Música negra do Brasil

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Música negra do Brasil episodes

  • 10 – palavra, voz & toque: um discurso rítmico azuela mambu

    O professor, poeta e tradutor André Capilé propõe uma investigação dos módulos rítmico-sonoros dos tambores do candomblé de matriz bantu, assim como sua influência em algumas correntes da música brasileira. O episódio que encerra a série Música Negra do Brasil tem trechos de, entre outros, Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, João Gilberto e Milton Nascimento. Capilé mostra como as percepções dos toques nagô são reconhecíveis, por exemplo, nas estruturas rítmicas das escolas de samba e nas marcações dos maracatus, afoxés e outros grupamentos que têm o tambor como marco musical.

    Texto, seleção de fonogramas, locução e gravação: André Capilé

    Mixagem: Filipe Di Castro

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Nascido em Barra Mansa, interior sul fluminense, André Capilé é professor, poeta, tradutor e tata kambondo do Omariô de Jurema e da Inzo Lemba Bojinã Junsá. Graduou-se em Filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora, é mestre em Estudos Literários e doutor em “Literatura, Cultura e Contemporaneidade”, pela PUC-Rio. Publicou “rapace” (2012), pela editora TextoTerritório; “balaio” (2014), pela coleção megamini da 7Letras; “muimbu” (2017) e “paratexto” (2019), pelas Edições Macondo; “rebute” (2019) e “chabu” (2019), ambos pela editora TextoTerritório, “azagaia” (2021), pela Edições Macondo; em parceria com Guilherme Gontijo Flores publicou o ensaio “Tradução-Exu (ensaio de tempestades a caminho)” e “Uma A Outra Tempestade (Uma Tradução-Exu)”, ambos pela Editora Relicário, em 2022.

    19 min
  • 9 – O som do samba

    O professor e pesquisador Bernardo Oliveira traça um panorama da trajetória das gravações no país, indicando como também é possível contar a história da música brasileira a partir do som registrado nos estúdios. O episódio tem como protagonistas o que Oliveira chama de “dois artistas do áudio”: Norival Reis, o Vavá da Portela (“do Pagode do Vavá”, de Paulinho da Viola), e seu filho Luiz Carlos T. Reis. Eles são prova de que as escolhas não são apenas técnicas, mas também estéticas. O samba, especialmente, foi transformado pelos dois. Norival trabalhou em discos de, por exemplo, Martinho da Vila, Cartola e Candeia. T. Reis, como é conhecido, conseguiu levar para o estúdio o som das rodas do Cacique de Ramos no histórico disco “De pé no chão”, de Beth Carvalho. Depois, atuou em discos de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e outros.

     

    Texto, seleção de fonogramas, locução e gravação: Bernardo Oliveira

    Edição: Filipe Di Castro

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Bernardo Oliveira é professor adjunto da Faculdade de Educação da UFRJ, pesquisador, crítico de música e cinema e produtor. É produtor do selo musical QTV Selo, curador e produtor do Festival Antimatéria. Coproduziu o álbum “Rocinha”, do músico Mbé, entre outros discos, em sua maioria pelo QTV Selo. Realizou a investigação musical do filme “Zama” (2017), de Lucrecia Martel. Faz parte do projeto “Ciranda do Gatilho” (Sesc, 2020). Publicou em dezembro de 2014 o livro “Tom Zé — Estudando o samba” (Editora Cobogó). Em novembro de 2021, publicou “Deixa queimar” (Editora Numa).

    38 min
  • 8 – Sertanejo e o enigma racial brasileiro

    O que a música sertaneja tem a ver com raça e racismo? Esta é a pergunta que o professor Marcos Queiroz responde em seu áudio-ensaio. Ele repassa a história do gênero e ressalta a importância de artistas negros ou negríndios, casos do pioneiro João Pacífico e da dupla Cascatinha e Inhana. Mas mostra que é uma história de embranquecimento. Hoje, quase todos os que fazem sucesso são brancos. Queiroz detalha os fatores socioeconômicos e culturais que levam ao apagamento dos negríndios. Para ele, o gênero sertanejo é antropofágico, mas só os brancos têm poder para digerir as referências. Os outros são deixados no passado.

     

    Texto, seleção de fonogramas, locução, gravação: Marcos Queiroz

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Marcos Queiroz é professor no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa. Doutor em Direito pela Universidade de Brasília, com sanduíche na Universidad Nacional de Colombia e na Duke University.

