Estúdio Raposa

“Morna”, poema de Daniel Filipe.


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É já saudade a vela, além.

Serena, a música esvoaça
na tarde calma, plúmbea, baça,
onde a tristeza se contém.

os pares deslizam embrulhados

de sonhos em dobras inefáveis.

(Ó deuses lúbricos, ousáveis

erguer, então, na tarde morta
a eterna ronda de pecados
que ia bater de porta em porta.)

E ao ritmo túmido do canto

na solidão rubra da messe,
deixo correr o sal e o pranto
– subtil e magoado encanto
que o rosto núbil me envelhece.

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Estúdio RaposaBy Luis Gaspar