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Matt Mullenweg publicou uma avaliação extensa e autocrítica sobre o estado do projeto WordPress, questionando uma cultura de processos que, na sua perspetiva, paralisa a tomada de decisões, coloca as empresas acima dos contribuidores individuais e transformou o Five for the Future num programa que gera dados inúteis.
Lembre-se de que pode ouvir este programa no Pocket Casts, Spotify e Apple Podcasts ou subscrever o feed diretamente.
Olá, eu sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, que traz as notícias semanais da Comunidade WordPress.
Neste episódio, encontras a informação de 13 a 19 de abril de 2026.
No WordCamp Asia, em Mumbai, Índia, uma pergunta aparentemente rotineira durante a sessão final de perguntas e respostas desencadeou o debate interno mais intenso que a comunidade WordPress viveu em muito tempo.
Um participante perguntou ao painel qual era a melhor forma de uma empresa contribuir para o projeto. Dois dos committers mais ativos do core, Peter Wilson e Sergey Biryukov, deram a mesma resposta: patrocinar contribuidores a tempo inteiro. Matt Mullenweg, a acompanhar o evento à distância, discordou publicamente em tempo real, transmitindo a sua resposta através da equipa de comunicação da Automattic. O que se seguiu foi uma semana de críticas e autocríticas que voltou a pôr em cima da mesa questões que há muito estavam por responder.
A primeira thread começou no Make Core, onde Matt publicou uma reflexão sobre a fotografia de um crachá de conferência do evento, que viu circular nas redes sociais. No crachá aparecia a etiqueta “SELF EMPLOYED” em letras grandes. Isso levou-o a questionar em que momento o projeto começou a colocar os nomes das empresas acima de qualquer dado pessoal dos contribuidores, e se essa mudança de ênfase era saudável. A sua proposta concreta: os crachás deveriam mostrar o nome de utilizador no WordPress.org, a localização e o website do contribuidor, e não o empregador.
Mas foi no canal de Slack core-committers que a crítica se tornou mais extensa e mais contundente. O gatilho foi um ticket de Trac relacionado com o ecrã de Connectors do WordPress 7.0, criado por um colaborador da Automattic depois de uma conversa privada com um colega, e integrado durante a fase de Release Candidate sem discussão pública. Um contribuidor externo tinha assinalado a situação e enviado uma notificação a Mullenweg. Quando ele a reviu depois de regressar do WordCamp, descreveu-a como um microcosmo de todos os problemas que o projeto carrega.
O diagnóstico de Matt foi direto: o WordPress não está a ser derrotado pela concorrência, está a prejudicar-se a si próprio. Dezanove anos de crescimento sustentado perante críticos que previam o seu fracasso, e agora, segundo ele, o projeto passou anos a desfazer tudo o que o tornou bem-sucedido.
Apontou o excesso de processos como a causa principal:
todas razoáveis isoladamente, mas que em conjunto criaram uma cultura que torna funcionalmente impossível resolver questões menores sem semanas de conversas no Slack e dezenas de participantes. O acumular de mais de 8.000 tickets abertos no Trac, que o projeto optou por esconder atrás de uma query personalizada em vez de resolver, pareceu-lhe um exemplo perfeito dessa dinâmica.
Também foi crítico em relação ao estado do WordPress.org, apontando:
E criticou o ecrã AI Connectors que ele próprio tinha impulsionado para o WordPress 7.0: demorou demasiado tempo a chegar e, quando chegou, mostrava ecrãs de erro.
Comparou o tempo investido com o ritmo a que a Cloudflare construiu o seu próprio CMS, EmDash, em dois meses.
Em paralelo, no canal de Slack five-for-the-future, Matt foi igualmente direto em relação ao programa que lançou em 2014 para que as empresas dedicassem cinco por cento da sua capacidade a contribuir para o projeto.
O problema não é o conceito, mas sim a execução: o programa foi concebido para incentivar compromissos que nunca são verificados e não têm em conta se a atividade resultante está alinhada com os objetivos do projeto. Os dados que gera são, nas suas próprias palavras, “pior que inúteis.”
Identificou quatro problemas específicos:
As respostas dentro do projeto foram variadas. Anne McCarthy, da Automattic, reconheceu que o pêndulo oscilou demasiado para o lado do reconhecimento corporativo e abriu uma proposta para desenhar um modelo-padrão de crachá que todos os WordCamps possam adotar.
