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Neste episódio recebo o professor Paulo Borges para uma conversa sobre o sentido de Portugal, não apenas enquanto realidade histórica e política, mas enquanto possibilidade simbólica, espiritual e até arquetípica.Partimos de um olhar muito recuado no tempo, para o chamado mundo megalítico atlântico, onde monumentos como o Cromeleque dos Almendres, a Anta do Zambujeiro ou o Menir do Outeiro parecem ainda hoje guardar uma linguagem que não é apenas arqueológica, mas também simbólica. A partir daí, seguimos pela hipótese de uma continuidade cultural mais ampla no eixo atlântico (entre a Bretanha, a Irlanda, a Cornualha, a Galiza e o território que viria a ser Portugal) e pela forma como nomes antigos, mitos e tradições podem revelar camadas profundas da relação entre o ser humano e a paisagem.Ao longo da conversa entramos também no cristianismo heterodoxo de Prisciliano, no imaginário do Graal e na presença templária na formação de Portugal, passando pela Ordem de Cristo e pela época dos Descobrimentos. Em paralelo, olhamos para as festas do Espírito Santo e para a ideia de uma inversão das hierarquias como sinal de uma possível espiritualidade popular de grande profundidade simbólica.A partir daqui surge inevitavelmente a pergunta central: o que é o V Império? Um projeto histórico por cumprir, uma linguagem mítica para pensar o futuro, ou uma realidade interior ligada à individuação e à realização espiritual do ser humano, como sugeria Carl Jung? E até que ponto a história de Portugal pode ser lida como portadora de um campo simbólico próprio, onde arte, espiritualidade e cultura continuam a entrecruzar-se?
By ROSA DOS VENTOSNeste episódio recebo o professor Paulo Borges para uma conversa sobre o sentido de Portugal, não apenas enquanto realidade histórica e política, mas enquanto possibilidade simbólica, espiritual e até arquetípica.Partimos de um olhar muito recuado no tempo, para o chamado mundo megalítico atlântico, onde monumentos como o Cromeleque dos Almendres, a Anta do Zambujeiro ou o Menir do Outeiro parecem ainda hoje guardar uma linguagem que não é apenas arqueológica, mas também simbólica. A partir daí, seguimos pela hipótese de uma continuidade cultural mais ampla no eixo atlântico (entre a Bretanha, a Irlanda, a Cornualha, a Galiza e o território que viria a ser Portugal) e pela forma como nomes antigos, mitos e tradições podem revelar camadas profundas da relação entre o ser humano e a paisagem.Ao longo da conversa entramos também no cristianismo heterodoxo de Prisciliano, no imaginário do Graal e na presença templária na formação de Portugal, passando pela Ordem de Cristo e pela época dos Descobrimentos. Em paralelo, olhamos para as festas do Espírito Santo e para a ideia de uma inversão das hierarquias como sinal de uma possível espiritualidade popular de grande profundidade simbólica.A partir daqui surge inevitavelmente a pergunta central: o que é o V Império? Um projeto histórico por cumprir, uma linguagem mítica para pensar o futuro, ou uma realidade interior ligada à individuação e à realização espiritual do ser humano, como sugeria Carl Jung? E até que ponto a história de Portugal pode ser lida como portadora de um campo simbólico próprio, onde arte, espiritualidade e cultura continuam a entrecruzar-se?