Reverenciada como a primeira travesti brasileira, Xica Manicongo encarna a ousadia e irreverência de quem nunca aceitou passivamente os desmandos da moralidade racista colonial. Na Salvador de 1591, foi denunciada à Inquisição tanto pela liberdade com que vivia a sua sexualidade, quanto por trajar roupas que, em Angola e Congo, eram consideradas típicas de “quimbandas”, palavra traduzida à época por “sodomita paciente”, mas que hoje poderia perfeitamente designar “bicha” ou “travesti”. No novo episódio do podcast MDS, lançado no Mês do Orgulho LGBTQIA+, Amara Moira convida a multiartista Aretha Sadick para refletirem sobre a importância de Xica para a história não só travesti como do próprio Brasil.