CofeComMilque

Mundo virtual: tudo que é sólido desmancha no ar.


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Aquele em que nossos quatro intrépidos e odiados pegam rabeira nos meandros da internê, discutindo questões de cybercultura e cyberespaço. Osvaldão dá o passo inicial para Pierre Levy, definindo cyberespaço como a rede em que se produz a cybercultura – incluindo os nudes! 
Moisés dá um carrinho na questão e pergunta para Bruno qual seria a diferença entre o real e o virtual e Bruno chama truco ao citar o filósofo Guy Debord, de “A sociedade do espetáculo”, alegando que “no mundo realmente invertido, o real é um momento do falso”. 
Cássio, que observava a discussão com o queixo apoiado sobre o punho esquerdo, chama seis e cita Marshall McLuhan (“Os meios de comunicação como extensão do homem”): o que interessa no cyberespaço é o próprio meio, ou seja, a forma como nós interagimos com a realidade a partir de uma certa maneira disposta por ele. Após algum bate-bola no meio do campo, Moisés se pergunta se não seria o mundo virtual uma espécie de duplo oscarwildeano em que mostramos o que escondemos na realidade, e Bruno e Osvaldo refletem sobre as relações entre perversão, pulsão de morte e redes sociais. 
Trocando as ondas fluidas da internê pelas areias movediças da democracia, os quatro odiosos e odientos se interrogam sobre as relações entre democracia e mídias sociais, quando Cássio tira de trás da orelha de Moisés mais um filósofo que só ele leu: Yascha Mounk (“O povo contra a democracia: Por que nossa liberdade corre perigo e como salvá-la”), deixando nosso ouvinte reflexivo ao se perguntar: éramos tão democratas antes da internet? Cássio e Mounk acreditam que não, já que nós amamos mais o dinheiro que a democracia, e o fantasma de Karl Marx aparece no áudio: a Burguesia acordou o demônio do capitalismo, que ela própria não consegue mais controlar. 
Moisés, ciente de que magia só se combate com magia, pergunta a todos se a internet não nos teria devolvido a alma que a ciência nos roubou (!). Cássio então toca para Milton Santos (“Três aspectos da globalização”), que passa a bola para Ciro Gomes, lembrando da democratização dos desejos mas não da satisfação, que inverte para Aly Muritiba, diretor do filme “Ferrugem”, ganhador do Festival de Gramado, que de canhota joga para Sartre e Dostoiévski, que prendem demais a bola ao discutir se no mundo sem Deus tudo é permitido, quando a bola é roubada por Slavoj Žižek que revida: no mundo sem Deus “nada” é permitido. Na falta de um bandeirinha, Cássio levanta impedimento dizendo que a gestão pessoal do desejo é uma puta de uma sacanagem com o sujeito. Bruno, provavelmente cansado de raciocinar, volta a questão para a literatura, perguntando a Cássio se o mundo das “neuroses”, dos “traumas” e do “outro” descrito por Clarice Lispector não teria chegado ao fim, dando lugar a uma visão fetichista e objetificada das relações sociais. Sufocados no arrastão de tantas perguntas que eles próprios levantaram, nossos odiados decidem sair de fininho pela porta dos fundos da “deep web”. Mas deixam de lembrança a leitura de três textos, para finalizar: de Guy Debord, Karl Marx e o poema quase inédito “Musas”, de Eduardo Sterzi.
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