Novas Falas

Senhores da Guerra - Bombas e palavras


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Rússia e Ucrânia disputam simultaneamente dois conflitos: um bélico, com tiros e bombas; o outro de relações públicas, com gestos e palavras. No primeiro, o bélico, os russos incontestavelmente levam vantagem; já no segundo, os ucranianos estão à frente, com larga distância.  Os russos sempre foram militarmente superiores aos ucranianos. Têm maior poder de fogo. A sua vitória já é esperada. Porém, para jogar no campo da comunicação, contam com o presidente sênior Wladimir Putin, carrancudo e de fala dura. Um ex-agente da KGB. Não é, com certeza, do ponto de vista comunicacional, uma figura que pareça simpática, mesmo em tempos de paz.

Os ucranianos, por sua vez, têm como “porta-voz” oficial o seu jovem presidente, Volodymyr Zelenskyy, um ex comediante, ator de tv que sabe interpretar profissionalmente o seu discurso, além de lidar bem com as câmeras e microfones. Ele se coloca como vítima e herói ao mesmo tempo. E nesse papel duplo, invoca irresponsavelmente os países do ocidente para entrar na guerra em defesa de seu País. A Rússia tem argumentos plausíveis para justificar a sua disputa com a Ucrânia. Mas estas diferenças, digamos assim, podem ser discutidas em rodadas de negociação. A ONU existe para isso. Lembrem-se de que ela foi criada logo após a II Guerra Mundial, em 1945, justamente para impedir a sua repetição. A Ucrânia sabe muito de sua localização, de fronteira com a Rússia, e que seu vizinho militarmente poderoso jamais aceitara a sua participação como membro da OTAN. Isso nunca foi segredo, tanto que desde os tempos de Gorbatchev existiam acordos nesse sentido. Como se percebe, é história antiga, mas ainda válida!

Os planos de Putin para a invasão da Ucrânia não são novos. O ocidente já os conhecia. Somente não se sabia a data e o horário que isso aconteceria. Os argumentos do presidente russo são, além de não aceitar a Ucrânia na Otan, coibir os atos de violência contra os cidadãos russos que vivem no país cometidos por grupos de direita e neonazistas, com a complacência do governo de Zelenskyy. A existência de neonazistas no governo ucraniano não é segredo de Estado, é público, tanto que na capital Kiev ruas e avenidas foram batizadas em homenagem a simpatizantes desta ideologia. Porém, se existem neonazistas e uma acusação de perseguição de um povo, cabe a ONU, através de seu braço de Direitos Humanos, buscar saber a verdade, denunciar a situação e seus responsáveis e arrumar um jeito de impedir que siga acontecendo.

Mas isso, vale recordar, se faz em mesas de negociação, não com guerras que, quase sempre, matam apenas inocentes, ainda que fardados. É sim, muitos jovens soldados enviados aos campos de batalha não sabem exatamente a razão de estarem ali, em armas, colocando a sua vida e a de seu oponente, também jovem, sob risco!  A imprensa hegemônica, antes mesmo da guerra ter início, aceitou como verdadeira e inconteste a versão ucraniana do conflito. A Opinião Pública, para formar o seu juízo de valor, tem, no momento, apenas uma versão da história. Os países do Ocidente sabem que a Rússia jamais aceitará a Ucrânia na OTAN. Eles temem a instalação de misseis em suas fronteiras. Uma reação esperada. Aliás, a mesma reação que os EUA tiveram em 1962, quando os Soviéticos tentaram instalar misseis em Cuba. Essa história já está escrita, vale pesquisar. O acontecimento, que fez tremer o mundo naquela ocasião por causa do risco de guerra nuclear, ficou conhecido como a Crise dos Misseis!

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Novas FalasBy Jfortunato