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Léa Campos foi uma das primeiras árbitras profissionais de futebol do mundo, e começou a carreira em uma época em que o futebol feminino era proibido por lei no Brasil! Para apitar suas primeiras partidas, precisou confrontar autoridades esportivas nacionais e internacionais, chegando a implorar ao presidente do Brasil por ajuda. Léa Campos nasceu em 1945, em Minas Gerais. Apaixonada pelo esporte desde a infância, Léa passou oito meses tendo aulas em um curso de arbitragem. Ao ser aprovada, tornou-se uma das primeiras mulheres do mundo a virar árbitra. Mesmo assim, o futebol feminino ainda era proibido no Brasil, e a CBD (Confederação Brasileira de Desportos, futura CBF) não liberou sua licença profissional. Teimosa, passou a organizar amistosos nos quais pudesse apitar – alguns deles disputados entre mulheres e, por isso, frequentemente interrompidos pela polícia. Em plena ditadura militar, Léa foi presa “pelo menos 15 vezes” em eventos esportivos. Em 1971, ao receber um convite para apitar a Copa do Mundo de Futebol Feminino, no México, Léa precisava mais do que nunca de sua licença de árbitro. Pediu ajuda a ninguém menos que o então presidente, o temido general Médici. E, por ter um dos filhos do militar como fã, conseguiu. Léa Campos apitou 98 partidas, e trabalhou como comentarista esportiva durante o início dos anos 70. Em 1974, a juíza sofreu um grave acidente automobilístico durante uma viagem de ônibus. As lesões fizeram-na passar por mais de cem cirurgias, e Léa Campos amargou dois anos em uma cadeira de rodas. Realizando parte do seu tratamento nos Estados Unidos, Léa conheceu seu futuro marido, e acabou se mudando para o país. Vive lá até hoje.
By Maitê Proença5
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Léa Campos foi uma das primeiras árbitras profissionais de futebol do mundo, e começou a carreira em uma época em que o futebol feminino era proibido por lei no Brasil! Para apitar suas primeiras partidas, precisou confrontar autoridades esportivas nacionais e internacionais, chegando a implorar ao presidente do Brasil por ajuda. Léa Campos nasceu em 1945, em Minas Gerais. Apaixonada pelo esporte desde a infância, Léa passou oito meses tendo aulas em um curso de arbitragem. Ao ser aprovada, tornou-se uma das primeiras mulheres do mundo a virar árbitra. Mesmo assim, o futebol feminino ainda era proibido no Brasil, e a CBD (Confederação Brasileira de Desportos, futura CBF) não liberou sua licença profissional. Teimosa, passou a organizar amistosos nos quais pudesse apitar – alguns deles disputados entre mulheres e, por isso, frequentemente interrompidos pela polícia. Em plena ditadura militar, Léa foi presa “pelo menos 15 vezes” em eventos esportivos. Em 1971, ao receber um convite para apitar a Copa do Mundo de Futebol Feminino, no México, Léa precisava mais do que nunca de sua licença de árbitro. Pediu ajuda a ninguém menos que o então presidente, o temido general Médici. E, por ter um dos filhos do militar como fã, conseguiu. Léa Campos apitou 98 partidas, e trabalhou como comentarista esportiva durante o início dos anos 70. Em 1974, a juíza sofreu um grave acidente automobilístico durante uma viagem de ônibus. As lesões fizeram-na passar por mais de cem cirurgias, e Léa Campos amargou dois anos em uma cadeira de rodas. Realizando parte do seu tratamento nos Estados Unidos, Léa conheceu seu futuro marido, e acabou se mudando para o país. Vive lá até hoje.