Também apoiou a ideia de recuperar o papel de Lead Developer, cujo desaparecimento, acredita ela, deixou lacunas de responsabilização e tomada de decisão que se tornam visíveis em cada ciclo de lançamento.
Amber Hinds salientou que medir horas brutas favorece estruturalmente as grandes empresas, e propôs medir a proporção de horas disponíveis dedicadas ao projeto. Uma pessoa que contribui com metade do seu tempo está a dar proporcionalmente muito mais do que uma empresa cujas centenas de horas representam apenas cinco por cento da sua capacidade total.
Courtney Robertson levantou uma questão que circula desde 2024: quem é que realmente detém a infraestrutura do projeto. O WordPress.org pertence pessoalmente a Mullenweg, e Robertson pediu-lhe que isso fosse afirmado de forma clara e por escrito, para que os contribuidores compreendam que trabalhar nessa infraestrutura significa contribuir para o projeto, e não enriquecer um indivíduo privado.
Fora do Slack, o diagnóstico de Matt encontrou concordância considerável na comunidade em geral, embora a forma como o expressou não tenha tido a mesma receção. Várias figuras do ecossistema observaram que o tom e o estilo da intervenção seguem um padrão familiar: longos períodos de ausência sobre um tema, seguidos por uma intervenção extensa e carregada, que dificulta uma resposta construtiva. O termo “Matt Bomb”, criado há mais de uma década, começou a circular de novo.
Mullenweg encerrou as suas publicações de terça-feira com uma reflexão sobre Joost de Valk, com quem mantém um conflito público desde 2024 e que foi banido do WordPress.org depois de ter defendido publicamente o fim da sua liderança como “benevolent dictator for life”. Escreveu que gostava de ter apoiado mais as tentativas de de Valk para impulsionar mudanças no projeto. De Valk, que acompanhava a conversa no Slack da comunidade PostStatus, respondeu com um emoji de encolher de ombros.
Um dos problemas mais recorrentes nos Contributor Days das WordCamps é que os participantes passam a sessão inteira a tentar configurar o seu ambiente local e nunca chegam realmente a contribuir.
Para resolver isso, a equipa publicou o WordPress Core Dev Environment Toolkit, uma aplicação de desktop disponível para macOS, Windows e Linux que configura um ambiente completo de desenvolvimento para WordPress Core sem pré-requisitos. O processo resume-se a instalar a aplicação, escolher uma diretoria, clicar, e ficar com um repositório wordpress-develop clonado, um servidor de desenvolvimento em funcionamento e a possibilidade de fazer alterações e gerar um patch pronto a anexar no Trac.
A ferramenta foi desenhada especificamente para o contexto de Contributor Day, em que o objetivo é que alguém passe de participante a autor do primeiro patch numa única tarde. Os organizadores podem partilhar o link de download com os participantes antes do evento, para que o possam instalar em casa com uma boa ligação, já que o download é algo pesado.
Diretamente em linha com a crítica que tinha lançado na semana anterior sobre o excesso de processos manuais no projeto, Matt Mullenweg publicou no Make Meta um apelo aberto: qualquer contribuidor é convidado a propor processos do WordPress.org que possam ser automatizados.
As respostas da comunidade mostram com clareza onde estão os bloqueios mais óbvios. A revisão de plugins é a área mais mencionada: com mais de 500 submissões semanais e tempos de espera para a primeira revisão superiores a duas semanas, alguns propõem deixar a IA fazer uma primeira triagem, enquanto os revisores humanos se concentram em casos limite, recursos e relatórios de segurança.
Outras propostas abrangem:
A resposta de Mullenweg foi breve, mas clara: “preparem-se.”
A equipa de Community anunciou os patrocinadores globais do programa de eventos para o período entre o segundo trimestre de 2026 e o segundo trimestre de 2027. Estão envolvidas três organizações: a Automattic, com as marcas Jetpack e WordPress.com, e a Hostinger como Global Leaders, e a Woo como Regional Powerhouse.
O seu apoio cobre os custos operacionais que tornam possíveis os WordCamps e os Meetups ao longo do ano: aluguer de espaços, catering, equipamento audiovisual, licenças para mais de 685 grupos ativos em todo o mundo, e seguros para eventos. Os organizadores de eventos em 2026 devem incluir os logótipos destes parceiros nos seus websites e podem contactar cada empresa para confirmar qual a marca específica que os representará no seu evento.
E por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como uma versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todos os links para mais informação, bem como o podcast noutras línguas, em WPpodcast .org.
Obrigado por ouvires, e até ao próximo episódio.
