Paraquedas XIX

Ideias para adiar o fim do mundo


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Após participar de um ciclo de eventos em Portugal, em um ano em que Lisboa havia sido considerada capital íbero-americana da cultura, Krenak nos convida a refletir sobre como construímos o conceito de humanidade. De onde vem a ideia de humanidade? Como isso influencia o nosso comportamento e a nossa organização na sociedade e na Terra? A partir dos impactos que a colonização trouxe, sustentou-se a ideia de que havia no mundo povos superiores a outros, raças superiores a outras, ideia criada pelos próprios europeus para justificar o genocídio e o epistemicídio - que é o assassinato de culturas e saberes. O que ocorreu como parte da dominação política nos territórios vistos como “desconhecidos” à época, daí então a ideia de “descobrimento”. Tendo isso como ponto de partida, já vemos de onde vem as reflexões propostas por Krenak, um homem indígena. De forma poética,  ele  nos faz pensar a nossa relação com a natureza, enquanto corpo que faz parte da Terra. Não somos donos dela,  não somos donos da Terra. Ailton faz críticas profundas ao modo de vida estabelecido como certo e único pela sociedade capitalista, que valoriza o consumo e esquece de se perguntar o que é, ou sentir, a vida. Como disse em uma entrevista, o livro não é um guia, nem é uma previsão apocalíptica, são percepções de um povo que habita esta terra há mais de dois ou três mil anos, são saberes profundos que mostram que estamos indo de mal a pior, e que não melhoraremos enquanto continuarmos nesse ritmo produtivista e não olharmos para nós, para o que está ao nosso redor, para o céu, para as outras formas de vida, humanas e não-humanas, para cima e para baixo.
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Paraquedas XIXBy LI Artes/IHAC-CJA/UFSB