A fé é um dos pilares centrais da experiência humana com Deus. Desde os tempos mais antigos, as Escrituras revelam que o relacionamento entre o Criador e o homem se fundamenta na confiança, na esperança e na certeza de que Deus age em favor daqueles que nele depositam sua expectativa. O profeta em Livro de Isaías declara: “Desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que opera a favor daquele que por ele espera” (Isaías 64:4). Essa afirmação estabelece um princípio profundo: Deus não é passivo diante das necessidades humanas; Ele trabalha em favor daqueles que aprendem a confiar n’Ele.
Essa verdade encontra eco nas palavras de Jesus Cristo registradas no Evangelho de João: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17). Essa declaração revela que Deus não está distante ou indiferente às dores humanas. Pelo contrário, Ele permanece atuante na história, conduzindo acontecimentos e respondendo à fé daqueles que o buscam. O trabalho divino não está limitado ao passado bíblico; ele continua no presente, alcançando aqueles que se aproximam de Deus com sinceridade.
Entretanto, essa aproximação exige um elemento indispensável: a fé. A epístola aos Hebreus afirma que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). A fé não é apenas uma crença intelectual na existência divina, mas uma confiança viva no caráter de Deus. É acreditar que Ele existe e que recompensa aqueles que o buscam diligentemente. Essa convicção transforma a maneira como o ser humano enfrenta as circunstâncias da vida, pois a fé desloca o foco do problema para o poder de Deus.
Um exemplo claro dessa realidade aparece no Evangelho de Marcos, quando uma mulher que sofria há anos decidiu tocar nas vestes de Jesus, dizendo em seu coração: “Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficarei curada” (Marcos 5:28). Esse episódio demonstra que a fé muitas vezes nasce em meio ao desespero, mas se fortalece na convicção de que Deus pode transformar qualquer situação. Ao ser curada, ela ouviu de Jesus: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e fica livre do teu mal” (Marcos 5:34). Aqui se percebe que a fé não apenas move o coração humano, mas também ativa a intervenção divina.
Contudo, as Escrituras também alertam sobre um perigo comum: o excesso de palavras vazias e reflexões que não produzem transformação. Em Livro de Eclesiastes, lemos que “as muitas palavras aumentam a vaidade” (Eclesiastes 6:11). Esse ensinamento nos lembra que a verdadeira espiritualidade não se manifesta apenas em discursos religiosos, mas em uma fé prática, que se traduz em confiança e perseverança diante das dificuldades.
Essa tensão entre fé e dúvida aparece novamente na história de Marta, narrada no Evangelho de João. Diante da morte de seu irmão, ela declarou a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (João 11:21). Suas palavras revelam ao mesmo tempo fé e questionamento. Ela acreditava no poder de Jesus, mas ainda lutava para compreender os caminhos de Deus. Esse episódio mostra que a fé humana nem sempre é perfeita, mas Deus é capaz de agir mesmo em meio às nossas limitações.
Portanto, a mensagem central dessas passagens é clara: Deus continua trabalhando em favor daqueles que o buscam com fé. A história bíblica demonstra que, embora a vida apresente desafios, dores e momentos de dúvida, a confiança em Deus abre espaço para que o impossível se torne realidade. Assim, mais do que palavras ou teorias, o que transforma a vida do homem é uma fé viva, perseverante e esperançosa — a fé que espera em Deus e descobre, com o tempo, que Ele nunca deixou de trabalhar.
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