By WPpodcast TeamMatt Mullenweg publicou uma avaliação extensa e autocrítica sobre o estado do projeto WordPress, questionando uma cultura de processos que, na sua perspetiva, paralisa a tomada de decisões, coloca as empresas acima dos contribuidores individuais e transformou o Five for the Future num programa que gera dados inúteis.
Lembre-se de que pode ouvir este programa no Pocket Casts, Spotify e Apple Podcasts ou subscrever o feed diretamente.
Olá, eu sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, que traz as notícias semanais da Comunidade WordPress.
Neste episódio, encontras a informação de 13 a 19 de abril de 2026.
No WordCamp Asia, em Mumbai, Índia, uma pergunta aparentemente rotineira durante a sessão final de perguntas e respostas desencadeou o debate interno mais intenso que a comunidade WordPress viveu em muito tempo.
Um participante perguntou ao painel qual era a melhor forma de uma empresa contribuir para o projeto. Dois dos committers mais ativos do core, Peter Wilson e Sergey Biryukov, deram a mesma resposta: patrocinar contribuidores a tempo inteiro. Matt Mullenweg, a acompanhar o evento à distância, discordou publicamente em tempo real, transmitindo a sua resposta através da equipa de comunicação da Automattic. O que se seguiu foi uma semana de críticas e autocríticas que voltou a pôr em cima da mesa questões que há muito estavam por responder.
A primeira thread começou no Make Core, onde Matt publicou uma reflexão sobre a fotografia de um crachá de conferência do evento, que viu circular nas redes sociais. No crachá aparecia a etiqueta “SELF EMPLOYED” em letras grandes. Isso levou-o a questionar em que momento o projeto começou a colocar os nomes das empresas acima de qualquer dado pessoal dos contribuidores, e se essa mudança de ênfase era saudável. A sua proposta concreta: os crachás deveriam mostrar o nome de utilizador no WordPress.org, a localização e o website do contribuidor, e não o empregador.
Mas foi no canal de Slack core-committers que a crítica se tornou mais extensa e mais contundente. O gatilho foi um ticket de Trac relacionado com o ecrã de Connectors do WordPress 7.0, criado por um colaborador da Automattic depois de uma conversa privada com um colega, e integrado durante a fase de Release Candidate sem discussão pública. Um contribuidor externo tinha assinalado a situação e enviado uma notificação a Mullenweg. Quando ele a reviu depois de regressar do WordCamp, descreveu-a como um microcosmo de todos os problemas que o projeto carrega.
O diagnóstico de Matt foi direto: o WordPress não está a ser derrotado pela concorrência, está a prejudicar-se a si próprio. Dezanove anos de crescimento sustentado perante críticos que previam o seu fracasso, e agora, segundo ele, o projeto passou anos a desfazer tudo o que o tornou bem-sucedido.
Apontou o excesso de processos como a causa principal:
todas razoáveis isoladamente, mas que em conjunto criaram uma cultura que torna funcionalmente impossível resolver questões menores sem semanas de conversas no Slack e dezenas de participantes. O acumular de mais de 8.000 tickets abertos no Trac, que o projeto optou por esconder atrás de uma query personalizada em vez de resolver, pareceu-lhe um exemplo perfeito dessa dinâmica.
Também foi crítico em relação ao estado do WordPress.org, apontando:
E criticou o ecrã AI Connectors que ele próprio tinha impulsionado para o WordPress 7.0: demorou demasiado tempo a chegar e, quando chegou, mostrava ecrãs de erro.
Comparou o tempo investido com o ritmo a que a Cloudflare construiu o seu próprio CMS, EmDash, em dois meses.
Em paralelo, no canal de Slack five-for-the-future, Matt foi igualmente direto em relação ao programa que lançou em 2014 para que as empresas dedicassem cinco por cento da sua capacidade a contribuir para o projeto.
O problema não é o conceito, mas sim a execução: o programa foi concebido para incentivar compromissos que nunca são verificados e não têm em conta se a atividade resultante está alinhada com os objetivos do projeto. Os dados que gera são, nas suas próprias palavras, “pior que inúteis.”
Identificou quatro problemas específicos:
As respostas dentro do projeto foram variadas. Anne McCarthy, da Automattic, reconheceu que o pêndulo oscilou demasiado para o lado do reconhecimento corporativo e abriu uma proposta para desenhar um modelo-padrão de crachá que todos os WordCamps possam adotar.
