biãoção de ter a vinculação segura, tu consegue ajudar muito alguém com o outro modelo, tranquilizá-lo, a mostrar-lhe como é tranquilizável, como é que a outra pessoa não vai desaparecer ou tem capacidade para te ajudar. Pronto, isto agora tem infinitas nuances, mas eu uma sóia, foi uma das descobertas mais incríveis que a minha profissão me trouxe.
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Eu queria usar uma palavra tão feia como a do Tropado, mas não era o melhor modelo, fez o melhor que conseguia, isso E depois, a partir daí, perdoando, é o rancor, é mesmo muito mal. Então até há muitos estudos sobre isso, sobre o perdão, sobre a compaixão, sobre termos compaixão de quem nos fez mal. Não é tentar reparar a relação, porque isto é uma coisa que o que eu vejo cá às vezes a Mata tenta fazer. Isso, isso não é bom, ou seja. Ah, mãe, é mãe, então Fez-te mal, mas é tua mãe. Vamos lá tentar se vão ser amigas para a vida. Não é isso.
É reprocessar Não é reprocessar. Muitas vezes o reprocessar envolve limitar a relação por os limites. Não vou atender mais o telefone nestas alturas em que ela me liga a xinca-lhar-me Pronto. Isto é toda uma ciência, Porque?
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Até o saudável. Só que há pessoas que não fazem isto. Há pessoas que vivem uma vida Seguir o que os pais dizem, que controlam toda a sua vida. Fazem tudo, ligam para pedir autorização para tudo, continuem idealizá-los, mesmo por anti-ivídeo, às claras de que eles não só não são perfeitos, como até eles fizeram muito mal.
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