Este episódio é como quando eu saio de casa com o meu pai - que se chama Pedro - na manhã da véspera de natal "só" para ir comprar um litro de leite (tem que ser gordo!) que está a faltar para fazer o arroz doce. Segundo a minha mãe, o objetivo é bastante simples: ir a um dos supermercados da vila comprar 1L de leite, e "não se demorem muito que depois não tenho tempo para o fazer", porque ela já sabe o que a casa gasta. E nós não a queremos desiludir, mas somos pessoas muito curiosas pela vida em geral e acabamos sempre por dar uma gaaaanda volta - primeiro vamos pôr gasóleo (porque já sabemos que vamos dar uma gaaaanda volta, é um clássico pai-filha Alves), seguimos para o relojoeiro para finalmente substituir as braceletes do meu relógio que já andam há meio ano quase a partir porque "sim, mãe, da próxima vez que aí for, eu vou lá", o que acaba sempre por nunca acontecer, depois encostamos no multibanco para levantar dinheiro e para ver os movimentos na caderneta porque ir ao site online não é tão divertido. Lá pelo meio quase que tenho de arrancar o meu pai à força de meia dúzia de conversas (com o Sr. Américo que ainda tem aquela garrafa de jeropiga para lhe dar, "tem que lá ir a casa, Sr. Pedro", com a Sra. Bernice DóimetudoSenhorPedro que está muito mal porque não-sei-quem morreu, com a Sra. Albertina e a Irmã-que-veio-da-França-passar-o-Natal e que já não me reconhecem porque "estou tão alta! Sai ao pai! (piscando o olho ao dito cujo) e mais forte!" (super desnecessário e nada dentro do espírito natalício, Sra Irmã-que-veio-da-França-passar-o-Natal). Lá entramos no supermercado cofflidlcoff para comprar o leite gordo (ou "forte", segundo a Sra. Irmã-que-veio-da-França-passar-o-Natal), mas fazemos sempre questão de dar uma volta por todos os corredores, porque nunca se sabe se há alguma promoção de última hora, não é? O meu telemóvel toca outra vez ("como assim pai, tenho 7 chamadas não atendidas da mãe. Vê lá se ela também já te ligou... Ups."), atendo e tranquilizo-a, dizendo que estamos "quase quase a chegar, não te preocupes mãe, estava uma fila enorme no supermercado, nem-imaginas-sinceramente-na-véspera-de-natal-as-pessoas-realmente-não-têm-noção-não-é-mãe-onde-é-que-isto-já-se-viu-só-mesmo-aqui-eu-cá". Lá seguimos caminho para casa, mas não antes de pararmos no café central da vila para levarmos pão e broa quentinha, o que despoleta a também clássica reação "Eu disse que íamos ao pão a seguir ao almoço! Vocês são sempre a mesma coisa. O que era preciso para agora e o que era urgente era o leite!". E tem toda a razão porque ARROZ DOCE É VIDA. E por isso é que neste episódio falamos sobre sermos embaixadoras de Arganil, sobre lítio, Ferrero Rocher, o presidente Marcelo, musas do séc.XVIII e, por fim, lá acabamos no exercício ao ar livre. | O #SemFiltro está disponível em todas as plataformas possíveis e imagináveis. Procura-nos na tua app de podcasts ou no Itunes, Spotify, Google Play, Soundcloud, Youtube e afins.