     

    Fonogramas (por ordem de aparição)

    Marília Mendonça – Eu Sei de Cor (2017)

    Marília Mendonça – Ciumeira (2019)

    Milionário e José Rico – Estrada da Vida (1977)

    João Pacífico – Chico Mulato (1980)

    Cartola – Preciso Me Encontrar (1976)

    José Asunción Flores – India

    Cascatinha e Inhana – Índia (1952)

    Chitãozinho e Xororó – Fio de Cabelo (1982)

    Cascatinha e Inhana – Meu Primeiro Amor (1952)

    Cascatinha e Inhana – Colcha de Retalhos (1955)

    Ary Barroso – No Rancho Fundo (1955)

    Luizinho, Limeira e Zezinho – O Menino da Porteira (1955)

    Sérgio Reis – O Menino da Porteira (1973)

    Jair Rodrigues, Chitãozinho e Xororó – A Majestade, O Sabiá (1985)

    Roberta Miranda – A Majestade, O Sabiá (2017)

    Tião Carreiro e Pardinho – A Mão do Tempo (1999)

    Tião Carreiro e Pardinho – Pagode em Brasília (1961)

    Zé Mulato e Cassiano – Diário do Caipira (2003)

    Pena Branca & Xavantinho – Chalana  (1996)

    Douglas Maio – Pense em Mim (2015)

    Rick e Renner – Ela é Demais (1998)

    Belmonte e Amaraí – Saudade da Minha Terra (1996)

    Pena Branca e Xavantinho – Tristeza do Jeca (1996)

    Zé Mulato e Cassiano – Ciência Matuta (2013)

    Pena Branca e Xavantinho – Triste Berrante (1993)

    Pena Branca e Xavantinho – O Cio da Terra (1996)

    Tião Carreiro e Pardinho – Mundo Velho (1982)

    Tião Carreiro e Pardinho – Preto Velho (1982)

    Tião Carreiro e Parafuso – Neguinho Parafuso (1994)

    Simone e Simaria – Loka ft. Anitta (2017)

    Zé do Rancho e Zé do Pinho – No Colo da Noite (1997)

    João da Baiana – Lamento de Xangô (1952)

    João da Baiana – Lamento de Inhasã (1952)

    Arlindo Santana e Cornélio Pires – Moda da Revolução (1930)

    Arlindo Santana – Paixão do Caboclo (1936)

    Adauto Santos – Bahia, Bahia/Marinheiro Só (1998)

     

    Referências

    Alonso, Gustavo. Do sertanejo universitário ao feminejo: a música sertaneja e a antropofagia das massas. Zumbido, v.2, p. 12, 2018.

    Alonso, Gustavo. O rodeio e a roça: o mistério da música sertaneja. Lacerda, Marcos. Música. Rio de Janeiro, Funarte, 2016

    Amaral, Sidney. História do sanitarismo no Brasil (o trono do rei), 2014.

    Dias, Alessandro Henrique Cavicchia. “Do iê-iê-iê ao êê-boi”: Sérgio Reis e a modernização da música sertaneja (1967–1982). Dissertação de Mestrado em História pela UNESP, 2014.

    Moura, Clóvis. Sociologia do Negro Brasileiro. São Paulo: Editora Ática, 1988.

    Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da Roça ao Rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.

    Oliveira, Acauam. Sertanejo hipster. O rock não morreu: se converteu ao sertanejo universitário e ao forró eletrônico para seguir no mainstream. Revista Bravo!, 22/10/2020.

    Paes, José Paulo. Arcádia revisitada. Paes, José Paulo. Gregos & baianos: ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1985

    Queiroz, Marcos. Sertanejo, hegemonia e modernidade. Revista Continente, v. 1, p. 54–59, 2021.

    Rodrigues, Ana Maria. Samba negro, espoliação branca. São Paulo: Editora HUCITEC, 1984.

    Santo, Spirito, post no Facebook:

    https://www.facebook.com/spiritosolto/posts/10220210761711644

    Silva, Denise Ferreira da. À brasileira: racialidade e a escrita de um desejo destrutivo. Estudos Feministas, v. 13, n. 1, 2006, p. 82.

     

    Agradecimentos

    Acauam Oliveira

    Bernardo Oliveira

    50 min
  • 7 – Tecnologias do beat

    No início dos anos 2000, novas tecnologias digitais como software de criação de beats e produção musical transformaram o cenário musical do mundo. No Brasil, artistas das cenas musicais das periferias brasileiras desenvolveram uma relação de experimentação com essas ferramentas, subvertendo-as para dar corpo a novos modos de criação musical e pensamento sonoro. GG Albuquerque, responsável pelo site O Volume Morto referência quando o assunto são as novidades musicais das periferias do país, mergulha nos sons produzidos em pequenos estúdios das quebradas para entender a música popular eletrônica contemporânea no contexto da afro-diáspora.

     

    Roteiro, captação e tratamento de áudio, desenho de som e locução: GG Albuquerque

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    GG Albuquerque, jornalista e doutorando em Estéticas e Culturas da Imagem e do Som pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), escreve o blog Volume Morto e é cofundador do Embrazado, portal jornalístico e podcast dedicados às culturas musicais das periferias brasileiras que contou com apoio do edital Petrobras Cultural. Trabalhou como repórter de cultura do Jornal do Commercio e da Folha de Pernambuco e colabora com Portal Kondzilla, UOL Tab, Vice Brasil, Bandcamp, Revista Continente, Revista Noize, Monkeybuzz, entre outros. Foi curador da mostra musical Periferia Invenção, no Sesc Santo Amaro. Escreveu e apresentou o documentário sobre brega-funk produzido pelo Spotify, em novembro de 2019. Foi curador do edital Natura Musical em 2020 e do edital Oi Futuro em 2021.

