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Há pouco o salmista estava prostrado diante de Deus clamando: “dá-me entendimento, como prometeste. Ouve minha oração; livra-me, conforme tua palavra” (v. 169, 170), mas agora, diante da resposta do Senhor seu coração se enche de alegria.
O Senhor atendeu sua petição, ouviu o seu clamor e não apenas lhe concedeu o entendimento da Lei, mas mansamente ensinou ao coração do salmista Seus eternos decretos.
Somos tendenciados a acreditar que o conhecimento da Palavra, o entendimento teórico das Escrituras irá, de alguma forma, esfriar nossa devoção ao Senhor, ou ainda, que a doutrina que conhecemos intelectualmente está desconectada da nossa prática cristã.
No entanto, uma vez que “A doutrina que você abraça fundamenta a maneira que você vive” [1] devemos, assim como o salmista, buscar com zelo a verdade bíblica proveniente do próprio Deus e, com o entendimento permeado pela revelação, teremos condições de exteriorizar uma devoção centrada no Evangelho.
O salmista não clama por entendimento nos versos anteriores a fim de dominar as Escrituras, ter todas as respostas e argumentos para sempre vencer os debates e discussões, ou para estar sempre no controle da circunstância. “A última coisa que Deus quer é que você seja alguém que domina [a circunstância], porque Seu desejo é que você seja dominado por Ele”. O salmista deseja conhecer a verdade do texto sagrado para que, por meio dela, seu coração seja dominado pela Palavra, sua boca se encha do verdadeiro louvor e seu coração transborde em adoração a Deus.
Da mesma maneira eu e você somos chamados para conhecer e aprender do texto bíblico, não com o objetivo de somente adquirir conhecimento, mas com o propósito de glorificar a Deus através dele.
Que Deus lhe abençoe.
[1] BAZZO, Angelo. Doutrina e Devoção [recurso digital]. Monte Mor: Escola Convergência, 2020.
Diante de um mundo de incertezas, aflições e angústias o salmista compreende que não há outro fundamento, a não ser a lei de Deus, sobre o qual ele possa depositar sua confiança e descansar sua alma.
Tudo neste mundo caído é volátil e incerto, não há um fundamento sólido nos frutos de uma humanidade longe de Deus. Governos, políticos, sistemas econômicos, poderio militar, tudo é vaidade e junto deles todos os que depositaram sua confiança e fé em suas promessas passarão.
Somente a Palavra de Deus e Sua justiça é permanente, ela é um resquício da eternidade em nossa existência finita e uma âncora que nos mantém firmes em meio ao mar bravio da vida.
Não há outro fundamento para depositar a confiança e para entregar a vida a não ser na Palavra. O salmista reconhece e declara que seu prazer está nos mandamentos do Senhor, pois mesmo em meio a aflição e angústia, ele ainda é capaz de ter um vislumbre da glória eterna.
Se sua confiança estiver depositada em promessas deste mundo, em ideologias que pregam algum tipo de redenção escatológica do ser humano sem Cristo ou ainda em uma agenda de governo que abraça a moral cristã, mas rejeita o testemunho cristão então, lamentavelmente, você está ancorado não em uma rocha firme, mas em um banco de areia que, hora ou outra, irá se desfazer diante do mar revolto.
Que Deus lhe abençoe.
Após clamar ao Senhor por entendimento e sabedoria do alto (v 169), o salmista então roga por livramento, por segurança nEle.
Sua fidelidade à Palavra e suas fortes convicções num mundo cada vez mais relativista e apático em relação ao pecado serão, inevitavelmente, alvos de toda oposição e perseguição mundana.
Entretanto, o salmista permanece convicto de sua fé, roga “... auxílio espiritual no futuro, enquanto declara a sua intenção de permanecer firme sobre os fundamentos dos ensinamentos divinos” [1].
Seus olhos permanecem fitos na realidade eterna, seu coração continua firmado não em circunstâncias passageiras e transitórias, mas em Deus, nAquele que não muda e que não se abala com as incertezas de nossa vida.
Diante dEle o salmista se coloca em clamor e em reverente oração crendo que, da mesma forma que recebeu o entendimento do Santo Espírito para compreender as verdades espirituais, também desfrutará do auxílio e proteção divinos.
Confie nEle, descanse na certeza de que o Senhor está com os ouvidos atentos ao seu clamor e, mesmo que tudo pareça não ter saída, Ele ainda permanece no controle de todas as coisas. Mantenha os olhos fixos na realidade eterna, cultive em seu coração a Palavra e, indiferente do que possa acontecer, não negocie sua obediência.
