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Podcast #185 - A Virgem-Mãe, Profeta e Igreja no Advento


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Maria é a mulher da plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4-7): fecha uma era e abre-se o futuro.

O poder misericordioso e fiel de Deus havia se manifestado, diante da Virgem, como outrora havia dado filhos carismáticos a mulheres estéreis, chamadas para salvar o povo: 

  • Isaac de Sara, 
  • Sansão de Manoá, mulher de Manoá, 
  • Samuel de Ana, 
  • João de Isabel. 
  •  

    Lucas evoca o nascimento de João Batista (cf. Lc 1,7 «mas eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril; e ambos eram de idade avançada») para evidenciar a excepcionalidade incomparável da eleição de Maria: ser mãe não mais de um salvador, mas do Salvador (Lc 1,32-33 «Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim»). 

    Desta forma, destaca-se a maternidade divina como expressão esplêndida do amor soberano de Deus «por nós, homens, e pela nossa salvação». Querendo redimir profundamente a nossa humanidade, Deus se solidarizou conosco em tudo, entrando na linhagem de Adão e passando por Maria.

    Por isso a Igreja, desde o Concílio de Éfeso (431), confessa que a Virgem é a mãe de Deus: é o realismo e a concretude com que reconhece a humanidade do Verbo, no qual Deus desce para tocar cada homem no mais profundo e íntimo, onde todos estão feridos.

    A Virgindade Profética

    Maria realizou a antecipação do celibato pelo reino de Deus não no sentido de um voto mas no consenso a uma plenitude de vida da qual ela é testemunha permanente de que o seu Filho é Deus e homem. Não é uma questão de pureza legal ou até mesmo moral, ou fuga do mundo como era os essênios, ou o espírito asiático de ascetismo. 

    O sentido da virgindade deve ser colocado no ápice do ímpeto e da tensão escatológica do movimento suscitado pela profecia. Assim, Maria foi a primeira a experimentar a plena liberdade e abriu caminho a quem renuncia às coisas do mundo na perspectiva do cem vezes que, daqui da terra, se encontra em Deus (cf. Mt 19,29 «e todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna»). Essas cem vezes são os bens messiânicos, ou seja, o Filho, Deus-conosco, já simbolizado em YHWH presente na arca da aliança. 

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