     

    26 min
  • 6 – A onda do funk-soul afro-brasileiro

    A soul music, onda cultural que contagiou o mundo nos anos 1960, chegou com força ao Brasil. Sofreu críticas pelos que não a consideravam música realmente brasileira. Mas conseguiu se impor graças a Wilson Simonal, Cassiano, Tim Maia e tantos outros que são lembrados por Ana Júlia Silvino neste áudio-ensaio. Ela ainda destaca as mulheres, Lady Zu à frente, frequentemente esquecidas no movimento. O papel do rádio na difusão da soul music (a americana e a brasileira) é outro assunto do episódio, o sexto da série Música Negra do Brasil.

    Roteiro, captação e tratamento de áudio, desenho de som: Ana Júlia Silvino e Álvaro Borges

    Locução: Ana Júlia Silvino

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Ana Júlia Silvino é graduanda em Rádio, TV e Internet na Universidade Federal de Juiz de Fora. É redatora cultural no Descolonizarte – revista decolonial de artes visuais – e atua como crítica de cinema. Participou do 5° Talent Press Rio (RJ), integrou o Júri Jovem – 24° Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) e Primeiro Plano 2020, festival de cinema de Juiz de Fora e Mercocidades. Fez parte da curadoria do Cineclube Lumière e Cia. (UFJF) e, em 2021, integrou o corpo curatorial do concurso de roteiros de longa-metragem do Fade to Black Festival. Faz parte da equipe de comunicação da INDETERMINAÇÕES – plataforma de crítica e cinema negro brasileiro. Por fim, já colaborou em revistas eletrônicas de crítica, como Revista Cinética (SP) e Verberenas (DF).

     

    Músicas (pela ordem):

    Onda – Cassiano

    O ouro e a madeira – Ederaldo Gentil

    Quem vem pra beira do mar – Dorival Caymmi

    I know you got soul – Bobby Byrd

    Get up off a that thing – James Brown

    Geleia geral – Gilberto Gil

    I don’t know what this world is coming to – The Soul Children

    Tributo a Martin Luther King – Wilson Simonal

    Coleção – Cassiano

    Primavera (Vai chuva) – Tim Maia

    A lua e eu – Cassiano

    One nation under a groove – Funkadelic

    A noite vai chegar – Lady Zu

    Da ponte prá cá – Racionais MC’s

    Depoimentos (pela ordem):

    Hamilton Bernardes Cardoso

    Hamilton Bernardes Cardoso

    Wilson Simonal

    Paulo Cesar Barros (PC)

    DJ Big Boy

    James Brown

    Entrevista de rua (documentário Balanço Black)

    Mano Brown

     

    Referências:

    PALOMBINI, Carlos. Soul brasileiro e funk carioca. Opus, Goiânia, v. 15, n. 1, p. 37-61, jun. 2009.

    Documentário Movimento Black Rio (1976) de Luiz Felipe de Lima Peixoto e José Otávio Sabadelhe.

    Série documental Balanço Black dirigida por Flávio Frederico.

    Programa Freestyle com Mano Brown.

    O negro da senzala ao soul (1977), documentário realizado pelo Departamento de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo.

    20 min
  • 5 – Improviso e encantamento: territórios de Exu

    “No princípio era Exu”, diz Acauam Oliveira no quinto episódio da série Música Negra do Brasil. Em cinco capítulos e um epílogo, o professor e ensaísta discorre, em formato original, sobre as manifestações musicais afro-brasileiras, tendo o improviso como eixo da narrativa. Ele explica abaixo:

    “Neste episódio, o improviso é pensado enquanto metáfora para a própria condição do ser negro no mundo. Uma forma de vivenciar uma identidade sob sequestro, improvisada, enquanto signo e marca de precariedade e desumanização e, ao mesmo tempo, como a capacidade de inventar mundos desde um não-lugar, dotando a negatividade de sentido – ou seja, a negritude como a própria condição de existência sob o signo da modernidade. Voltando-se para o contexto da música popular brasileira, será dado destaque a diversas formas de mobilização desse devir negro”.

    Texto, seleção de fonogramas, locução, gravação, edição e mixagem: Acauam Oliveira

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

    Acaum Oliveira é mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo. Professor adjunto da Universidade de Pernambuco e do programa de pós-graduação em Letras da UPE, atualmente sua área de pesquisa envolve os campos da literatura, música popular e crítica cultural, bem como questões relacionadas a afrodescendência e relações étnicorraciais. É autor da introdução ao livro “Sobrevivendo no inferno”, dos Racionais MC’s.