Que Deus lhe abençoe.
[1] YATER, K. M. Salmos. In: HARRISON, E. F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Batista Regular do Brasil, v. 1, 2017.
“Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.” — Mateus 6:9
Cristo, após apresentar diversas negativas acerca da oração, orienta seus discípulos sobre o caminho correto a se seguir. “Vocês, orem assim”, declara o Mestre. Não é de nosso interesse as discussões acerca do real propósito da oração do “Pai nosso”, para nós realmente não importa se ela seria apenas um modelo ou uma oração a ser repetida.
A questão apresentada por Cristo é muito mais profunda do que simples discussões sobre orar literalmente o “Pai nosso” ou não.
Jesus novamente retorna à paternidade divina, relembrando que a oração do discípulo não está fundamentada em outra certeza senão a de que ele, quando ora, está conversando com seu Pai eterno.
Quando entramos em oração não estamos diante de um deus distante, apático e indiferente, estamos diante de nosso Pai. Embora exista um abismo eterno entre a criatura e o Criador, entre nós e Ele, que nos leva a clamar pela santificação de Seu Nome, podemos pelo sacrifício de Jesus, entrar confiantes diante dEle, diante de nosso Pai.
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“E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem” — Mateus 6:7,8
A declaração do Mestre, por muitas vezes, é mal interpretada e tomada como um argumento contra qualquer tipo de devoção pautada em estruturas litúrgicas, como por exemplo livros de oração, devocionários etc.
Entretanto, o propósito de Jesus é abrir os olhos dos discípulos para a realidade da paternidade divina. Cristo censura os religiosos de sua época nos versos anteriores, eles iam às praças e esquinas a fim de que os outros vissem seus atos externos de devoção, suas orações se firmavam não na certeza de que Deus era um Pai amoroso que estava sempre pronto para ouvi-los, mas no entendimento de que por suas obras poderiam chamar a atenção dEle.
Jesus então declara que temos não apenas um Deus que nos ouve, mas um Pai que vê em secreto e que conhece todas as nossas necessidades, sendo assim, não há por que ficar fazendo rodeios em nossas orações, não há por que florear nossas palavras. Ele já nos conhece.
As vãs repetições dos religiosos não alcançavam os céus, não pela repetição em si, mas pela incompreensão de que Deus é Pai. Quando removemos essa verdade de nossa mente somos tentados a seguir não pelo caminho da graça, mas pela trilha do mérito.
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“E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” — Mateus 6:5,6
O coração humano sempre será tentado pela autopromoção, sempre desejará alimentar o ego caído, por isso Jesus orienta seu discípulo, “quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto”. Não há necessidade de o discípulo exibir aos homens sua espiritualidade e de anunciar nas praças e esquinas sua intimidade com Deus.
Não oramos com o propósito de sermos vistos por outros, não entramos na presença de Deus para sermos louvados pelos homens. Quem o faz ergue um bezerro de ouro e se curva em adoração a um falso deus, ao próprio ego caído.
Quem negocia a recompensa eterna e a troca por reconhecimento humano não é apto para o discipulado, pois demonstra que não está disposto a deixar tudo por amor ao Mestre.
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O alvo do clamor apresentado pelo salmista ao Senhor não é centrado em bens materiais, sucesso financeiro ou realização pessoal. Embora ele saiba que o Senhor é um Pai amoroso que está disposto a abençoar Seus filhos, seu coração não está preocupado com as circunstâncias da vida ou com os recursos financeiros.
Há uma demanda mais urgente, ele clama por entendimento. Mas não qualquer entendimento, ele roga para que seu coração e mente sejam permeados pelo entendimento que provém do próprio texto sagrado. “Dá-me entendimento conforme a tua palavra” registra outra versão do texto.
Ele não deseja apenas acumular conhecimento acerca da Lei, saber o que ela diz, mas compreender seus preceitos e, desta maneira, ter condições de colocá-la em prática, glorificando o Nome de Deus.
Tal capacidade não está à disposição do homem natural, sem o Espírito Santo ele irá inferir o que bem desejar à revelação, irá afirmar que o texto bíblico é fraudulento, que apresenta uma série de mitos antigos frutos de uma sociedade pré-científica ou ainda que a narrativa bíblica não passa de uma espécie de parábola política, a luta dos oprimidos contra os opressores.
