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Como discutido em vídeos anteriores do canal, um bom trabalho de pesquisa não precisa ser necessariamente comercialmente relevante nem imediatamente aplicável. Aliás, os eventuais usos e aplicações que uma boa ideia pode encontrar muitas vezes não foram sequer imaginados pelo pesquisador, como ilustra uma enxurrada de casos na história da ciência, como o bem conhecido caso da invenção e uso do laser.
No entanto, é certo que a desconexão entre o pesquisador e o mundo real onde ocorrem os impactos daquela investigação ou ideia pode ser prejudicial ao amadurecimento da pesquisa e do próprio investigador. Por exemplo, parece óbvio que um pesquisador que estuda o tratamento de uma doença pode se beneficiar muito do contato com pessoas que infelizmente são portadoras da doença e com ambientes e profissionais que se dedicam ao tratamento daquela doença.
Esse contato com o mundo real onde ocorrem os impactos do que se estuda costuma ser muito valorizado nos cursos de graduação, mas é usualmente negligenciado nos cursos de pós-graduação. Nos cursos de graduação esse contato é usualmente estimulado por meio dos programas de estágio obrigatório e dos trabalhos de campo, enquanto na pós-graduação, quando ocorrem, esses contatos são usualmente subprodutos de projetos conduzidos com parceiros institucionais.
Apesar disso, os trabalhos de campo podem ser muito úteis para a formação e amadurecimento do pesquisador, porque:
a) ajudam o pesquisador a contextualizar o ambiente real em que se dá o estudo e em que ocorrem os impactos da investigação;
b) revelam dimensões, características e condições reais que envolvem eventuais aplicações e usos do conhecimento gerado;
c) sugerem problemas reais enfrentados por profissionais nesses ambientes e que precisam ser mais estudados e investigados, sugerindo novos trabalhos futuros de pesquisa;
d) estimulam a formação de redes de relacionamento com os profissionais que atuam nesses ambientes, que podem se transformar em eventuais parceiros de pesquisas presentes e futuras e pontes para inserção dos pesquisadores no mercado de trabalho.
Por todas essas razões, os cursos de pós-graduação deveriam estimular formalmente o desenvolvimento de programas de visita e de trabalhos de campo com seus estudantes e pesquisadores, talvez como parte formal das disciplinas de Metodologia Científica. No meu caso particular, procuro sempre organizar visitas a plantas industriais reais em caravanas que são muito apreciadas por estudantes e pesquisadores do grupo, indicando que há de fato demanda para esse tipo de atividade. Por tanto, fica aqui a dica para que você procure organizar trabalhos de campo no seu programa de pós-graduação.
https://youtu.be/rc7xRSp4VFg
https://youtu.be/kHzMGV5XE0w
https://www.scielo.br/j/rbef/a/bXZ3scjTLbDmBWMWxYJB7YB/?lang=pt&format=pdf
By Jose Carlos PintoComo discutido em vídeos anteriores do canal, um bom trabalho de pesquisa não precisa ser necessariamente comercialmente relevante nem imediatamente aplicável. Aliás, os eventuais usos e aplicações que uma boa ideia pode encontrar muitas vezes não foram sequer imaginados pelo pesquisador, como ilustra uma enxurrada de casos na história da ciência, como o bem conhecido caso da invenção e uso do laser.
No entanto, é certo que a desconexão entre o pesquisador e o mundo real onde ocorrem os impactos daquela investigação ou ideia pode ser prejudicial ao amadurecimento da pesquisa e do próprio investigador. Por exemplo, parece óbvio que um pesquisador que estuda o tratamento de uma doença pode se beneficiar muito do contato com pessoas que infelizmente são portadoras da doença e com ambientes e profissionais que se dedicam ao tratamento daquela doença.
Esse contato com o mundo real onde ocorrem os impactos do que se estuda costuma ser muito valorizado nos cursos de graduação, mas é usualmente negligenciado nos cursos de pós-graduação. Nos cursos de graduação esse contato é usualmente estimulado por meio dos programas de estágio obrigatório e dos trabalhos de campo, enquanto na pós-graduação, quando ocorrem, esses contatos são usualmente subprodutos de projetos conduzidos com parceiros institucionais.
Apesar disso, os trabalhos de campo podem ser muito úteis para a formação e amadurecimento do pesquisador, porque:
a) ajudam o pesquisador a contextualizar o ambiente real em que se dá o estudo e em que ocorrem os impactos da investigação;
b) revelam dimensões, características e condições reais que envolvem eventuais aplicações e usos do conhecimento gerado;
c) sugerem problemas reais enfrentados por profissionais nesses ambientes e que precisam ser mais estudados e investigados, sugerindo novos trabalhos futuros de pesquisa;
d) estimulam a formação de redes de relacionamento com os profissionais que atuam nesses ambientes, que podem se transformar em eventuais parceiros de pesquisas presentes e futuras e pontes para inserção dos pesquisadores no mercado de trabalho.
Por todas essas razões, os cursos de pós-graduação deveriam estimular formalmente o desenvolvimento de programas de visita e de trabalhos de campo com seus estudantes e pesquisadores, talvez como parte formal das disciplinas de Metodologia Científica. No meu caso particular, procuro sempre organizar visitas a plantas industriais reais em caravanas que são muito apreciadas por estudantes e pesquisadores do grupo, indicando que há de fato demanda para esse tipo de atividade. Por tanto, fica aqui a dica para que você procure organizar trabalhos de campo no seu programa de pós-graduação.
https://youtu.be/rc7xRSp4VFg
https://youtu.be/kHzMGV5XE0w
https://www.scielo.br/j/rbef/a/bXZ3scjTLbDmBWMWxYJB7YB/?lang=pt&format=pdf