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Nascimento e primeira infância
A data de nascimento de Jerônimo édesconhecida: Próspero de Aquitânia, autor deuma Crônica escrita pouco depois da sua morte,indica o ano de 331, mas esta data se ajusta malcom o que sabemos da sua juventude. Os biógrafosmodernos propõem com bons argumentos datar oseu nascimento entre os anos 345-347. O próprioJerônimo nos diz que nasceu em Stridon, umapequena cidade da Dalmácia que os godosdestruíram antes do final do século IV e quedevemos situar provavelmente não longe da atualLjubliana (naquela época chamada Emona), naEslovênia. Sobre o local do seu nascimento, nadamais característico nele do que esta fraseassassina: “Na minha pátria, visto a grosseria daregião, a barriga é deus” (Carta 7, 5)! Ele faloupouco da sua família. Nem um detalhe sobre a suamãe, apenas a menção ao nome do seu pai,Eusébio, de uma avó amada e de uma tia,Castorina, com a qual ficará muito tempo brigado.Um irmão e uma irmã mais jovens nascerão depoisda sua partida de Stridon. Porém, um pontoimportante, que ele menciona com orgulho: “Eunasci cristão de pais cristãos, e carregando emminha fronte o estandarte da cruz” (Pref. à trad.de Jó).
No entanto, deram-lhe um nome tradicional,pagão portanto, Hieronymos — aquele cujo nomeé sagrado (latinizado para Hieronymus, este nomese tornou para nós Hierosme, depois Jerônimo).Conforme uma prática corrente na época, acriança não foi batizada, mas simplesmenteinscrita no registro dos catecúmenos.Sobre os seus primeiros anos na suapátria, nosso santo não foi tão prolixo quanto Agostinho nas suas Confissões. Não é do seu tipose voltar deliciado para o passado, do qual ele atéescreveu que tinha apenas lembranças raras eimprecisas. Para os antigos, aliás, a infância nãoera a mais feliz das idades. Uma de suaslembranças evoca ao mesmo tempo asbrincadeiras e as infelicidades da infância: “Eu melembro de criança, ter dado cambalhotas pelosquartinhos dos pequenos escravos, ter passadobrincando o meu dia de folga e ter sido arrancadodos braços da minha avó para ser entregue comocativo à fúria de um Orbílio” (Apol. I, 30). Orbílio éo seu primeiro mestre-escola, diríamos hojeprofessor, cujos métodos de educação erambrutais. Como a de muitos outros na sua época,como a de Agostinho, a infância de Jerônimo“chorou sob a pancada da palmatória”, eleaprendeu as suas letras com medo e tremor.
Roma
Eusébio, o pai de Jerônimo, era um ricoproprietário de terras. Ele pertencia a uma classesocial que tinha o desejo e a possibilidade de daraos seus filhos uma boa educação. Provavelmenteos seus meios eram bastante consideráveis, já queele decidiu mandar o filho prosseguir os seusestudos, não em qualquer cidade vizinha deStridon (havia no entanto algumas importantes,como Aquiléia, não longe da atual Veneza), masem Roma, onde o nível universitário era o melhore permitia visar, ao seu termo, as mais brilhantescarreiras dentro da administração. Portanto, coma idade de doze anos, quando saiu das mãos doprimeiro mestre, sabendo ler e escrever, Jerônimopartiu para a capital. (Um dos seus companheirosda primeira infância, chamado Bonósio, oacompanhava.Esta primeira estada romana iriaconsolidar em Jerônimo o amor por esta cidade, “acidade ilustre, a cabeça do império Romano”(Carta 128, 5). Mesmo o imperador não residindomais aí nessa época, a cidade conservava as suasmaravilhas, grandes edifícios, templos, termas,fóruns, e esse grande anfiteatro do Coliseu “cujotopo o olhar do homem só alcança comdificuldade”, como escreve com um pouco deênfase o seu contemporâneo Amiano Marcelino......
