Lado M

Seguimos com volatilidade


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Os mercados têm mais um dia de volatilidade, inconstância e mudanças frequentes de sinais. Os motivos são recorrentes: expansão da contaminação pelo covid-19, variante delta, postura dos bancos centrais de países desenvolvidos perante a flexibilização monetária, mas mantendo boas expectativas para as economias neste segundo semestre. Aqui ficamos com a crise política, quadro fiscal deteriorado e medidas de teor populista que preocupam investidores, além da inflação com sinais renitentes de alta.

No cenário externo a OMS (Organização Mundial da Saúde) constatou que no ritmo atual o mundo pode superar a contaminação pelo covid-19 em mais de 300 milhões de casos já no início de 2022. Nos EUA, tivemos a divulgação da inflação medida pelo CPI de julho em 0,5% e núcleo em +0,3%, desacelerando em relação ao mês anterior, na comparação anual subindo para 5,4% e o núcleo em +4,3%. Mas aparentemente o pico já foi superado, apesar de ainda estar disseminada por bens e serviços. Mas o governo conversa com empresários para tentar reparar gargalos nas atividades.

Ainda nos EUA, os estoques de petróleo encolheram na semana anterior 448 mil barris e gasolina com queda de 1,4 milhão de barris com utilização de 91,8% da capacidade das refinarias. Comentando a posição de dirigentes regionais do FED, Bostic (Atlanta), declarou que medo da inflação e mercado de trabalho aquecido não fazem subir juros. Já Esther George, de Kansas, disse que as condições da economia justificam o fim da compra de ativos e diagnosticou que os desequilíbrios de oferta e demanda mostram a inflação em alta.

O presidente do FED de Dallas, Kaplan, foi mais incisivo e defendeu o tapering anunciado em setembro e redução do QE (quantitative easing) já no mês de outubro. A Casa Branca disse estar em conversas com membros da OPEP para ampliar a produção de óleo, mas focada no longo prazo. Com isso, o petróleo que vinha em queda logo cedo mudou de tendência. Chamamos a atenção para o episódio de harckers roubando mais de US$ 600 milhões em criptomoedas hoje, mas aparentemente depois de identificado teria devolvido.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava boa alta de 1,28%, com o barril cotado a US$ 69,17. O euro era transacionado em alta para US$ 1,174, também revertendo queda e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,32%, principalmente depois de do leilão havido com taxa de 1,34% e demanda maior que a média. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com desempenho misto na Bolsa de Chicago. O minério de fero negociado em Qingdao, na China, registrou alta durante a madrugada de 1,87%, com a tonelada em US$ 165,48, mexendo um pouco com Vale e siderúrgicas. A virada do petróleo ajudou as ações de Petrobras a inverter tendência também da Bovespa, com o setor bancário.

No mercado local, dia de dólar novamente oscilando muito e seguindo a componente externa. No encerramento mostrava +0,38% e cotado a R$ 5,22. No segmento Bovespa, da B3, na sessão de 09/08, os investidores estrangeiros alocaram R$ 328,9 milhões, deixando o saldo positivo de agosto em R$ 2,48 bilhões e o ano com entradas líquidas de R$ 42,2 bilhões.

No plano político, mesmo depois de a pretensão de voto impresso ser derrotada na Câmara ontem e ter colocado pá de cal no assunto, Bolsonaro voltou a dizer que o resultado da próxima eleição não será confiável. Ainda ficam restando questões como precatórios e programas sociais, além da reforma do imposto de renda. A cúpula da CPI do covid-19 decide indiciar Bolsonaro por charlatanismo. Presidente vive seu inferno.

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