     

    Fonogramas

    SoundSupport: HealingSession – Master Minded (2022)

    Sirê de Exu (Banda Filhos de Gandhy) (1996)

    Agueré de Oxóssi

    Só o ôme (Edenal Rodrigues) – versão Noriel Vilela (1969)

    Bum bum tan tan (MC Fioti) (2017)

    Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) – versão Alcione (1999)

    História do Brasil – quem inventou o Brasil (Lamartine Babo) (1934)

    Abre alas (Chiquinha Gonzaga) – versão Banda da Casa Edison (1913)

    Bolimbalacho (Eduardo das Neves) (1908)

    Africadeus (Naná Vasconcelos) (1973)

    Festa de Umbanda (Martinho da Vila) (1974)

    Cordiais saudações (Noel Rosa) (1931)

    Se você jurar (Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves) – versão Francisco Alves e Mario Reis (1931)

    A incrível bateria do mestre Marçal (1987)

    Prazer da Serrinha (Hélio dos Santos e Rubens Silva) – versão Fundo de Quintal (1980)

    Vou festejar (Dida, Neoci e Jorge Aragão) – versão Beth Carvalho (1978)

    Cohab City (Anderson Leonardo e Netinho de Paula) – versão Negritude Júnior (1995)

    Bom Bocado – Art Popular (1995)

    Vestida de doida – Art Popular (1996)

    Rudri Path – 21 Brahmins (2008)

    “Nunca deixou de existir preconceito racial” (mote) – Os Nonatos

    Galope à beira mar – Os Nonatos (2005)

    Viola nordestina – Heraldo do Monte (2000)

    O canto dos escravos – Canto II – Clementina de Jesus (1982). Cantos Recolhidos por Aires da Mata Machado Filho na região de São João da Chapada, município de Diamantina/MG.

    Cinco minutos – Jorge Ben (1974)

    Quem cochicha o rabo espicha – Jorge Ben (1972)

    Triunfo – Emicida (2008)

    Entrevistas e documentários

    Trecho do Programa Brasil Especial, em 1977, dirigido pelo grande Fernando Faro, com Ismael Silva.

    Folha de S. Paulo: “Como o Cacique de Ramos e o Fundo de Quintal mudaram os rumos do samba”.

    Trecho do documentário “Eclats Noirs du Samba” (1987)

    Referências

    MBEMBE, Achile. Crítica da Razão Negra. 2ª edição. Tradução Sebastião Nascimento. São Paulo: n-1 edições, 2018.

    BARROS, Douglas Rodrigues. Lugar de negro, lugar de branco. Esboço para uma crítica à metafísica racial. São Paulo: Hedra, 2019.

    RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2019.

    AB’SABER, Tales. O soldado antropofágico: escravidão e não-pensamento no Brasil. São Paulo, n-1 Hedra, 2022.

    NAPOLITANO, Marcos. A síncope das idéias: a questão da tradição na música popular brasileira. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2007.

    SODRÉ, Muniz. Samba, o dono do corpo. 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.

    TATIT, Luiz. O cancionista: composição de canções no Brasil. São Paulo, Edusp, 1996.

    SANDRONI, Carlos. Feitiço decente: transformações no samba 1917-1933. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 2001.

    SILVA, José Nogueira da. As africanidades no repente: proposições epistemológicas. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2021.

    TINHORÃO, José Ramos. Música popular: do gramofone ao rádio e TV. 2ª edição. São Paulo, Editora 34, 2014.

    DA SILVA, Vagner Gonçalves. Exu: o guardião da casa do futuro. Rio de Janeiro, Pallas, 2015.

    SILVA, Paulo da Costa e. A tábua de esmeralda: e a pequena renascença de Jorge Ben (O livro do disco). Rio de Janeiro, Cobogó, 2014.

    Agradecimentos

    Bernardo Oliveira

    Romáryo Cavalcante

    José Nogueira da Silva

    Viviane Nunes Sarmento

    Dona Alzira Silvéria

    Elionora Silvéria da Costa

    59 min
  • 4 – As outras vozes do samba

    Para a cantora e compositora Marina Iris, o narrador hegemônico nas letras de samba é um homem de 40 anos ou mais. Até pouco tempo atrás, mesmo autoras mulheres costumavam escrever sob a perspectiva masculina. Essa história está mudando, aponta Marina em entrevista ao pesquisador Bernardo Oliveira para o quarto episódio do podcast Música Negra do Brasil. A conversa passa por figuras importantes como Gisa Nogueira, Leci Brandão, Alcione e contemporâneas de Marina como Teresa Cristina, Ana Costa e Manu da Cuíca. Ela diz que, embora o “eu lírico” esteja se diversificando, a presença feminina ainda precisa ser mais forte no samba. E este deve se tornar mais acessível para as pessoas LGBTQIA+.

    Concepção do episódio: Marina Iris

    Edição: Bernardo Oliveira e Filipe Di Castro

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Cantora revelação da nova geração da MPB e do samba, mulher negra e carioca, compositora e militante, Marina Iris canta, com voz marcante e interpretação criteriosa, as esquinas e lutas atuais. O samba, não somente como gênero musical, mas também como modo de vida, sempre marcou sua trajetória artística. Lançou os álbuns “Marina Iris” (2014), “Rueira” (2018) e “Voz Bandeira” (2020). É idealizadora e diretora artística do projeto de resistência feminina preta ÉPreta, lançado em 2017, e foi finalista no Prêmio da Música Brasileira em 2018.

     

    Abaixo vai a lista de sambas comentados na entrevista. Alguns deles têm trechos de gravações tocados ou têm partes cantadas à capela por Marina.

