No escuro

Já temos dois Salazares. Só falta mais um...


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José Filipe Costa psicanalisa o pai nosso. Isto é: psicanalisa-nos. Pai Nosso, Os Últimos Dias de Salazar não é um filme sobre o passado. Como aliás está a acontecer hoje com muitos "filmes de época": são mensagens para o presente. Mostrar o tempo que passou, o que já esquecemos e o que permanece latente.

Isto acontece nas salas esta semana.

Em Setembro, João Botelho estreará O Velho Salazar.

Tudo diferente e tudo igual. Aliás, um completa o outro.

O primeiro é onírico, fantasmagórico. Disse-nos um dia José Filipe Costa: "O passado não é uma coisa fixa, o passado é memória. E o cinema efabula. Deve muito à História, mas ao mesmo tempo não lhe deve. As narrativas cinematográficas vão a lugares onde a História não chega".

Tudo se passa em São Bento, huis clos e ambiente de folie, quando Salazar (Jorge Mota), depois do AVC, continua a pensar que é ele que ainda lidera o governo, e Maria de Jesus (Catarina Avelar) garante esse teatrinho do poder.

O segundo é mais farsante mas a partir de dados e factos cronológicos. Como um falso documentário.

Não há dois sem três? Diria o outro que sim...

No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).

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No escuroBy PÚBLICO