Também apoiou a ideia de recuperar o papel de Lead Developer, cujo desaparecimento, acredita ela, deixou lacunas de responsabilização e tomada de decisão que se tornam visíveis em cada ciclo de lançamento.
Amber Hinds salientou que medir horas brutas favorece estruturalmente as grandes empresas, e propôs medir a proporção de horas disponíveis dedicadas ao projeto. Uma pessoa que contribui com metade do seu tempo está a dar proporcionalmente muito mais do que uma empresa cujas centenas de horas representam apenas cinco por cento da sua capacidade total.
Courtney Robertson levantou uma questão que circula desde 2024: quem é que realmente detém a infraestrutura do projeto. O WordPress.org pertence pessoalmente a Mullenweg, e Robertson pediu-lhe que isso fosse afirmado de forma clara e por escrito, para que os contribuidores compreendam que trabalhar nessa infraestrutura significa contribuir para o projeto, e não enriquecer um indivíduo privado.
Fora do Slack, o diagnóstico de Matt encontrou concordância considerável na comunidade em geral, embora a forma como o expressou não tenha tido a mesma receção. Várias figuras do ecossistema observaram que o tom e o estilo da intervenção seguem um padrão familiar: longos períodos de ausência sobre um tema, seguidos por uma intervenção extensa e carregada, que dificulta uma resposta construtiva. O termo “Matt Bomb”, criado há mais de uma década, começou a circular de novo.
Mullenweg encerrou as suas publicações de terça-feira com uma reflexão sobre Joost de Valk, com quem mantém um conflito público desde 2024 e que foi banido do WordPress.org depois de ter defendido publicamente o fim da sua liderança como “benevolent dictator for life”. Escreveu que gostava de ter apoiado mais as tentativas de de Valk para impulsionar mudanças no projeto. De Valk, que acompanhava a conversa no Slack da comunidade PostStatus, respondeu com um emoji de encolher de ombros.
Um dos problemas mais recorrentes nos Contributor Days das WordCamps é que os participantes passam a sessão inteira a tentar configurar o seu ambiente local e nunca chegam realmente a contribuir.
Para resolver isso, a equipa publicou o WordPress Core Dev Environment Toolkit, uma aplicação de desktop disponível para macOS, Windows e Linux que configura um ambiente completo de desenvolvimento para WordPress Core sem pré-requisitos. O processo resume-se a instalar a aplicação, escolher uma diretoria, clicar, e ficar com um repositório wordpress-develop clonado, um servidor de desenvolvimento em funcionamento e a possibilidade de fazer alterações e gerar um patch pronto a anexar no Trac.
A ferramenta foi desenhada especificamente para o contexto de Contributor Day, em que o objetivo é que alguém passe de participante a autor do primeiro patch numa única tarde. Os organizadores podem partilhar o link de download com os participantes antes do evento, para que o possam instalar em casa com uma boa ligação, já que o download é algo pesado.
Diretamente em linha com a crítica que tinha lançado na semana anterior sobre o excesso de processos manuais no projeto, Matt Mullenweg publicou no Make Meta um apelo aberto: qualquer contribuidor é convidado a propor processos do WordPress.org que possam ser automatizados.
As respostas da comunidade mostram com clareza onde estão os bloqueios mais óbvios. A revisão de plugins é a área mais mencionada: com mais de 500 submissões semanais e tempos de espera para a primeira revisão superiores a duas semanas, alguns propõem deixar a IA fazer uma primeira triagem, enquanto os revisores humanos se concentram em casos limite, recursos e relatórios de segurança.
Outras propostas abrangem:
A resposta de Mullenweg foi breve, mas clara: “preparem-se.”
A equipa de Community anunciou os patrocinadores globais do programa de eventos para o período entre o segundo trimestre de 2026 e o segundo trimestre de 2027. Estão envolvidas três organizações: a Automattic, com as marcas Jetpack e WordPress.com, e a Hostinger como Global Leaders, e a Woo como Regional Powerhouse.
O seu apoio cobre os custos operacionais que tornam possíveis os WordCamps e os Meetups ao longo do ano: aluguer de espaços, catering, equipamento audiovisual, licenças para mais de 685 grupos ativos em todo o mundo, e seguros para eventos. Os organizadores de eventos em 2026 devem incluir os logótipos destes parceiros nos seus websites e podem contactar cada empresa para confirmar qual a marca específica que os representará no seu evento.
E por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como uma versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todos os links para mais informação, bem como o podcast noutras línguas, em WPpodcast .org.
Obrigado por ouvires, e até ao próximo episódio.