    Partilha (Romildo e Sérgio Fonseca)

    Mil réis (Noca da Portela e Candeia)

    Pago pra ver (Toninho Geraes e Nelson Rufino)

    Estranha loucura (Michael Sullivan e Paulo Massadas)

    Assumindo (Leci Brandão)

    Não é não (Ana Costa e Zélia Duncan)

    Terno branco (Gisa Nogueira)

    Samba de amor (Gisa Nogueira, João Nogueira e Mauro Duarte)

    Rueira (Rodrigo Lessa e Manu da Cuíca)

    Cabeça de porco (Rodrigo Lessa e Manu da Cuíca)

    Xodó (Rodrigo Lessa e Manu da Cuíca)

    Princesinha_86 (Rodrigo Lessa e Manu da Cuíca)

    Jeito de gentear (Raul DiCaprio e Manu da Cuíca) – samba ainda não gravado

    Virada (Marina Iris e Manu da Cuíca)

    38 min
  • 3 – Os cocos: 1829-1998

    A maioria dos artistas influenciados pelo mangue beat pode desconhecer essa história, mas, quando Chico Science & Nação Zumbi e Mestre Ambrósio surgiram na década de 1990 com suas releituras das tradições, os cocos já acumulavam quase 170 anos de existência documental. O compositor, arranjador, produtor musical, violeiro, percussionista e pesquisador pernambucano (radicado em São Paulo) Caçapa apresenta um detalhado panorama dessa história que conhece profundamente. A manifestação cultural (de dança, música e poesia, cultivada por mulheres e homens negros, quilombolas, mestiços, indígenas e outros) é mencionada pela primeira vez em 1829. No século XX, chega à indústria fonográfica, é registrada pela equipe de Mário de Andrade na Missão de Pesquisas Folclóricas, faz sucesso com artistas como Jackson do Pandeiro e permanece hoje em transformação. Tudo está contado aqui por Caçapa, que ilustra com muitos trechos de fonogramas.

    Texto, seleção de fonogramas, locução, gravação, edição e mixagem: Caçapa

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

    Caçapa é compositor, arranjador, produtor musical, violeiro, percussionista e pesquisador, nascido no Recife (PE) em 1975 e radicado em São Paulo (SP) desde 2014. Lançou o seu primeiro disco solo, “Elefantes na Rua Nova”, em 2011, com patrocínio do Programa Petrobras Cultural. As composições incluídas nesse disco foram criadas em 2009, por meio do Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística (Categoria Música – Composição Popular), promovido pela Funarte. Em 2012 recebeu o Prêmio Especial na categoria Inovação, no Voa Viola: Festival Nacional de Viola. Atualmente desenvolve o projeto O Coco-Rojão e as Violas Eletrodinâmicas: Pesquisa e Criação, iniciado através do programa Rumos Itaú Cultural 2015-2016. Desde 2017 desenvolve pesquisa para subsidiar a escrita da série de artigos Por Uma Discografia Nordestina, publicada inicialmente no site Outros Críticos. Em março de 2021 ministrou o curso online Por Uma Discografia Nordestina: 1902-1932, a convite do Sesc Santo Amaro, São Paulo (SP), e em 2022 voltou a realizar este curso, desta vez com produção própria.

    Fonogramas utilizados:

    Coco Dub (Afrociberdelia)

    (Chico Science, Lúcio Maia) – Chico Science & Nação Zumbi
    Da Lama ao Caos / Chaos Recordings, 1994

    Rios, Pontes & Overdrives

    (Chico Science, Fred Zero Quatro) – Chico Science & Nação Zumbi
    Da Lama ao Caos / Chaos Recordings, 1994

    Usina (Tango no Mango)

    (Chico Antônio, Paulírio) – Mestre Ambrósio
    Mestre Ambrósio / Rec-Beat Discos, 1996

    Rojão Nº01

    (Caçapa) – Caçapa
    Elefantes na Rua Nova / Garganta Records, 2011

    Apresentação por Ascenso Ferreira

    Bailados Populares do Nordeste / Gravação Especial, [s.d.]

    Depoimento de Ana do Coco

    ACESA – Ana do Coco – web série #2 / Alessandra Leão, Garganta Records e Acesa Produções, 2019

    Bolimbalacho – lundu

    Bahiano
    Zon-o-phone, 1902

    Bolimbolacho – lundu

    Eduardo das Neves
    Odeon, 1908

    Modinha de Pernambuco da Revista Fado e Maxixe

    Raul Soares e coros com orquestra
    Disque Pour Gramophone, 1910

    Samba do Norte

    Artur Castro e coro
    Favorite Record, 1911

    Cabocla de Caxangá – batuque sertanejo

    (João Pernambuco, Catulo da Paixão Cearense) – Bahiano, Júlia Martins e o Grupo da Casa Edison
    Odeon, 1913