By Cássio Rogério de LimaNascimento e primeira infância
A data de nascimento de Jerônimo édesconhecida: Próspero de Aquitânia, autor deuma Crônica escrita pouco depois da sua morte,indica o ano de 331, mas esta data se ajusta malcom o que sabemos da sua juventude. Os biógrafosmodernos propõem com bons argumentos datar oseu nascimento entre os anos 345-347. O próprioJerônimo nos diz que nasceu em Stridon, umapequena cidade da Dalmácia que os godosdestruíram antes do final do século IV e quedevemos situar provavelmente não longe da atualLjubliana (naquela época chamada Emona), naEslovênia. Sobre o local do seu nascimento, nadamais característico nele do que esta fraseassassina: “Na minha pátria, visto a grosseria daregião, a barriga é deus” (Carta 7, 5)! Ele faloupouco da sua família. Nem um detalhe sobre a suamãe, apenas a menção ao nome do seu pai,Eusébio, de uma avó amada e de uma tia,Castorina, com a qual ficará muito tempo brigado.Um irmão e uma irmã mais jovens nascerão depoisda sua partida de Stridon. Porém, um pontoimportante, que ele menciona com orgulho: “Eunasci cristão de pais cristãos, e carregando emminha fronte o estandarte da cruz” (Pref. à trad.de Jó).
No entanto, deram-lhe um nome tradicional,pagão portanto, Hieronymos — aquele cujo nomeé sagrado (latinizado para Hieronymus, este nomese tornou para nós Hierosme, depois Jerônimo).Conforme uma prática corrente na época, acriança não foi batizada, mas simplesmenteinscrita no registro dos catecúmenos.Sobre os seus primeiros anos na suapátria, nosso santo não foi tão prolixo quanto Agostinho nas suas Confissões. Não é do seu tipose voltar deliciado para o passado, do qual ele atéescreveu que tinha apenas lembranças raras eimprecisas. Para os antigos, aliás, a infância nãoera a mais feliz das idades. Uma de suaslembranças evoca ao mesmo tempo asbrincadeiras e as infelicidades da infância: “Eu melembro de criança, ter dado cambalhotas pelosquartinhos dos pequenos escravos, ter passadobrincando o meu dia de folga e ter sido arrancadodos braços da minha avó para ser entregue comocativo à fúria de um Orbílio” (Apol. I, 30). Orbílio éo seu primeiro mestre-escola, diríamos hojeprofessor, cujos métodos de educação erambrutais. Como a de muitos outros na sua época,como a de Agostinho, a infância de Jerônimo“chorou sob a pancada da palmatória”, eleaprendeu as suas letras com medo e tremor.
Roma
Eusébio, o pai de Jerônimo, era um ricoproprietário de terras. Ele pertencia a uma classesocial que tinha o desejo e a possibilidade de daraos seus filhos uma boa educação. Provavelmenteos seus meios eram bastante consideráveis, já queele decidiu mandar o filho prosseguir os seusestudos, não em qualquer cidade vizinha deStridon (havia no entanto algumas importantes,como Aquiléia, não longe da atual Veneza), masem Roma, onde o nível universitário era o melhore permitia visar, ao seu termo, as mais brilhantescarreiras dentro da administração. Portanto, coma idade de doze anos, quando saiu das mãos doprimeiro mestre, sabendo ler e escrever, Jerônimopartiu para a capital. (Um dos seus companheirosda primeira infância, chamado Bonósio, oacompanhava.Esta primeira estada romana iriaconsolidar em Jerônimo o amor por esta cidade, “acidade ilustre, a cabeça do império Romano”(Carta 128, 5). Mesmo o imperador não residindomais aí nessa época, a cidade conservava as suasmaravilhas, grandes edifícios, templos, termas,fóruns, e esse grande anfiteatro do Coliseu “cujotopo o olhar do homem só alcança comdificuldade”, como escreve com um pouco deênfase o seu contemporâneo Amiano Marcelino......