Nenhuma interpretação bíblica que parte de um pressuposto humano estabelecido fora do texto é sincera em seu processo de compreensão do que as Escrituras Sagradas dizem.
Reconhecendo tal risco, o salmista roga diretamente ao Deus da Palavra: “dá-me entendimento”. Seu coração se inclina em humildade para receber do Espírito e então ter a capacidade para compreender corretamente a Lei do Senhor sem inclinar seu coração para a esquerda ou para a direita.
Não é um exercício fácil, mas necessário. Não temos a autoridade de afirmar o que o texto não afirma, de impor ao texto ideologias que ele jamais desejou apresentar ou ainda de defender o que é indefensável. Para isso, assim como o salmista, devemos constantemente rogar para que o próprio Senhor nos conceda de Seu entendimento.
Que Deus lhe abençoe.
“Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial. Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará” — Mateus 6:1-4
Estender a mão em auxílio ao próximo com o propósito de ser elogiado e visto pelos outros não apenas revela o caráter corrompido do discípulo que não compreendeu, de fato, o que é seguir o Mestre, como também revela sua reprovação diante de Deus.
Não importa se a autoproclamação é maquiada com religiosidade e piedade cristã. Nutrir, mesmo que no oculto do coração, o desejo de ser reconhecido pelas obras de caridade invalida qualquer ação piedosa, coloca tudo a perder, pois debita, em vida, os créditos alcançados com Deus. Esperar de homens a aprovação e os aplausos revelam que, na realidade, a glória eterna e o reconhecimento de Deus nunca foi, de fato, o objetivo mais importante.
Num mundo que é movido por resultados, por números, somos tentados a entrar no ciclo, a poucos centímetros de nossos pés está a armadilha dos aplausos, do reconhecimento e dos likes nas redes sociais.
Diante de nós há dois caminhos, o da autoproclamação, o caminho do reconhecimento humano, dos aplausos e tapinhas nas costas do ego, do outro, o caminho da invisibilidade, da pequenez e insignificância.
Um desemboca numa vida cheia de recompensas que serão queimadas no fogo quando a eternidade rasgar os céus de nossa existência, o outro, por sua vez, encontra em Deus o eterno reconhecimento.
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“Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês" — Mateus 5:46-48
Cristo chama seus seguidores para refletirem o caráter perfeito de Deus em suas vidas, “sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês". Oferecer a outra face, se abster de direitos pessoais e amar o inimigo ao ponto de se colocar oração por ele reflete, de maneira incontestável, a filiação divina do discípulo.
Tal perfeição, no entanto, não tem por objetivo a glória do discípulo, não é ele quem deve estar em evidência, pois não é dele que provém a motivação para agir em amor, mas do Pai a quem imita.
Aqui está a grande diferença entre o discípulo e o ímpio, enquanto o discípulo reconhece que não há nada do que se gloriar, o ímpio ao agir em benevolência acredita ser merecedor de algo e, ao orbitar seu próprio orgulho, ergue um ídolo diante de si.
Jesus nos chama para fixarmos nossos olhos em Deus, Ele é nosso parâmetro, nosso alvo e quem é digno de todos os méritos de nossas obras. “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” para que pela perfeição de uma vida santa e justa o Nome do Senhor seja glorificado.
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"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra” — Mateus 5:38,39
O Mestre deixa claro que a vingança não é um direito concedido ao discípulo. Não temos condições alguma de retribuir justamente o mal que sofremos, nossa tendência sempre será exceder em nossa resposta provocando mais dor do que aquela que sentimos.
Entretanto, Cristo não se limita a ordenar que seus discípulos apresentem a outra face diante da afronta, Ele vai além. Alguém até poderia se abster do direito da vingança e ainda assim matar seu próximo no coração.
“Ao discípulo não é concedido o direito de reter o amor que recebeu de Deus, não está sob sua autoridade decidir quem é ou não é digno do amor gracioso do Pai, uma vez que ele próprio foi alvo deste amor incomparável” e imerecido.
Neste processo de receber do amor de Deus e de doá-lo ao inimigo a alma do discípulo é renovada e refrigerada pelo Espírito Santo. Decidir por mantê-lo estagnado, entretanto, causará mais mal do que bem. Assim como um reservatório com água parada se torna uma incubadora de problemas, assim é o discípulo que não permite a circulação do amor de Deus nele e através dele.
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