    Samba Roxo

    Eduardo das Neves
    Odeon, 1915

    A Espingarda – embolada alagoana

    (Jararaca) – Bahiano
    Odeon, 1922

    Vamos ‘imbora, Maria – samba sertanejo do norte

    (Jararaca) – Jararaca com Turunas Pernambucanos
    Odeon, 1922

    Passarinho Verde – coco nortista

    (Jararaca) – Jararaca com Turunas Pernambucanos
    Odeon, 1922

    Indurinha de Coqueiro – samba

    (Augusto Calheiros) – Turunas da Mauricéa
    Odeon, 1927

    O Pequeno Tururu – samba

    (Luperce Miranda, Augusto Calheiros) – Turunas da Mauricéa
    Odeon, 1927

    Ai, Maria – embolada

    (Luperce Miranda, Minona Carneiro) – Grupo Voz do Sertão
    Odeon, 1928

    Samba da Meia Noite – samba

    (Luperce Miranda, Minona Carneiro) – Grupo Voz do Sertão
    Odeon, 1928

    Sapo no Saco – embolada

    (Jararaca) – Jararaca com o seu grupo
    Odeon, 1929

    Coco do Mato – dueto caipira

    (Jararaca e Ratinho) – Jararaca e Ratinho
    Columbia, 1930

    Biro. Biro, Iaiá – coco

    (João Pernambuco) – Stefana de Macedo com João Pernambuco
    Columbia, 1929

    Batuque (Dança do Quilombo dos Palmares)

    (Motivo popular, arranjo: Stefana de Macedo) – Stefana de Macedo com violões
    Columbia, 1929

    A Jia – toada do norte

    (Luperce Miranda, Manoel Lino) – Manoel Lino com Batutas do Norte
    Odeon, 1930

    É Defeito de Famia – batuque

    (Joviniano Araújo) – Joviniano Araújo com conjunto
    Parlophon, 1930

    Dança de Caboclo

    (Popular, adaptação: Hekel Tavares) – Januário de Oliveira com Hekel Tavares, Zezinho e Petit
    Columbia, 1930

    Bataião Navá – embolada

    (João Frazão)
    Minona Carneiro com Desafiadores do Norte
    Brunswick, 1930

    Eh! Jurupanan – coco

    (Folklore, arr. par Elsie Houston) – Elsie Houston acc. par Carlitos et son Orchestre Brésilien
    Disque “Gramophone”, 1932

    Tia Chimba – embolada

    (Heitor dos Prazeres) – Paulo da Portela com Grupo Prazeres
    Brunswick, 1930

    Samba Raiado – samba

    (Marcelino de Oliveira) – Ismael Silva com conjunto
    Odeon, 1931

    Mulata Boa – embolada

    (Luperce Miranda, Francisco Sena) – Francisco Sena com Gente Boa
    Odeon, 1931

    Pra Onde Vai, Valente? – embolada

    (Manoel Araújo) – Manezinho Araújo com Grupo da Odeon
    Odeon, 1938

    Meu Barco é Veleiro – canto de carregadores de piano

    Manoel Eliziário do Nascimento e grupo (Recife, PE)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Mandei Cortar Capim – canto de casa de farinha

    Maria das Neves de Jesus e grupo (Brejo dos Padres, Tacataru, PE)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Embolada: Mandaú

    Raimundo Cunha, Tiburtino Fernandes da Silva e grupo (Brejo dos Padres, Tacaratu, PE)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco de Roda: Sereno de Amor

    Raimundo Cunha, Tiburtino Fernandes da Silva e grupo (Brejo dos Padres, Tacaratu, PE)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Embolada: Embola Pedra Nessa Cachoeira

    Manuel de Lima e Justino Bernardo de Almeida (Arcoverde, PE)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco: A Bananeira

    Victorina Barbosa (Pombal, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Parcelado: Oi, Chibá

    José Criança e José Adelino Ferreira (Patos, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Gabinete: Malabá Boi Chinê

    José da Silva Sobrinho e Manuel Fausto de Lima (Souza, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Embolada: Sapo Canta na Beira do Brejo

    Sebastião Alves Feitosa, José Alves da Silva e Odilon Alves (Coremas, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco de Roda: O Gia canta na beira do rio

    Severino Galdino dos Santos e grupo (Itabaiana, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Martelo: Sabiá Três Coco

    Manuel Rodrigues da Silva e grupo (Itabaiana, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Martelo: Tatá Deu Não Deu –

    Antônio Maquinista “Bocoím” (Areia, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Cana Cana Canavial – coco ou toré

    Grupo de toré e coco (São Francisco, Mamanguape, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Martelo: Sou um luquinha da lagoa

    Grupo de coco (Baía da Traição, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Coco Embolada: Mané Fulô

    Grupo de coco (Praia de Tambaú, João Pessoa, PB)
    Missão de Pesquisas Folclóricas, 1938

    Moreninha – embolada

    Rouxinol (Fortaleza, CE)
    Coleção Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, 1943

    Ajoeia Chiquinha, Ajoeia Loló – coco

    João Lourenço e grupo (Fortaleza, CE)
    Coleção Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, 1943

    Ai, Maria

    (Luperce Miranda, Minona Carneiro) – Maracatu Az de Ouro (Fortaleza, CE)
    Coleção Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, 1943

    Laço da Fita – coco de Alagoas

    José Querino da Silva (Diamantina, MG)
    Coleção Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, 1944

    [Coco: Ai, eu também vou jogar no bicho]

    Enoque e Etelvino (Arapiraca, Alagoas), gravado por Théo Brandão
    Bailados Populares do Nordeste / Gravação Especial, [s.d.]

    [Coco: Quando chove trovoada]

    Enoque e Etelvino (Arapiraca, Alagoas), gravado por Théo Brandão
    Bailados Populares do Nordeste / Gravação Especial, [s.d.]

    Ferreiro Bateu na Tenda – pagode de entrega

    João Caboclo (Chã Preta, Viçosa, Alagoas), gravado por Théo Brandão
    Cocos de Alagoas / Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro nº6, MEC, Museu de Antropologia e Folclore, UFAL, 1975

    Pega o Touro, Amarra o Touro – coco de embolada

    João Caboclo e Efigênio Moura (Chã Preta, Viçosa, Alagoas), gravado por Théo Brandão
    Cocos de Alagoas / Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro nº6, MEC, Museu de Antropologia e Folclore, UFAL, 1975

    Derramaro o Gai – coco

    (Zé Dantas, Luiz Gonzaga) – Quatro Ases e Um Curinga
    RCA Victor, 1950

    Mariá – coco-baião

    (Zé Dantas, Luiz Gonzaga) – Luiz Gonzaga com conjunto
    RCA Victor, 1951

    Sebastiana – coco

    (Rosil Cavalcanti) – Jackson do Pandeiro com Gaúcho e Seu Conjunto
    Copacabana, 1953

    Coco do Norte – coco

    (Rosil Cavalcanti) – Jackson do Pandeiro com conjunto e coro
    Copacabana, 1955

    O Meu Coco Chegou – coco

    (Maroim) – Maroim com conjunto
    Todamérica, 1954

    Cabeça Chata – coco

    (Maroim) – Maroim com conjunto
    Todamérica, 1954

    Aroeira – coco

    (João do Vale, Alventino Cavalcanti, José Cândido) – Aldair Soares com conjunto
    Columbia, 1955

    Pé do Lajeiro – coco

    (João do Vale, José Cândido, Paulo Bangu) – Aldair Soares com conjunto
    Continental, 1957

    O Bode de Brederodes – rojão

    (Luiz de França) – Luiz de França (“Luiz Boquinha”)
    Repertório, 1956

    Embolada Mudou – rojão

    (Luiz Vieira) – Luiz Vieira com conjunto regional
    Retalhos do Nordeste / Copacabana, 1958

    Forró de Benedito – forró

    (Eufrázio de Sousa, J. Rozelvite)
    Borrachinha com Conjunto RGE
    RGE, 1961

    Matuto Transviado – coco-baião

    (Luiz Wanderley, João do Vale) – Luiz Wanderley
    Baiano Burro Nasce Morto / Chantecler, 1960

    Gírias do Norte – coco

    (Jacinto Silva, Onildo Almeida) – Marinês e Sua Gente
    O Nordeste e Seu Ritmo / RCA Victor, 1961

    Recife Sangrento – rojão

    (Edgar Ferreira) – Ary Lobo com conjunto e coro
    Cheguei na Lua / RCA Victor, 1961

    Mariá – coco

    (Popular, Antônio Clemente, Genival Lacerda) – Genival Lacerda com conjunto
    Mocambo, 1962

    A Mulher de Mané Amaro – embolada

    (Déo do Baião) – Déo do Baião com o conjunto de Camarão
    Viva S. João Nº6 / Mocambo, 1964

    Coco de Camaragibe – coco

    (Maria dos Prazeres) – Maria dos Prazeres
    Viva S. João Nº6 / Mocambo, 1964

    Mandaú Quebrando Pedra – pagode alagoano

    (Guriatã de Coqueiro, J. Haldar) – Venâncio e Corumba
    Pagodeando no Coco / Audio Fidelity, 1965

    Coco de Alagoas

    (Antônio Ramos, Gerson Filho) – Clemilda com Betinho e Regional
    Forró Sem Briga / Discobrás, 1965

    Coco do M

    (Zé do Brejo, Jacinto Silva) – Jacinto Silva
    Cantando / CBS, 1965

    Embolada das Meninas

    Beija-Flor e Treme-Terra
    Música Popular do Nordeste: 4 / Discos Marcus Pereira, 1972

    Espelho Cristalino – martelo alagoano – embolada

    (Azulão, Curió) – Azulão e Curió
    Rasga o Peito e Solta o Verso: Emboladores e Violeiros / AMC, 1975

    Coco do Tirititi

    (Geraldo Mousinho, Cachimbinho) – Geraldo Mousinho e Cachimbinho
    Cocos / Chantecler, 1975

    Xexéu de Bananeira – coco a galope

    (Manoel Batista) – Manoel Batista e José Batista
    Repentes e Emboladas / Rosicler, 1976

    Embolada

    Caju e Castanha
    Nordeste: Cordel, Repente e Canção / Tapecar, 1975

    Ô, Iaiá das Alagoas – parcela

    Mestre Paulino Elias de Oliveira e grupo de jangadeiros (Iguape, Aquiraz, Ceará)
    Coco – Ceará / Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro nº 32, MEC – Funarte, 1980

    Ê Tingue-lê

    Chico Antônio
    No Balanço do Ganzá / Tacape – Funarte, 1982

    Vindo Lá da Lagoa

    (Caju, Castanha, Walter de Afogados) – Caju e Castanha
    Sensação Estranha / Copacabana, 1982

    Sensação Estranha

    (Caju, Castanha, Walter de Afogados) – Caju e Castanha
    Sensação Estranha / Copacabana, 1982

    Roda Rodete e Rodiano

    (Caju, Castanha) – Caju e Castanha
    Sensação Estranha / Copacabana, 1982

    Roda, Rodete e Rodeano [Zambo Mix]

    (Caju, Castanha, Bid) – Bid feat. Chico Science & Du Peixe
    Bambas & Biritas Vol.1 / Beleza Records, 2004

    Moreninha dos Dentes de Ouro

    Dona Selma do Coco
    Codo de Roda: O Elogio da Festa (Nordeste Brasileiro) / Fonti Musicali, 1997

    Ô, Morena Bonita

    Dona Selma do Coco
    Codo de Roda: O Elogio da Festa (Nordeste Brasileiro) / Fonti Musicali, 1997

    A Rolinha

    (Dona Selma do Coco, Zezinho) – Dona Selma do Coco
    Minha História / Paradoxx Music, 1998

    51 min
  • 2 – Dona Ivone Lara: um samba raro, atemporal

    Nunca foram ouvidos os depoimentos de Dona Ivone Lara que estão neste episódio do podcast Música Negra do Brasil. São de uma entrevista realizada em 2004 por Katia Costa Santos e que embasaram o livro “Ivone Lara, a dona da melodia”, publicado em 2010. A sambista recorda a forte presença da música em sua família, da mãe que cantava e morreu com 33 anos à tia que dançou jongo até os 105. Também registra suas lembranças de Villa-Lobos, sua forma de compor com o parceiro Delcio Carvalho e sua convivência com Clementina de Jesus, que a considerava uma irmã mais nova. Katia, escritora e pesquisadora, ressalta como a mulher de família preta suburbana e pobre formou-se enfermeira e se destacou no meio masculino do samba.

     

    Roteiro e apresentação: Katia Costa Santos

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Katia Costa Santos é doutora em Letras, com especialização em Culturas e Literaturas da Diáspora Negra e ênfase no Brasil e nos Estados Unidos; tradutora por formação, contista; pesquisadora da vida cultural privada dos negros no universo do samba carioca, autora do livro “Ivone Lara, a dona da melodia” (2010), sobre quem realizou também o curta “A dona da melodia”, com edição de Tuanny Medeiros. Agora trabalha na biografia de Delcio Carvalho, principal parceiro de Dona Ivone Lara; é idealizadora do curso itinerante Mulheres Negras & Escrita: Reflexão e Produção Textual; é co-coordenadora do Laboratório Estudos Negros do PACC/UFRJ, onde no momento coordena o projeto Mães Negras Brasileiras.

     

    20 min
  • 1 – Milton Nascimento e o Clube da Encruza

    “Música mesmo é Milton quem faz”, diz Ricardo Aleixo logo no início de seu áudio-ensaio, o primeiro da série Música Negra do Brasil, que terá um convidado a cada mês. O artista e pesquisador mineiro joga luz sobre a obra de Milton Nascimento a partir, principalmente, do álbum “Milagre dos peixes” (1973). Oito composições foram vetadas pela Censura, e o cantor as interpretou sem dizer os versos, valendo-se de sua voz sem igual. Para Aleixo, o cantor é uma “pessoa muitas”, uma “encruzilhada”. Ao lado de Natália Alves, Aleixo destaca os cruzamentos de Milton com os trabalhos de Naná Vasconcelos, Paulo Moura e Clementina de Jesus. Os três, artistas negros de grande força, participam de “Milagre dos peixes”.

     

    Roteiro, captação e tratamento de áudio, desenho de som e locução: Ricardo Aleixo

    Captação e tratamento de áudio, assistência de desenho de som e locução: Natália Alves

    Programação da série Música Negra do Brasil: Bernardo Oliveira

    Trilha da vinheta: Mbé

    Programação visual: Mariana Mansur

     

    Artista e pesquisador das poéticas intermídia, Ricardo Aleixo é doutor em Letras: Estudos Literários, por Notório Saber reconhecido em 2021 pela UFMG. Suas obras mesclam poesia, prosa ficcional, filosofia, etnopoética, antropologia, história, música, radioarte, artes visuais, vídeo, dança, teatro, performance e estudos urbanos. É autor de 15 livros, dentre os quais se destacam a antologia poética “Pesado demais para a ventania” (Todavia, 2018) e “Extraquadro” (Impressões de Minas/Lira, 2021).

    O podcast Música Negra do Brasil também está disponível nas plataformas, como Spotify, Deezer, Apple Podcast e Amazon Music.

     

    17 min

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O objetivo da série de áudio-ensaios é apresentar temas, perspectivas e vozes em torno do universo musical afro-brasileiro. A cada mês, um novo episódio, criado e elaborado por artistas, jornalistas,…